A Companhia Energética de Minas Gerais (Semig) voltou ao centro das atenções do mercado financeiro após divulgar um trimestre marcado por quedas no lucro e no EBITDA, influenciadas por fatores pontuais e não recorrentes. Mesmo com a reação imediatista do mercado, que penalizou as ações da companhia, a empresa reforçou fundamentos sólidos e perspectivas favoráveis para o longo prazo, sustentadas por alta capacidade de geração de valor e pelo robusto plano de investimentos até 2029.
Nos últimos anos, a Semig se consolidou como uma das principais referências do setor elétrico brasileiro, com forte presença na distribuição de energia em Minas Gerais, além de operações relevantes em geração, transmissão e comercialização. Essa diversificação tem sido essencial para manter a rentabilidade crescente, especialmente considerando o desempenho histórico da empresa: retorno de 122% aos acionistas nos últimos cinco anos e 314% nos últimos dez anos, já considerando reinvestimentos e correção inflacionária.
Alavancagem em alta, mas ainda abaixo da média do setor
A companhia registrou aumento na relação dívida líquida/EBITDA, que passou de 0,8 em 2023 para 1,8 em 2024. A alta decorre da combinação entre juros elevados no país e o avanço do capex da Semig, que prevê investimentos superiores a R$ 40 bilhões até 2029 — valor acima do atual market cap da empresa, estimado em aproximadamente R$ 34 bilhões.
Apesar do avanço da alavancagem, o indicador permanece abaixo da média considerada aceitável para o setor elétrico, que varia entre 2,7 e 3 vezes. O cenário é visto como confortável para a companhia e reforça sua capacidade de financiar o ciclo de expansão sem comprometer a saúde financeira.
Reservas de lucros voltam ao patamar de R$ 10 bilhões
Um dos pontos que mais chamaram a atenção do mercado foi a recomposição da reserva de lucros. Após o uso de cerca de R$ 3 bilhões em 2024 para pagamento de dividendos adicionais e bonificação de ações, a empresa voltou a acumular mais de R$ 10,3 bilhões em reservas após o resultado recente.
Esse fortalecimento reacende a possibilidade de novos anúncios de dividendos extraordinários ou bonificações, sobretudo diante da proximidade da mudança na tributação de dividendos prevista para o próximo ano. Grandes acionistas, incluindo o governo de Minas Gerais, têm interesse em antecipar a distribuição para evitar a retenção de 10% na fonte.
Com base na política da companhia, que permite a distribuição de até 50% do lucro líquido e o uso proporcional da reserva, uma projeção conservadora — utilizando payout de 38% — indica que a Semig poderia distribuir até R$ 3,9 bilhões em dividendos adicionais. Isso representaria aproximadamente R$ 1,36 por ação, tanto para SEMIG3 quanto para SEMIG4.
Valuation, preços de entrada e comportamento recente das ações
As ações SEMIG4, que possuem maior liquidez e são preferidas por investidores de curto e médio prazo, oscilaram entre R$ 12,14 e níveis próximos de R$ 10 após a divulgação dos resultados. O mercado trabalha com um “preço-teto” entre R$ 10,50 e R$ 10,60, enquanto muitos analistas consideram a faixa entre R$ 9,80 e R$ 10,00 como zona ideal para acumulação, especialmente em cenários de correções temporárias.
Ainda assim, especialistas reforçam que a análise de Semig deve ir além do preço momentâneo da ação, considerando os fundamentos operacionais, a relevância no setor elétrico e o potencial de crescimento com o ciclo de investimentos e expansão da comercialização de energia.
Com reservas elevadas, expectativa de possível distribuição extraordinária, forte histórico de rentabilidade e investimentos robustos em andamento, a Semig entra no radar dos investidores em busca de retorno sólido no longo prazo. Caso mantenha a trajetória atual e confirme a distribuição antes do prazo final de 31 de dezembro, a companhia pode reforçar ainda mais sua atratividade no mercado de capitais.
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