A Marcopolo enfrenta um ambiente mais desafiador em 2026. A redução no número de passageiros transportados, o enfraquecimento das exportações e a cautela das empresas na renovação de suas frotas aumentaram as dúvidas sobre o ritmo de crescimento da fabricante de carrocerias de ônibus.
Os dados mais recentes do transporte rodoviário mostram que o setor perdeu força em 2025. Mesmo com uma frota envelhecida e teoricamente mais próxima da substituição, as operadoras podem adiar a compra de novos veículos diante da queda das receitas e do aumento dos custos.
Esse cenário ajuda a explicar a postura mais conservadora do BTG Pactual, que mantém recomendação neutra para POMO4, embora ainda trabalhe com preço-alvo de R$ 10 para as ações da Marcopolo.
Transporte rodoviário perde passageiros e receita
O transporte regular interestadual e internacional movimentou aproximadamente 36,75 milhões de passageiros em 2025, queda de 9,6% na comparação com o ano anterior.
O faturamento das empresas também caiu. A receita do segmento recuou de R$ 6,58 bilhões para aproximadamente R$ 6,15 bilhões, redução de 6,6%. Os números indicam que o aumento médio das passagens não foi suficiente para compensar a perda de passageiros.
O relatório estatístico da ANTT mostra ainda um sistema com cerca de 32 mil veículos e mais de 9,6 mil empresas habilitadas, embora somente 7.450 tenham realizado operações durante 2025.
Principais números que afetam a Marcopolo
| Indicador | Resultado | Possível impacto |
|---|---|---|
| Passageiros em 2025 | 36,75 milhões | Menor demanda das operadoras |
| Queda anual de passageiros | 9,6% | Pressão sobre renovação de frota |
| Faturamento do setor | R$ 6,15 bilhões | Orçamentos mais apertados |
| Queda do faturamento | 6,6% | Menor capacidade de investimento |
| Frota autorizada | Cerca de 32 mil veículos | Mercado relevante, mas cauteloso |
| Recomendação do BTG | Neutra | Banco não recomenda compra direta |
| Preço-alvo de POMO4 | R$ 10 | Indica potencial, mas com riscos |
Produção cresce, mas vendas e exportações preocupam
O mercado brasileiro de ônibus apresentou sinais mistos nos primeiros meses de 2026. O roteiro que serviu como base para esta análise aponta que foram produzidas 13.885 unidades entre janeiro e maio, crescimento de aproximadamente 7% sobre o mesmo período de 2025.
Entretanto, os emplacamentos teriam recuado cerca de 16% no acumulado do período. Apenas em maio, foram licenciados aproximadamente 1.600 ônibus, queda de quase 22% sobre abril e de 18% na comparação anual.
As exportações também representam um ponto de atenção. O volume embarcado teria caído aproximadamente 32% entre janeiro e maio, reduzindo uma importante fonte de diversificação das receitas da indústria.
Parte dessa desaceleração está relacionada à forte base de comparação de 2025, quando programas públicos, como o Caminho da Escola, impulsionaram as entregas de veículos.
Frota envelhecida pode sustentar demanda futura
Apesar da conjuntura mais fraca, a idade média dos ônibus brasileiros aumentou nos últimos anos, passando de aproximadamente oito para mais de 11 anos, segundo os dados apresentados no esboço.
Em condições normais, veículos mais antigos deveriam estimular novas compras. O problema é que empresas com receitas menores podem prolongar a utilização da frota atual, adiando encomendas e serviços de renovação.
No médio prazo, entretanto, essa demanda reprimida pode se transformar em um ciclo de substituição, especialmente se houver melhora econômica, redução dos juros, novos programas públicos ou maior oferta de financiamento.
POMO4 ainda pode subir?
O BTG reduziu a recomendação da Marcopolo de compra para neutra em novembro de 2025 e cortou o preço-alvo de R$ 12 para R$ 10. A instituição considerou a possibilidade de crescimento mais moderado e revisões menores para os resultados futuros.
Mesmo assim, o preço-alvo permanece consideravelmente acima das cotações mencionadas no roteiro. Isso não significa que a valorização ocorrerá, pois o desempenho dependerá da recuperação da demanda, das exportações, das margens e da capacidade da empresa de manter receitas crescentes.
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