O setor bancário brasileiro atravessa um momento de contrastes. Enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) registrou uma expressiva queda de 60% no lucro no último trimestre, instituições privadas como Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) vêm apresentando recuperação e aumento de rentabilidade. O cenário reflete o impacto dos juros elevados, da desaceleração do crédito e do avanço da inadimplência, fatores que pressionam a margem financeira das instituições.
Apesar do ambiente desafiador, o setor bancário mantém sua resiliência. A estabilidade dos resultados operacionais e o histórico de adaptação às mudanças macroeconômicas reforçam a percepção de que os grandes bancos seguem lucrativos, mesmo diante da deterioração do cenário de crédito.
Banco do Brasil sofre com o agronegócio e pressões políticas
O Banco do Brasil tem sido o destaque negativo entre as grandes instituições financeiras. A forte exposição ao agronegócio, segmento que enfrenta dificuldades após quebras de safra e inadimplência crescente, tem afetado diretamente o desempenho da carteira de crédito do banco. Além disso, o peso estatal gera incertezas entre investidores, principalmente diante de discussões sobre eventuais financiamentos a estatais deficitárias, como os Correios.
Nos últimos 12 meses, as ações do BBAS3 acumulam queda de cerca de 14%, revertendo parte dos ganhos obtidos em 2023. Mesmo com dividendos atrativos — superiores a 8% ao ano —, o banco público vive um período de revisão estratégica e de atenção redobrada à sua exposição setorial.
Itaú se consolida como o banco mais rentável do país
Na contramão do Banco do Brasil, o Itaú Unibanco mantém trajetória de crescimento e eficiência operacional. O lucro do banco cresceu 14% no último resultado anual, e as ações acumulam valorização de mais de 37% em 2025, com rentabilidade superior a 100% nos últimos cinco anos.
O Itaú se destaca pela diversificação de receitas, investimentos em tecnologia, presença internacional e solidez na concessão de crédito. Além disso, segue como um dos principais pagadores de dividendos da bolsa, com yield acima de 7% nos últimos 12 meses, o que o torna uma escolha recorrente entre investidores de longo prazo.
Bradesco mostra recuperação após anos de estagnação
O Bradesco apresenta sinais consistentes de recuperação, após um longo período de lucros pressionados. O banco registrou alta de 28% no lucro do segundo trimestre e tem surpreendido positivamente o mercado. As ações subiram cerca de 60% no ano, impulsionadas pela melhora da eficiência operacional e expansão na área de seguros.
Mesmo ainda distante dos níveis de rentabilidade do Itaú, o Bradesco demonstra um reposicionamento estratégico sólido. Analistas projetam um avanço de até 20% nos lucros futuros, sustentado pela retomada gradual do crédito e controle da inadimplência.
Santander mantém resultados estáveis, mas com crescimento limitado
O Santander Brasil continua entre os grandes players do setor, mas com menor entusiasmo do mercado em relação a seu desempenho recente. Apesar do lucro anual crescer cerca de 9,8%, o banco enfrenta custos elevados de crédito e menor rentabilidade comparativa frente aos concorrentes.
As ações do SANB11 registram alta de 23% no ano, mas acumulam queda nos últimos cinco anos, o que reflete a dificuldade em sustentar margens elevadas no cenário atual. Ainda assim, o banco segue como pagador regular de dividendos, com yield próximo a 6,5% ao ano.
O que esperar dos bancos em 2026
O setor bancário deve continuar enfrentando desafios no curto prazo, especialmente com a Selic elevada e a redução no ritmo de concessões de crédito. A inadimplência tende a seguir pressionando resultados, mas o histórico de adaptação das grandes instituições indica que bancos sempre encontram formas de manter lucros.
A expectativa é de que o Itaú e o Bradesco sigam na liderança em rentabilidade, enquanto o Banco do Brasil busca estabilizar seus resultados com ajustes na carteira agro e maior foco em eficiência. O Santander, por sua vez, deve priorizar crescimento orgânico e controle de custos.
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