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Início » Últimas Notícias » Ações da Marcopolo caem forte após XP mudar projeções para POMO4
Ações

Ações da Marcopolo caem forte após XP mudar projeções para POMO4

XP corta recomendação para neutra e reduz preço-alvo após enxergar produção mais fraca, pressão sobre margens e menor visibilidade para os lucros da fabricante.
Suzana MelloPor Suzana Mello17 de setembro de 20265 minutos lidos
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Ações da Marcopolo caem forte após XP mudar projeções para POMO4
Ações da Marcopolo caem forte após XP mudar projeções para POMO4

As ações da Marcopolo voltaram ao centro das atenções nesta quinta-feira, 17 de setembro, depois que a XP Investimentos reduziu sua recomendação para POMO4 de compra para neutra. A revisão veio acompanhada de um novo preço-alvo de R$ 5 para o fim de 2027 e provocou forte reação negativa na Bolsa.

POMO4 encerrou o pregão a R$ 4,32, queda de 4,64%, após oscilar entre R$ 4,29 e R$ 4,51 durante o dia.

A movimentação ampliou a discussão entre investidores sobre o novo patamar de preço da companhia. A cotação mais baixa torna alguns indicadores aparentemente mais atrativos, mas o relatório da XP mostra que a queda acontece justamente em um momento de revisão para baixo das expectativas de rentabilidade.

Por que a XP rebaixou POMO4

O principal argumento da XP está na deterioração da visibilidade operacional da Marcopolo.

Segundo a instituição, os dados mais recentes de produção apontam para um segundo semestre de 2026 mais fraco do que se esperava anteriormente. A leitura é de que os volumes menores e a menor alavancagem operacional podem dificultar uma recuperação mais forte das margens no curto prazo.

A XP também menciona fatores como valorização do real, desempenho mais fraco em determinados mercados internacionais e pressão de custos como elementos que podem limitar a rentabilidade.

O cenário contrasta com uma expectativa anterior de melhora sazonal mais clara ao longo do segundo semestre.

Lucro de 2027 passa a ser um dos principais pontos de atenção

Na revisão, a XP passou a trabalhar com um lucro líquido de aproximadamente R$ 950 milhões para 2027.

O valor fica cerca de 19% abaixo do consenso considerado pela própria casa.

A projeção de margem Ebitda foi colocada em aproximadamente 14,9%, indicando que a rentabilidade pode permanecer abaixo de níveis registrados em momentos mais favoráveis do ciclo da companhia.

Esse ajuste é relevante porque o preço das ações não depende apenas da cotação atual. O mercado também precifica a capacidade futura de geração de lucro, caixa e dividendos.

Assim, uma ação mais barata não representa automaticamente uma empresa mais barata se, ao mesmo tempo, as estimativas de lucro também estiverem sendo reduzidas.

Preço-alvo de R$ 5 exige uma leitura cuidadosa

A XP estabeleceu preço-alvo de R$ 5 para o fim de 2027.

Quando o relatório foi elaborado, a casa utilizava uma referência de mercado próxima de R$ 4,53, o que representava potencial de valorização de aproximadamente 10,4%.

Depois da queda desta quinta-feira e do fechamento em R$ 4,32, a diferença matemática entre a cotação e o preço-alvo passou para cerca de 15,7%.

Esse percentual, porém, não significa uma nova projeção da XP.

Trata-se apenas da diferença entre o fechamento da ação e o preço-alvo já divulgado pela instituição.

Além disso, preço-alvo não representa garantia de valorização. O cálculo depende de premissas sobre lucro, margens, custo de capital, condições econômicas e desempenho operacional da empresa.

Dividendos continuam no radar dos investidores

A queda da cotação também aumenta matematicamente o dividend yield potencial quando o mesmo valor de proventos é comparado com um preço menor da ação.

A Marcopolo acumulou um histórico relevante de distribuição nos últimos anos.

Dados divulgados pela própria companhia mostram aproximadamente R$ 0,782 por ação em dividendos e juros sobre capital próprio referentes a 2024, enquanto em 2025 a distribuição chegou a cerca de R$ 0,936 por ação.

O payout também avançou de aproximadamente 47,5% em 2024 para 94,9% em 2025.

Esse crescimento ajuda a explicar a presença recorrente de POMO4 entre investidores interessados em renda passiva.

Por outro lado, o nível de distribuição observado em 2025 foi elevado e não deve ser tratado como garantia para os próximos exercícios.

Projeções de dividendos para 2027 precisam ser tratadas como estimativas

A transcrição utilizada como base para esta análise apresenta uma simulação de aproximadamente R$ 0,34 por ação em dividendos para 2027.

Esse valor, porém, não corresponde a um dividendo anunciado pela Marcopolo e também não deve ser apresentado como projeção oficial da XP.

Trata-se de uma estimativa feita a partir do lucro projetado para a empresa e de uma determinada hipótese de distribuição aos acionistas.

Os pagamentos efetivos dependerão de vários fatores, como lucro realizado, geração de caixa, investimentos, necessidade de capital, política de distribuição e decisões do conselho de administração.

A própria variação do payout nos últimos anos mostra que os dividendos podem mudar significativamente de um exercício para outro.

POMO3 ou POMO4: o que muda entre as ações

A Marcopolo possui ações ordinárias, negociadas pelo código POMO3, e ações preferenciais, identificadas pelo código POMO4.

As duas classes representam participação na mesma companhia, mas possuem características societárias diferentes e também podem apresentar diferenças de preço e liquidez na Bolsa.

Dados recentes do relacionamento com investidores da Marcopolo mostram aproximadamente 451 milhões de ações ordinárias e cerca de 799 milhões de ações preferenciais em circulação no capital da companhia.

Para o investidor, portanto, a comparação não deve considerar apenas qual ação está mais barata.

Liquidez, direitos de cada classe e estratégia de investimento também precisam entrar na análise.

O que pode definir o próximo movimento de POMO4

Os próximos resultados da Marcopolo serão importantes para confirmar ou contrariar a visão mais cautelosa adotada pela XP.

Entre os principais pontos que devem permanecer no radar estão a evolução da produção de ônibus, a composição das vendas, o comportamento das margens, a operação internacional e a geração de caixa.

Também será importante acompanhar se o lucro projetado para 2027 realmente se aproximará dos R$ 950 milhões estimados pela XP ou se novos resultados levarão o mercado a revisar novamente as expectativas.

A Marcopolo continua sendo uma companhia lucrativa e com histórico relevante de distribuição de proventos.

A questão agora é outra: o mercado precisará avaliar se a queda recente de POMO4 foi maior do que a deterioração esperada nos resultados ou se o novo preço apenas reflete um cenário operacional mais fraco.

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Suzana Mello

    Suzana Mello integra a equipe de conteúdo da A Revista. Acompanha economia, finanças pessoais, quanto rende e temas que afetam o orçamento do leitor. Produz textos em linguagem acessível, identifica fontes e períodos de referência e diferencia dados confirmados de estimativas.

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