Uma nova oferta de CDB 135% do CDI disponível no mercado secundário da XP Investimentos vem chamando a atenção de investidores em busca de rentabilidade elevada na renda fixa. Com retorno bruto superior a 20% ao ano, o produto se destaca em meio ao cenário de juros altos no Brasil. No entanto, o emissor dos títulos o Banco Digimais levanta questionamentos no mercado financeiro.
A promessa de ganhos acima da média vem acompanhada de alertas importantes sobre risco, liquidez e saúde financeira da instituição emissora.
Como funciona o CDB de 135% do CDI
Os títulos são CDBs pós-fixados atrelados ao CDI, negociados no mercado secundário da XP, disponíveis das 10h às 15h.
Primeira oferta:
- Rentabilidade: 135% do CDI
- Prazo: 170 dias (menos de 6 meses)
- Aplicação mínima: R$ 1.647
- Aplicação máxima: R$ 8.217
- Liquidez: Sem liquidez diária
- Cobertura: FGC (até R$ 250 mil por CPF e por instituição)
Segunda oferta:
- Rentabilidade: 135% do CDI
- Prazo: 457 dias (até maio de 2027)
- Aplicação mínima: R$ 1.456
- Aplicação máxima: R$ 168.400
- Liquidez: Sem liquidez diária
- Cobertura: FGC
Considerando o CDI atual em patamar elevado, a rentabilidade pode ultrapassar 20% ao ano bruto. Mesmo após o desconto do Imposto de Renda, o retorno líquido pode superar 16%, o que coloca o produto acima de muitas alternativas tradicionais, como LCIs e LCAs em alguns cenários.
Por que a rentabilidade está tão alta?
Em geral, bancos médios oferecem taxas superiores para captar recursos e compensar o maior risco percebido pelo mercado. Quanto maior o risco da instituição, maior tende a ser a taxa oferecida para atrair investidores.
No caso do Banco Digimais, o mercado acompanha um período de reestruturação interna. Informações públicas indicam que a instituição tentou uma venda estratégica recentemente, mas a operação não avançou. Desde então, o banco passa por ajustes operacionais e financeiros.
Volume elevado no mercado secundário acende sinal de alerta
Um dos pontos que mais chamou atenção de analistas foi a quantidade expressiva de CDBs do Banco Digimais disponíveis para venda no mercado secundário da XP.
Investidores relataram encontrar dezenas e até centenas de títulos sendo ofertados simultaneamente. Esse movimento pode indicar que parte dos investidores está optando por vender antecipadamente suas posições, mesmo com deságio, para reduzir exposição ao risco da instituição.
Esse tipo de comportamento já foi observado em outros episódios envolvendo bancos médios que enfrentaram dificuldades no passado.
O FGC protege totalmente o investidor?
Sim, os CDBs contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira, com limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
Porém, é importante lembrar:
- A cobertura não elimina o risco de atraso no recebimento em caso de intervenção.
- O processo de ressarcimento pode levar semanas.
- Valores acima do limite do FGC não são garantidos.
Por isso, concentração excessiva em uma única instituição, especialmente de maior risco, pode ser perigosa.
Indicadores financeiros não contam toda a história
Embora indicadores como Índice de Basileia e níveis de imobilização possam parecer adequados nos relatórios, especialistas lembram que esses dados isoladamente não garantem solidez total.
Casos anteriores no sistema financeiro brasileiro mostraram que indicadores regulatórios aceitáveis não impediram problemas de liquidez e reestruturações.
Oportunidade ou armadilha?
A grande pergunta que circula entre investidores é: trata-se de uma oportunidade rara ou de uma armadilha com alto risco?
Especialistas reforçam que rentabilidade elevada na renda fixa geralmente vem acompanhada de risco proporcional. O investidor precisa avaliar:
- Sua tolerância ao risco
- O percentual da carteira alocado em bancos médios
- O prazo do investimento
- A necessidade de liquidez
Para investidores conservadores, a recomendação é cautela. Já investidores moderados ou arrojados podem considerar a aplicação, desde que respeitando limites de exposição e o teto do FGC.
Ganância ou estratégia?
O CDB 135% do CDI é, sem dúvida, um dos produtos mais agressivos da renda fixa no momento. A taxa chama atenção e pode parecer irresistível.
Mas, como ensinam os especialistas: rentabilidade fora da curva exige análise redobrada.
Antes de investir, é fundamental estudar a instituição emissora, diversificar aplicações e evitar decisões baseadas apenas no percentual prometido.
No mercado financeiro, disciplina e gestão de risco costumam pesar mais do que promessas de ganhos rápidos.
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