As ações da Ambev, negociadas pelo ticker ABEV3, protagonizaram um dos movimentos mais fortes da Bolsa brasileira nesta semana ao avançarem quase 15% em um único pregão. A forte valorização surpreendeu investidores, principalmente porque a companhia vinha atravessando um longo período de desempenho lateralizado na B3.
O movimento aconteceu após a divulgação dos resultados trimestrais da empresa. Apesar de os números não terem mostrado um crescimento explosivo, o mercado reagiu positivamente porque o cenário esperado era muito pior.
A Ambev registrou lucro líquido de aproximadamente R$ 3,8 bilhões no trimestre, uma leve alta de 0,3% na comparação anual. Já a receita líquida ficou próxima de R$ 22,5 bilhões, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior.
Mesmo sem crescimento robusto, os números foram suficientes para provocar uma forte reprecificação das ações.
O mercado vinha extremamente pessimista com a companhia, principalmente por conta do ritmo lento de expansão dos negócios e das dúvidas sobre a capacidade de crescimento da empresa nos próximos anos.
Por que a Ambev ainda enfrenta dúvidas no longo prazo?
Apesar da disparada recente, muitos analistas seguem cautelosos em relação à tese de investimento da Ambev.
A empresa é dona de marcas gigantes como Brahma, Skol, Antarctica, Budweiser, Corona e Stella Artois. Além disso, possui cerca de 65% do mercado brasileiro de cervejas, o que evidencia sua enorme dominância no setor.
Por outro lado, justamente por já ser uma gigante consolidada, a capacidade de expansão da companhia acaba sendo mais limitada.
Nos últimos 10 anos, as ações da Ambev entregaram um retorno acumulado considerado baixo para o padrão da Bolsa brasileira. O crescimento da receita também ficou praticamente estagnado ao longo dos últimos exercícios.
Confira alguns indicadores recentes da companhia:
| Indicador | Resultado |
| Lucro líquido | R$ 3,8 bilhões |
| Receita líquida | R$ 22,5 bilhões |
| Margem EBITDA | 33,6% |
| Participação no mercado de cerveja | 65% |
| Valor de mercado | Cerca de R$ 227 bilhões |
Além disso, parte da melhora operacional recente veio da valorização do real frente ao dólar, fator que reduziu custos ligados a commodities como alumínio, cevada e malte.
Como esses insumos são dolarizados, qualquer nova pressão cambial pode afetar novamente as margens da companhia.
Consumo de cerveja mudou e preocupa investidores
Outro ponto que pesa contra a Ambev é a mudança no comportamento do consumidor.
As novas gerações vêm demonstrando maior preocupação com saúde, qualidade de vida e consumo moderado de bebidas alcoólicas. Isso reduz o potencial estrutural de crescimento do setor ao longo dos próximos anos.
Mesmo eventos pontuais, como Copa do Mundo e grandes festividades, podem gerar aumento temporário nas vendas, mas não necessariamente mudam a tendência de longo prazo.
Por isso, muitos investidores seguem divididos sobre o potencial de valorização futura da ABEV3, mesmo após a forte recuperação recente.
Micron (MU) dispara com boom da inteligência artificial
Se a alta da Ambev surpreendeu o mercado brasileiro, a valorização da Micron Technology chamou atenção em Wall Street.
As ações da empresa americana, negociadas pelo ticker MU na Nasdaq, dispararam mais de 10% em um único dia e acumulam forte valorização nos últimos meses.
Diferentemente da Ambev, a Micron está diretamente posicionada em um dos setores mais quentes do mercado global atualmente: a inteligência artificial.
A companhia é uma das maiores fabricantes de memória do mundo e produz componentes fundamentais para servidores, data centers, GPUs e sistemas de IA.
Entre os principais produtos da empresa estão:
- Memórias DRAM usadas em computadores e servidores;
- Memórias NAND presentes em SSDs e dispositivos de armazenamento;
- Memórias HBM, consideradas essenciais para aplicações avançadas de inteligência artificial.
Explosão da demanda por IA impulsiona a Micron
A corrida global pela inteligência artificial fez a demanda por memórias explodir nos últimos meses.
Grandes empresas de tecnologia como Microsoft, Meta e Amazon vêm ampliando agressivamente seus investimentos em data centers e infraestrutura para IA.
Esse movimento provocou um desequilíbrio entre oferta e demanda no setor de semicondutores, permitindo que fabricantes como a Micron elevassem preços e ampliassem margens.
Os números mais recentes da empresa impressionaram o mercado:
| Indicador | Resultado |
| Receita trimestral | US$ 23,8 bilhões |
| Crescimento anual da receita | Mais de 200% |
| Lucro líquido | US$ 13 bilhões |
| Crescimento do lucro | 772% |
| Projeção futura de receita | US$ 33,5 bilhões |
Além disso, a Micron anunciou recentemente um SSD de 245 TB voltado para aplicações de inteligência artificial, considerado um dos mais avançados do mercado atualmente.
A companhia também recebeu melhora em sua classificação de crédito e viu instituições financeiras elevarem projeções para as ações.
Ainda vale comprar ABEV3 e Micron após a forte alta?
Mesmo com as fortes valorizações recentes, especialistas alertam que investidores devem evitar decisões impulsivas baseadas apenas na subida das ações.
No caso da Ambev, o principal questionamento é se a empresa realmente voltou a ter capacidade de crescimento estrutural ou se o movimento foi apenas uma correção após excesso de pessimismo.
Já no caso da Micron, embora os fundamentos estejam extremamente fortes, o setor de semicondutores costuma ser altamente cíclico.
Isso significa que qualquer desaceleração na demanda por inteligência artificial ou revisão de projeções futuras pode provocar forte volatilidade nas ações.
Além disso, muitos investidores demonstram preocupação com o chamado “FOMO” — o medo de ficar de fora de uma alta — que costuma levar compras em momentos de euforia extrema.
Mercado segue dividido sobre o futuro das duas ações
A disparada de ABEV3 e Micron mostra como o mercado pode reagir rapidamente a mudanças de expectativa.
Enquanto a Ambev tenta reconquistar a confiança dos investidores após anos de crescimento limitado, a Micron surfa a onda da inteligência artificial e se beneficia de uma demanda global que ainda parece longe do fim.
O ponto central para investidores agora passa a ser entender se essas altas representam apenas movimentos momentâneos ou o início de uma nova fase de crescimento para ambas as empresas.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






