A Suzano (SUZB3), maior produtora de celulose do mundo, apresentou números relevantes em 2025, mas segue enfrentando um cenário desafiador em 2026 — o que explica a performance mais fraca das ações na Bolsa.
O papel começou o ano na faixa de R$ 51,87 e recuou para cerca de R$ 47, acumulando queda no período . Esse movimento reflete não apenas fatores internos, mas também o ambiente global de commodities.
Resultados de 2025: crescimento com pressão nas margens
A Suzano encerrou 2025 com números sólidos em termos absolutos:
- Receita líquida: +6% no ano
- EBITDA ajustado: R$ 21,7 bilhões
- Lucro líquido: R$ 13,4 bilhões
Apesar disso, a qualidade do resultado mostrou sinais de pressão:
- EBITDA caiu 9% na comparação anual
- Margem recuou para cerca de 43% (-7 p.p.)
O principal motivo foi a combinação de:
- queda no preço médio da celulose
- aumento de custos operacionais
- impacto cambial
4º trimestre de 2025: recuperação parcial, mas ainda frágil
No último trimestre divulgado:
- Lucro líquido: R$ 116 milhões (reversão de prejuízo)
- Receita líquida: R$ 13,1 bilhões (-8% a/a)
- EBITDA: cerca de R$ 5,6 bilhões (-14% a/a)
Apesar da melhora em relação ao prejuízo anterior, o resultado ainda mostra:
crescimento sustentado por volume
mas pressionado por preços e custos
Dívida e alavancagem seguem como ponto de atenção
Um dos principais fatores que ainda limita o potencial da Suzano é o nível de endividamento.
- Dívida líquida: cerca de R$ 69 bilhões
- Alavancagem: 3,2x EBITDA
Mesmo com leve melhora, esse nível ainda é considerado elevado para o setor, o que:
- aumenta despesas financeiras
- reduz o lucro líquido projetado
- limita dividendos mais robustos
Perspectivas para 2026: crescimento com queda no lucro
O consenso do mercado para 2026 aponta um cenário misto:
- Receita: +10%
- EBITDA: +11%
- Lucro líquido: -48%
Ou seja:
a operação deve melhorar
mas o lucro pode cair por causa da dívida e juros
O grande fator: preço da celulose
A Suzano depende diretamente do preço internacional da celulose.
Em 2025:
- volume de vendas subiu
- mas preço médio caiu cerca de 8% em dólar
Para 2026, há sinais de recuperação:
- aumento recente de preços
- demanda mais forte na China
- redução de oferta global
Mas ainda com incerteza.
Eficiência operacional continua sendo diferencial
Mesmo com desafios, a empresa segue forte em eficiência:
- redução de custos de produção
- recorde de vendas
- geração de caixa de R$ 13,9 bilhões
Além disso:
- programa de recompra de ações
- controle de produção (redução de 3,5%) para sustentar preços
Indicadores atuais da Suzano (SUZB3)
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| P/L | 4,2 |
| Dividend Yield | 2,4% |
| Margem EBITDA | 43% |
| EV/EBITDA | ~5,7 |
| Último dividendo | R$ 1,12 por ação |
Por que a ação ainda não reage
Mesmo com fundamentos sólidos, o mercado continua cauteloso com SUZB3 por três motivos principais:
1. Dependência do ciclo de commodities
A celulose ainda está abaixo de picos históricos.
2. Endividamento elevado
Impacta diretamente o lucro líquido.
3. Câmbio menos favorável
Reduz ganhos em reais e pressiona resultados.
Vale a pena investir na Suzano agora?
A Suzano continua sendo uma empresa de alta qualidade, mas o momento exige análise cuidadosa.
Pontos positivos:
- líder global em celulose
- eficiência operacional elevada
- geração consistente de caixa
Pontos de atenção:
- lucro pressionado em 2026
- dívida ainda alta
- forte dependência do preço da commodity
A Suzano (SUZB3) entrega bons resultados operacionais, mas o mercado olha além — e vê um cenário ainda desafiador.
A empresa cresce
mas o lucro enfrenta pressão
Por isso, o comportamento da ação em 2026 reflete mais o futuro esperado do que os resultados passados.
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