As ações da Marcopolo voltaram ao centro das atenções nesta quinta-feira, 17 de setembro, depois que a XP Investimentos reduziu sua recomendação para POMO4 de compra para neutra. A revisão veio acompanhada de um novo preço-alvo de R$ 5 para o fim de 2027 e provocou forte reação negativa na Bolsa.
POMO4 encerrou o pregão a R$ 4,32, queda de 4,64%, após oscilar entre R$ 4,29 e R$ 4,51 durante o dia.
A movimentação ampliou a discussão entre investidores sobre o novo patamar de preço da companhia. A cotação mais baixa torna alguns indicadores aparentemente mais atrativos, mas o relatório da XP mostra que a queda acontece justamente em um momento de revisão para baixo das expectativas de rentabilidade.
Por que a XP rebaixou POMO4
O principal argumento da XP está na deterioração da visibilidade operacional da Marcopolo.
Segundo a instituição, os dados mais recentes de produção apontam para um segundo semestre de 2026 mais fraco do que se esperava anteriormente. A leitura é de que os volumes menores e a menor alavancagem operacional podem dificultar uma recuperação mais forte das margens no curto prazo.
A XP também menciona fatores como valorização do real, desempenho mais fraco em determinados mercados internacionais e pressão de custos como elementos que podem limitar a rentabilidade.
O cenário contrasta com uma expectativa anterior de melhora sazonal mais clara ao longo do segundo semestre.
Lucro de 2027 passa a ser um dos principais pontos de atenção
Na revisão, a XP passou a trabalhar com um lucro líquido de aproximadamente R$ 950 milhões para 2027.
O valor fica cerca de 19% abaixo do consenso considerado pela própria casa.
A projeção de margem Ebitda foi colocada em aproximadamente 14,9%, indicando que a rentabilidade pode permanecer abaixo de níveis registrados em momentos mais favoráveis do ciclo da companhia.
Esse ajuste é relevante porque o preço das ações não depende apenas da cotação atual. O mercado também precifica a capacidade futura de geração de lucro, caixa e dividendos.
Assim, uma ação mais barata não representa automaticamente uma empresa mais barata se, ao mesmo tempo, as estimativas de lucro também estiverem sendo reduzidas.
Preço-alvo de R$ 5 exige uma leitura cuidadosa
A XP estabeleceu preço-alvo de R$ 5 para o fim de 2027.
Quando o relatório foi elaborado, a casa utilizava uma referência de mercado próxima de R$ 4,53, o que representava potencial de valorização de aproximadamente 10,4%.
Depois da queda desta quinta-feira e do fechamento em R$ 4,32, a diferença matemática entre a cotação e o preço-alvo passou para cerca de 15,7%.
Esse percentual, porém, não significa uma nova projeção da XP.
Trata-se apenas da diferença entre o fechamento da ação e o preço-alvo já divulgado pela instituição.
Além disso, preço-alvo não representa garantia de valorização. O cálculo depende de premissas sobre lucro, margens, custo de capital, condições econômicas e desempenho operacional da empresa.
Dividendos continuam no radar dos investidores
A queda da cotação também aumenta matematicamente o dividend yield potencial quando o mesmo valor de proventos é comparado com um preço menor da ação.
A Marcopolo acumulou um histórico relevante de distribuição nos últimos anos.
Dados divulgados pela própria companhia mostram aproximadamente R$ 0,782 por ação em dividendos e juros sobre capital próprio referentes a 2024, enquanto em 2025 a distribuição chegou a cerca de R$ 0,936 por ação.
O payout também avançou de aproximadamente 47,5% em 2024 para 94,9% em 2025.
Esse crescimento ajuda a explicar a presença recorrente de POMO4 entre investidores interessados em renda passiva.
Por outro lado, o nível de distribuição observado em 2025 foi elevado e não deve ser tratado como garantia para os próximos exercícios.
Projeções de dividendos para 2027 precisam ser tratadas como estimativas
A transcrição utilizada como base para esta análise apresenta uma simulação de aproximadamente R$ 0,34 por ação em dividendos para 2027.
Esse valor, porém, não corresponde a um dividendo anunciado pela Marcopolo e também não deve ser apresentado como projeção oficial da XP.
Trata-se de uma estimativa feita a partir do lucro projetado para a empresa e de uma determinada hipótese de distribuição aos acionistas.
Os pagamentos efetivos dependerão de vários fatores, como lucro realizado, geração de caixa, investimentos, necessidade de capital, política de distribuição e decisões do conselho de administração.
A própria variação do payout nos últimos anos mostra que os dividendos podem mudar significativamente de um exercício para outro.
POMO3 ou POMO4: o que muda entre as ações
A Marcopolo possui ações ordinárias, negociadas pelo código POMO3, e ações preferenciais, identificadas pelo código POMO4.
As duas classes representam participação na mesma companhia, mas possuem características societárias diferentes e também podem apresentar diferenças de preço e liquidez na Bolsa.
Dados recentes do relacionamento com investidores da Marcopolo mostram aproximadamente 451 milhões de ações ordinárias e cerca de 799 milhões de ações preferenciais em circulação no capital da companhia.
Para o investidor, portanto, a comparação não deve considerar apenas qual ação está mais barata.
Liquidez, direitos de cada classe e estratégia de investimento também precisam entrar na análise.
O que pode definir o próximo movimento de POMO4
Os próximos resultados da Marcopolo serão importantes para confirmar ou contrariar a visão mais cautelosa adotada pela XP.
Entre os principais pontos que devem permanecer no radar estão a evolução da produção de ônibus, a composição das vendas, o comportamento das margens, a operação internacional e a geração de caixa.
Também será importante acompanhar se o lucro projetado para 2027 realmente se aproximará dos R$ 950 milhões estimados pela XP ou se novos resultados levarão o mercado a revisar novamente as expectativas.
A Marcopolo continua sendo uma companhia lucrativa e com histórico relevante de distribuição de proventos.
A questão agora é outra: o mercado precisará avaliar se a queda recente de POMO4 foi maior do que a deterioração esperada nos resultados ou se o novo preço apenas reflete um cenário operacional mais fraco.
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