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Início » Últimas Notícias » Oportunidade da década na renda fixa? Entenda por que a marcação a mercado volta ao centro das apostas em 2026
Renda Fixa

Oportunidade da década na renda fixa? Entenda por que a marcação a mercado volta ao centro das apostas em 2026

Com Selic ainda em 15% e expectativa de cortes ao longo do ano, títulos do Tesouro IPCA+ reacendem o debate sobre ganhos expressivos mas riscos fiscais e custo de oportunidade exigem cautela.
Mariana DuartePor Mariana Duarte8 de janeiro de 20264 minutos lidos
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Oportunidade da década na renda fixa? Entenda por que a marcação a mercado volta ao centro das apostas em 2026
Oportunidade da década na renda fixa? Entenda por que a marcação a mercado volta ao centro das apostas em 2026

Você já parou para pensar que pode estar diante de uma das maiores oportunidades de multiplicação de patrimônio da década justamente em um ativo visto como conservador? Em 2026, a renda fixa voltou ao centro das atenções com taxas elevadas e a expectativa de um ciclo de cortes da Selic. A narrativa lembra 2016, quando poucos perceberam que a marcação a mercado poderia gerar ganhos extraordinários em títulos de longo prazo.

Naquele período, o Brasil vivia forte estresse econômico. A Selic estava em 14,25% ao ano, enquanto a inflação (IPCA) havia fechado 2015 em 10,67% o maior nível desde 2002. A poupança rendeu 8,15% e perdeu para a inflação, registrando retorno real negativo. Houve a maior fuga de recursos da história da caderneta, enquanto o PIB despencava 3,8%.

Com a desinflação gradual entre 2017 e 2019, o Banco Central do Brasil iniciou um forte ciclo de queda dos juros, levando a Selic de 14,25% para 4,5%. O resultado foi uma valorização expressiva dos títulos de longo prazo: o Tesouro IPCA+ 2035 saiu de cerca de R$ 660 em 2016 para mais de R$ 2.000 em 2019 alta superior a 210%, impulsionada pela marcação a mercado.

O cenário de 2026: ecos de 2016, mas com diferenças

Agora, em 2026, o contexto volta a parecer familiar. A Selic permanece elevada, em 15% ao ano, enquanto o Boletim Focus projeta inflação em torno de 4,1% ao fim do ano, abrindo espaço para cortes graduais. Títulos de longo prazo voltaram a oferecer taxas reais atrativas: em outubro de 2025, o Tesouro IPCA+ 2040 pagava mais de IPCA + 7,4%.

A próxima reunião do Copom ocorre em 27 e 28 de janeiro, com expectativa majoritária de manutenção da Selic. Para março, as probabilidades de início de queda já ultrapassam 60%. Esse movimento, se confirmado, tende a beneficiar títulos longos via marcação a mercado mas quem espera a Selic cair pode perder boa parte da valorização.

Como funciona a marcação a mercado

A lógica é simples: quando os juros futuros caem, títulos comprados com taxas maiores se tornam mais valiosos. Em 2016, o Tesouro IPCA+ 2035 oferecia IPCA + 7,8%; em 2019, essa taxa caiu para cerca de IPCA + 2,9%. A queda dos juros elevou o preço do título no mercado secundário, gerando ganhos expressivos para quem entrou antes.

Mas a mesma dinâmica funciona ao contrário. Se os juros permanecerem altos ou subirem, o preço dos títulos cai e a volatilidade pode surpreender investidores que acreditam estar em um ativo “sem risco”.

Os quatro fatores que movem a Selic

Especialistas destacam quatro vetores centrais nas decisões do Banco Central:

  1. Inflação esperada: projeções em queda favorecem cortes de juros.

  2. Atividade econômica: sinais de desaceleração do PIB e do IBC-Br aumentam a pressão por estímulos.

  3. Cenário internacional: juros nos EUA influenciam o fluxo de capitais para emergentes.

  4. Situação fiscal: descontrole das contas públicas eleva o prêmio de risco e pode impedir a queda dos juros.

É justamente o quarto ponto que gera maior incerteza em 2026. Uma política fiscal expansionista reduz a eficácia da política monetária e pode forçar juros mais altos por mais tempo ou até novas altas.

Renda fixa ou bolsa? O custo invisível da escolha

Outro alerta importante é o custo de oportunidade. Historicamente, ciclos de queda da Selic que valorizam títulos IPCA+ também impulsionam a bolsa. Em 2016, enquanto o Tesouro IPCA+ disparava, o Ibovespa subiu quase 39% no ano e mais de 230% no ciclo seguinte. Em 2025, o índice avançou mais de 33%, renovando máximas históricas mas com baixa participação do investidor pessoa física, atraído pela renda fixa.

A percepção psicológica pesa: na renda fixa, a alta das taxas “prometidas” mascara a queda de preços; na bolsa, a volatilidade afasta investidores, mesmo quando os retornos esperados sobem.

Então, é mesmo a oportunidade da década?

Sim, a oportunidade existe mas não é um bilhete premiado. Apostar em títulos longos visando marcação a mercado é uma aposta macroeconômica, tão dependente da queda dos juros quanto a bolsa de valores. Concentração excessiva pode gerar frustração se o cenário não se confirmar.

A estratégia mais sólida passa por alocação equilibrada, diversificação por prazos e classes de ativos, e visão de longo prazo. Afinal, não é acertar “o ativo da década” que constrói patrimônio de forma consistente, mas uma carteira bem estruturada que atravessa ciclos econômicos com resiliência.

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Mariana Duarte
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Mariana Duarte é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com mais de 10 anos de experiência em redações de portais nacionais e especialização em jornalismo digital. Na A Revista, acompanha economia, empresas, mercados e tecnologia ligada a negócios. Trabalha com linguagem acessível, atribuição de fontes e verificação de dados e documentos.

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