A Vale (VALE3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com crescimento das receitas, forte geração de caixa e avanço do resultado operacional. Apesar da queda do lucro líquido, a mineradora aprovou US$ 1,7 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio.
O principal destaque do balanço foi o fluxo de caixa livre de US$ 1,5 bilhão, aumento de 49% na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado reforçou a capacidade da companhia de transformar produção e vendas em recursos disponíveis para investimentos, redução de dívidas e remuneração aos acionistas.
Principais números da Vale no 2T26
| Indicador | Resultado |
| Receita líquida | US$ 10,50 bilhões |
| EBITDA ajustado | US$ 3,68 bilhões |
| EBITDA pro forma | US$ 4,07 bilhões |
| Fluxo de caixa livre | US$ 1,50 bilhão |
| Lucro líquido | US$ 1,38 bilhão |
| Dividendos e JCP | US$ 1,70 bilhão |
| Dívida líquida expandida | US$ 16,68 bilhões |
Receita cresce 19%
A receita líquida alcançou US$ 10,50 bilhões, crescimento de 19% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 13% frente aos três primeiros meses de 2026.
O avanço foi sustentado por maiores volumes vendidos e pela valorização de algumas commodities, especialmente cobre e níquel.
O minério de ferro continuou como a principal fonte de receitas da companhia, mas a divisão de metais básicos ganhou relevância no resultado.
Produção de minério atinge maior nível desde 2018
A Vale produziu 84,3 milhões de toneladas de minério de ferro no trimestre, seu melhor resultado para o período desde 2018.
As vendas somaram 79,7 milhões de toneladas, alta de 3% na comparação anual.
O desempenho foi favorecido pelo avanço do complexo S11D, no Pará, e pela maior disponibilidade operacional das minas.
A empresa também iniciou a operação do projeto Serra Sul +20, que deverá adicionar capacidade ao sistema produtivo de Carajás.
Cobre registra melhor segundo trimestre em nove anos
A produção de cobre atingiu 98,4 mil toneladas, crescimento de 6% em um ano e melhor resultado para um segundo trimestre desde 2017.
O desempenho foi impulsionado pelas operações de Salobo e Sossego, no Brasil, além do avanço da produção no Canadá.
A produção de níquel chegou a 42 mil toneladas, alta de 4%.
A companhia também antecipou para o terceiro trimestre de 2027 a entrada em operação do projeto Bacaba, voltado à expansão da produção de cobre.
EBITDA avança, mas custos também aumentam
O EBITDA ajustado somou US$ 3,68 bilhões, alta de 9% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
Desconsiderando despesas extraordinárias, o EBITDA pro forma chegou a US$ 4,07 bilhões, crescimento de 19%.
A margem EBITDA pro forma permaneceu em 39%, indicando que o crescimento das receitas conseguiu compensar parte das pressões de custos.
Os custos e despesas totais atingiram US$ 7,97 bilhões, avanço de 20% na comparação anual. O aumento refletiu maior volume de produção, despesas logísticas, energia, fretes e valorização do real.
Lucro líquido cai 35%
O lucro líquido atribuível aos acionistas ficou em US$ 1,38 bilhão, queda de 35% em relação ao segundo trimestre do ano passado.
O resultado foi afetado por despesas financeiras, impostos e itens extraordinários ligados a Brumadinho e à descaracterização de barragens.
Quando esses efeitos são retirados, o lucro líquido pro forma sobe para US$ 1,57 bilhão.
A queda do lucro, portanto, não ocorreu por retração das receitas ou perda significativa de produção, mas por impactos contábeis, tributários e financeiros.
Vale anuncia US$ 1,7 bilhão em dividendos
Com base no desempenho do primeiro semestre, o Conselho de Administração aprovou US$ 1,7 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio.
O pagamento está previsto para setembro, conforme as condições divulgadas pela empresa.
A mineradora também anunciou um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações, com duração de até 18 meses.
A recompra pode reduzir o número de papéis em circulação e ampliar proporcionalmente a participação dos acionistas remanescentes nos resultados futuros.
Dívida permanece controlada
A dívida líquida encerrou o trimestre em US$ 13,17 bilhões. Já a dívida líquida expandida ficou em US$ 16,68 bilhões, abaixo do registrado no trimestre anterior.
A redução foi favorecida pela geração de caixa, mesmo após investimentos, pagamentos relacionados a reparações e recompra de ações.
O que o resultado significa para VALE3?
O balanço trouxe sinais positivos e pontos de atenção.
Entre os destaques estão o crescimento das receitas, a produção elevada, o avanço do EBITDA, o aumento do fluxo de caixa livre e o anúncio de dividendos bilionários.
Por outro lado, a queda do lucro líquido e o aumento dos custos mostram que a empresa continua exposta às oscilações do câmbio, dos preços das commodities e das despesas operacionais.
No conjunto, o resultado indica uma Vale com operação sólida, maior participação dos metais básicos e capacidade elevada de geração de caixa.
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