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Início » Últimas Notícias » Banco do Brasil sai do sufoco do agro e dá sinais de virada nos lucros
Dividendos

Banco do Brasil sai do sufoco do agro e dá sinais de virada nos lucros

Após ver o lucro despencar por causa da inadimplência rural, banco usa medida do governo para reduzir riscos, melhorar o balanço e dar sinais de recuperação — mas incertezas seguem no radar.
Mariana DuartePor Mariana Duarte26 de janeiro de 20264 minutos lidos
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Banco do Brasil sai do sufoco do agro e dá sinais de virada nos lucros
Banco do Brasil sai do sufoco do agro e dá sinais de virada nos lucros

O Banco do Brasil, que no pós-pandemia era comparado aos gigantes privados como Itaú, viu sua trajetória mudar drasticamente após um período de resultados considerados históricos. O banco operava com rentabilidade próxima de 20% de ROE, patamar típico dos bancos mais eficientes do país.

Mas a virada começou em 2023, quando um fator específico passou a pressionar fortemente o balanço: inadimplência no agronegócio.

O BB é líder no crédito rural. Quando o setor começou a sofrer com:

  • queda de preços de commodities agrícolas,

  • aumento de custos de produção,

  • problemas climáticos,

  • e endividamento elevado de produtores,

o reflexo veio direto no coração do banco: a carteira de crédito.

 O tombo foi grande: lucro caiu dois terços

No terceiro trimestre do período mais crítico, o Banco do Brasil registrou lucro de cerca de R$ 3 bilhões, muito abaixo dos quase R$ 9 bilhões por trimestre que já havia alcançado em fases anteriores.

O principal vilão foi a PDD (Provisão para Devedores Duvidosos).

 O que é PDD na prática?

É como um colchão de segurança.
Quando o risco de calote aumenta, o banco é obrigado a separar mais dinheiro para cobrir possíveis perdas. Esse valor:

Sai direto do lucro
Reduz a rentabilidade
Pressiona dividendos

Com o agro em dificuldade, esse colchão ficou enorme  e o lucro despencou.

A virada começou com uma medida do governo

O ponto de inflexão foi uma medida provisória que permitiu a renegociação das dívidas do produtor rural por prazos que podem chegar a até 9 anos.

Na superfície, era ajuda ao campo.
Na prática, para o banco, foi uma troca estratégica de riscos.

 O que mudou nas garantias?

Antes, muitos empréstimos tinham como garantia:

  • safra futura

  • maquinário agrícola

Ativos que:
podem perder valor
são difíceis de executar

Com a renegociação, o banco passou a exigir garantias muito mais fortes, como:

Alienação fiduciária da terra (a própria fazenda como garantia)

Isso reduz o risco de perda em caso de calote.

Como isso melhora o lucro do Banco do Brasil?

A melhora vem de dois lados ao mesmo tempo:

Menos despesa com risco

Com garantias melhores, o banco pode reduzir parte da PDD.
Menos provisão = mais lucro contábil.

 Mais receita de juros

Muitos contratos estavam sob regra conhecida como “stop accrual”, em que o banco não podia mais registrar juros como receita por causa do risco.

Com a renegociação, esses contratos voltam a ser considerados “saudáveis”. Resultado:

Os juros voltam a entrar na receita
Lucro recebe um duplo impulso

 Os números já mostram melhora?

O mercado já projeta um lucro perto de R$ 4 bilhões em trimestres mais recentes, acima dos cerca de R$ 3 bilhões do período mais crítico.

Não é uma recuperação em “V”, mas sim uma curva mais parecida com o símbolo da Nike:

Queda forte
Subida gradual e sustentada

A expectativa é que a carteira de crédito problemática vá sendo substituída por novas operações, com critérios mais rígidos.

Enquanto o crédito sofria, outra área segurou o banco

Um ponto central da tese de recuperação é a força da área de serviços do Banco do Brasil.

Ela inclui:

  • gestão de recursos (quase R$ 2 trilhões sob administração)

  • cartões

  • consórcios

  • seguros

  • tarifas bancárias

Essa área:

Tem margens altas
Usa pouco capital
É mais previsível

Funciona como uma âncora de estabilidade quando o crédito entra em crise.

E os dividendos do Banco do Brasil?

Aqui o cenário é mais moderado no curto prazo.

O banco reduziu o payout (percentual do lucro distribuído) de cerca de 45% para 30%.

Com lucros ainda pressionados, o retorno estimado gira perto de 6% ao ano, nível considerado:

 Honesto
 Mas não extraordinário

O grande atrativo está no potencial de crescimento dos dividendos se os lucros voltarem a patamares mais altos nos próximos anos.

O risco que ninguém ignora: política

O Banco do Brasil é controlado pelo governo. E 2026 é ano eleitoral.

Mudanças de governo podem afetar:

  • diretoria

  • estratégia

  • política de dividendos

Esse risco político é um dos principais fatores que fazem parte do debate entre:

Quem vê o pior já para trás
Quem acha a recuperação ainda frágil

Recuperação real ou alívio temporário?

O Banco do Brasil saiu de uma crise severa no crédito rural para um cenário de estabilização, apoiado por:

 melhora nas garantias
redução do risco contábil
força da área de serviços

Mas a trajetória de volta aos lucros históricos é lenta, complexa e cheia de variáveis, incluindo economia, agronegócio e política.

Hoje, o banco não é mais a “máquina de lucro” de antes mas também já não parece estar no fundo do poço.

E é exatamente nesse equilíbrio entre risco e recuperação que o mercado está de olho.

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Mariana Duarte
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Mariana Duarte é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com mais de 10 anos de experiência em redações de portais nacionais e especialização em jornalismo digital. Na A Revista, acompanha economia, empresas, mercados e tecnologia ligada a negócios. Trabalha com linguagem acessível, atribuição de fontes e verificação de dados e documentos.

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