O Ibovespa encerrou esta quinta-feira em alta de 0,87%, aos 171.990 pontos, impulsionado por uma leitura mais favorável da inflação e pelo aumento das expectativas de novos cortes na taxa Selic. O índice chegou a subir mais de 1,5% durante o pregão, mas perdeu parte do fôlego no período da tarde.
O principal estímulo veio do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, o IPCA-15. A prévia da inflação oficial avançou 0,41% em junho, abaixo da projeção de 0,44% esperada pelo mercado.
Além do resultado menor, investidores avaliaram de forma positiva o comportamento dos núcleos e da inflação de serviços, indicadores acompanhados pelo Banco Central para identificar a persistência da alta dos preços.
Inflação aumenta expectativa de juros menores
O mercado também repercutiu o Relatório de Política Monetária do Banco Central, que projetou inflação de 3,20% no primeiro trimestre de 2028. O dado reforçou a percepção de que a autoridade monetária poderá encontrar espaço para reduzir a Selic nos próximos encontros.
A possibilidade de juros menores favoreceu principalmente bancos, varejistas, construtoras e outras empresas mais dependentes do crédito e da atividade econômica doméstica.
As ações de instituições financeiras estiveram entre as maiores contribuições positivas do Ibovespa. Papéis de empresas ligadas ao consumo e ao setor imobiliário também avançaram diante da expectativa de redução no custo dos financiamentos.
Apesar do cenário mais favorável, os investidores ainda aguardam novos dados de inflação, atividade econômica e emprego antes de consolidar as projeções para a Selic.
Dólar cai com entrada de recursos estrangeiros
O dólar comercial terminou o pregão em queda de aproximadamente 0,46%, negociado perto de R$ 5,17.
O movimento refletiu a entrada de recursos estrangeiros no mercado brasileiro e a melhora da percepção sobre a inflação. A expectativa de juros reais ainda elevados no Brasil também contribuiu para aumentar a procura por ativos nacionais.
A queda da moeda norte-americana ajuda a reduzir pressões sobre produtos importados, combustíveis e matérias-primas, mas o câmbio permanece sujeito às decisões de juros nos Estados Unidos e às tensões geopolíticas.
Petróleo reduz força da Bolsa durante a tarde
O Ibovespa perdeu parte dos ganhos após notícias envolvendo um ataque a um navio com bandeira de Singapura nas proximidades do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
A tensão fez a commodity inverter a queda registrada no início do dia. O petróleo, que chegou a recuar cerca de 2%, encerrou a sessão internacional com valorização superior a 2%, perto de US$ 75 por barril.
A alta reacendeu preocupações sobre os efeitos dos conflitos no Oriente Médio sobre o abastecimento mundial e a inflação. As bolsas de Nova York também reduziram os ganhos, pressionadas por realização de lucros em empresas de tecnologia.
Braskem lidera perdas do Ibovespa
Na ponta negativa, a Braskem registrou a maior queda do dia após protocolar um pedido de tutela cautelar para avançar nas negociações com credores financeiros.
A medida aumentou as preocupações sobre a situação financeira da petroquímica e sobre uma possível reestruturação de suas dívidas. As ações da companhia despencaram e destoaram do desempenho positivo da maior parte do mercado.
Mesmo sem sustentar a máxima do dia, o Ibovespa encerrou o pregão próximo dos 172 mil pontos. A continuidade da alta dependerá da evolução da inflação, das próximas decisões do Banco Central e do comportamento do petróleo diante das tensões internacionais.
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