O que começou como uma revolução bancária baseada na promessa de isenção de taxas e simplicidade, agora se transforma em um alerta para milhões de usuários. Os bancos digitais, que cresceram oferecendo rendimentos acima de 100% do CDI e serviços gratuitos, estão retomando cobranças em contas inativas e reduzindo benefícios que antes atraíam novos clientes.
Nos últimos anos, instituições como Nubank, PicPay, Banco Sofisa e PagBank disputaram clientes oferecendo rentabilidade acima da média e programas de cashback. Contudo, com o aumento dos custos operacionais e da taxa Selic, muitas dessas vantagens foram cortadas — e agora, contas paradas podem gerar prejuízo.
PicPay e PagBank cobram tarifas de inatividade
Entre os exemplos mais citados está o PicPay, que passou a cobrar R$ 20 por mês de clientes que não movimentarem a conta por 360 dias. O valor é descontado por até 12 meses consecutivos, podendo totalizar R$ 240 em perdas. Já o PagBank aplica uma tarifa ainda mais alta: R$ 75 mensais após o mesmo período de inatividade, até que o saldo seja totalmente zerado.
Essas medidas refletem o custo de manutenção das contas para as instituições. Mesmo sem uso ativo, há despesas com servidores, segurança e infraestrutura digital. Por isso, clientes inativos passam a representar custo sem retorno — e acabam penalizados com tarifas.
Rendimento em queda e fim dos benefícios
Além das tarifas, o rendimento das contas digitais também vem caindo. Em 2021, o PicPay chegou a render 210% do CDI. Hoje, o retorno gira em torno de 102%, praticamente o mesmo de um CDB básico. O Nubank, que antes rendia automaticamente 100% do CDI desde o depósito, agora só inicia o rendimento após 30 dias. Já o Banco Sofisa Direto reduziu seus CDBs de 110% para 105% do CDI.
Essas mudanças indicam que o período de “dinheiro fácil” nas fintechs ficou para trás. A estratégia de captar clientes com super rentabilidades e benefícios agressivos deu lugar à busca por sustentabilidade financeira.
O perigo de manter várias contas abertas
Segundo dados do Banco Central, o brasileiro possui, em média, seis contas bancárias. Embora pareça vantajoso manter várias opções, o excesso de contas abertas pode reduzir o limite de crédito disponível. Isso porque, ao analisar o perfil do cliente, as instituições verificam o número de contas com crédito ativo — e consideram o risco de endividamento maior.
Além disso, o acúmulo de cartões e contas pode prejudicar a organização financeira. Pequenas faturas esquecidas ou saldos parados são comuns, levando a cobranças inesperadas ou até à perda de dinheiro por tarifas de inatividade.
Como descobrir e encerrar contas esquecidas
É possível verificar todas as contas bancárias abertas em seu nome no site do Banco Central, através do sistema Registrato. O relatório exibe tanto contas ativas quanto encerradas, com data de abertura e fechamento. Caso sejam identificadas contas desnecessárias, o ideal é solicitar o encerramento diretamente pelo aplicativo ou via atendimento digital, garantindo que nenhum saldo fique retido.
Menos é mais: concentre suas finanças
Especialistas recomendam manter no máximo duas ou três contas ativas, priorizando aquelas com melhor custo-benefício, segurança e estabilidade de serviços. Concentrar operações em poucos bancos facilita o controle financeiro, reduz riscos de cobrança e melhora a análise de crédito para futuros empréstimos e cartões.
Com a nova fase do sistema bancário digital, organização e vigilância se tornaram essenciais. Deixar uma conta parada pode significar perder dinheiro — e, em tempos de tarifas disfarçadas, cada real esquecido pode custar caro.
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