Uma ação que caiu mais de 70% desde o IPO costuma assustar. Mas, em alguns casos, é justamente nesse cenário de medo que surgem as maiores oportunidades da Bolsa. É o que começa a chamar atenção em OBTC3, empresa brasileira com exposição direta ao Bitcoin, que atravessa forte correção no mercado cripto enquanto recompra suas próprias ações.
O movimento levanta uma questão relevante para investidores: trata-se de um ativo deteriorado ou de uma tese de longo prazo temporariamente pressionada pelo ciclo?
Quem é a OBTC3 e como funciona seu modelo
A OBTC3 não é uma empresa tradicional focada em lucro contábil de curto prazo. Seu modelo é baseado na acumulação de Bitcoin por ação, estratégia semelhante à de empresas internacionais que mantêm criptoativos como reserva estratégica.
Atualmente, o papel é negociado na faixa de R$ 6,56, acumulando queda superior a 70% desde o IPO, realizado no final do ano passado. A empresa é altamente correlacionada ao Bitcoin, o que explica a volatilidade intensa desde a abertura de capital.
O foco da gestão não é o lucro trimestral, mas sim o aumento do Bitcoin por ação ao longo do tempo.
O que é o MNAV e por que ele importa
A principal métrica acompanhada pelo mercado nesse tipo de empresa é o MNAV (Market Net Asset Value), que compara o valor de mercado da companhia com o valor dos Bitcoins que ela possui em caixa.
Hoje, o MNAV está em torno de 0,85.
Isso significa que o mercado paga aproximadamente R$ 0,85 para cada R$ 1,00 em Bitcoin dentro da empresa. Em outras palavras, a ação negocia com desconto matemático em relação ao patrimônio em criptoativos.
Esse tipo de desconto costuma surgir quando:
O Bitcoin está em correção
O mercado está avesso a risco
Investidores priorizam liquidez e reduzem exposição a ativos voláteis
Por que a ação caiu mais que o Bitcoin?
O Bitcoin está sendo negociado próximo de US$ 67 mil, após uma correção relevante no ciclo recente. Historicamente, ativos alavancados ou altamente correlacionados à criptomoeda tendem a amplificar movimentos — tanto de alta quanto de queda.
No caso da OBTC3:
O Bitcoin caiu
O mercado cripto perdeu força
O medo dominou o investidor médio
A ação caiu ainda mais que o ativo base
Esse comportamento é típico de ativos de ciclo, não necessariamente de deterioração estrutural.
Recompra de ações no fundo do ciclo
O ponto que mais chama atenção é a recompra de ações promovida pela própria empresa.
Em vez de ampliar exposição comprando mais Bitcoin na queda, a companhia optou por recomprar suas ações no mercado. Essa estratégia:
Reduz o número de papéis em circulação
Aumenta o Bitcoin por ação
Eleva o potencial de valorização futura
Indica convicção da gestão na tese
Empresas fragilizadas raramente fazem recompra em momentos de pressão. O movimento sugere que a administração enxerga suas ações negociando abaixo do valor intrínseco.
Preço atual, preço justo e potencial
Segundo análises de valuation baseadas em projeções internas de ciclo e precificação do Bitcoin:
Preço atual: R$ 6,56
Preço justo estimado: R$ 7,54
Preço-alvo projetado: acima de R$ 9
Isso representa um potencial de valorização superior a 40% a 50%, considerando apenas a normalização do desconto atual.
Caso o Bitcoin retome patamares acima de US$ 100 mil, o efeito alavancado pode ampliar significativamente o upside da ação.
Riscos que não podem ser ignorados
Apesar da tese atrativa, OBTC3 não é um ativo conservador. Os principais riscos incluem:
Alta volatilidade
Dependência total do ciclo do Bitcoin
Ausência de dividendos
Possível continuidade de queda no curto prazo
Sensibilidade ao apetite global por risco
Além disso, a empresa possui nível de alavancagem moderado, que precisa ser acompanhado à medida que o ciclo evolui.
O que pode destravar valor
Para que OBTC3 volte a subir de forma consistente, alguns fatores são determinantes:
Estabilização do Bitcoin
Retomada do apetite por ativos de risco
Redução do desconto no MNAV
Continuidade do programa de recompra
Historicamente, ganhos expressivos em ativos ligados ao Bitcoin ocorrem quando o mercado ainda está cético — e não quando a narrativa já está consolidada nas manchetes.
OBTC3 não está barata porque é uma empresa ruim. Está descontada porque o ciclo está contra e o medo domina o mercado.
Para investidores que entendem ciclos e toleram volatilidade, o momento pode representar uma janela de oportunidade estratégica. Para perfis conservadores, trata-se de um ativo inadequado.
Como todo investimento ligado ao Bitcoin, o timing é crucial. Quem compra quando o mercado está eufórico costuma pagar caro. Quem compra quando o medo predomina pode capturar a próxima fase de valorização.
A pergunta que fica é: o investidor está preparado para comprar no desconforto — ou prefere entrar apenas quando a alta já estiver consolidada?
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