As ações da Braskem voltaram ao centro das atenções após a petroquímica apresentar melhora nos resultados e avançar em uma ampla mudança no controle societário. Apesar dos sinais positivos, os números mostram que investir em BRKM5 continua sendo uma decisão de risco elevado.
No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou lucro líquido atribuível aos acionistas de aproximadamente R$ 1,45 bilhão, mais que o dobro dos R$ 698 milhões apurados no mesmo período de 2025.
O resultado, entretanto, foi favorecido por efeitos cambiais e não significa que todos os problemas operacionais tenham sido superados. A receita líquida recuou 20% na comparação anual, para R$ 15,49 bilhões, enquanto o EBITDA recorrente caiu 24%, para R$ 1,01 bilhão.
| Indicador | Resultado no 1T26 | Comparação anual |
|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 15,49 bilhões | queda de 20% |
| EBITDA recorrente | R$ 1,01 bilhão | queda de 24% |
| Lucro líquido | R$ 1,45 bilhão | alta de 107% |
| Alavancagem em dólar | 16,81 vezes | 7,98 vezes no 1T25 |
| Consumo operacional de caixa | US$ 603 milhões | geração de US$ 13 milhões no 4T25 |
Resultado melhorou diante do trimestre anterior
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o desempenho operacional apresentou recuperação. O EBITDA recorrente em dólares alcançou US$ 192 milhões, avanço de 76%.
A melhora foi impulsionada principalmente pelo aumento dos spreads de alguns produtos petroquímicos e pelos créditos de PIS e Cofins relacionados ao Regime Especial da Indústria Química, o REIQ.
No Brasil e na América do Sul, o EBITDA recorrente chegou a US$ 241 milhões, crescendo 69% diante do trimestre anterior. Mesmo assim, as margens permanecem pressionadas pelo excesso de capacidade mundial, pela concorrência de produtos importados e pelo custo das matérias-primas.
A Braskem transforma insumos como nafta, etano e propano em resinas utilizadas nas indústrias de embalagens, automóveis, construção civil e bens de consumo. Quando o preço das resinas cai mais rapidamente que o custo desses insumos, a rentabilidade da companhia diminui.
Dívida e consumo de caixa preocupam
O principal ponto de atenção continua sendo o endividamento. A alavancagem financeira medida em dólares encerrou março em 16,81 vezes a relação entre dívida líquida e EBITDA, mais que o dobro das 7,98 vezes registradas um ano antes.
A companhia terminou o trimestre com uma posição de caixa próxima de US$ 1,1 bilhão e prazo médio da dívida de aproximadamente 7,4 anos. Cerca de 61% dos vencimentos estão concentrados a partir de 2030.
O prazo mais longo reduz a pressão imediata, mas não elimina o risco. A Braskem apresentou consumo operacional de caixa de US$ 603 milhões no trimestre. Caso a geração de caixa continue negativa, a empresa poderá precisar levantar recursos, vender ativos ou renegociar compromissos.

Caso de Alagoas permanece no radar
Os passivos relacionados ao afundamento do solo em Maceió continuam sendo outra fonte de incerteza. A companhia já realizou desembolsos bilionários com indenizações, realocação de moradores, fechamento de poços, monitoramento ambiental e acordos com autoridades.
Mesmo com provisões constituídas, ainda existe a possibilidade de novos gastos, decisões judiciais ou revisões dos valores necessários para solucionar completamente o caso.
Essa incerteza dificulta a avaliação do preço justo das ações, pois eventuais despesas adicionais podem afetar o caixa e aumentar a necessidade de financiamento.
Mudança no controle e OPA movimentam BRKM5
Em junho de 2026, o fundo Shine I, ligado à IG4 Capital, passou a integrar o bloco de controle da Braskem e protocolou pedido de registro de uma oferta pública de aquisição de ações.
A OPA pretende alcançar 100% das ações ordinárias e preferenciais, mas ainda depende das autorizações da Comissão de Valores Mobiliários e da B3. Os termos definitivos serão conhecidos somente após a publicação do edital.
A mudança no controle aumentou a expectativa sobre uma possível reorganização financeira e operacional. Entretanto, o pagamento proposto envolve uma estrutura baseada em debêntures da antiga controladora, o que exige atenção dos acionistas às condições, aos prazos e aos riscos dos títulos oferecidos.
Braskem paga bons dividendos?
A Braskem não apresenta atualmente um histórico recente de distribuição regular. O último pagamento relevante ocorreu em 2022, no valor aproximado de R$ 1,70 por ação.
Com alavancagem elevada, consumo de caixa e necessidade de preservar liquidez, a retomada de dividendos consistentes não deve ser considerada garantida. Dessa forma, BRKM5 não se encaixa atualmente no perfil clássico de ação voltada à geração previsível de renda passiva.

Ações da Braskem estão baratas?
O preço das ações pode parecer baixo quando comparado aos valores registrados em ciclos petroquímicos mais favoráveis. Porém, uma cotação reduzida não significa necessariamente que o papel esteja barato.
A recuperação dependerá da melhora dos spreads internacionais, da redução da dívida, da retomada da geração de caixa e de avanços concretos na solução dos passivos de Alagoas.
BRKM5 pode apresentar fortes valorizações diante de notícias sobre a OPA, venda de ativos ou recuperação do setor. Ainda assim, a relação entre risco e retorno permanece elevada. Para investidores conservadores ou focados em dividendos, o atual cenário exige cautela.
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