As taxas do Tesouro Direto registraram forte queda na última semana de outubro, deixando muitos investidores surpresos e levantando a dúvida: “o melhor momento de compra já passou?”. Segundo análise apresentada no canal Vinvest, o recuo das taxas era esperado diante da redução dos prêmios de risco no mercado, mas a velocidade da correção pegou parte do público de surpresa.
O movimento de desvalorização das taxas ocorreu em praticamente todos os títulos, especialmente nos Tesouros IPCA+ 2029 e 2050, além dos prefixados 2032. Com a melhora no ambiente de risco e expectativa de cortes futuros na Selic, os rendimentos caíram de forma expressiva — um sinal de valorização dos papéis já emitidos.
Tesouro IPCA+ 2029: taxa cai, mas ainda é atrativa
O Tesouro IPCA+ 2029 despencou de 8,08% para 7,96% ao ano, segundo dados do painel do Tesouro Direto. Mesmo com a queda, o rendimento continua acima da média histórica.
O gráfico mostra que poucas vezes o título superou a marca de 8%, o que reforça que a taxa atual ainda é considerada boa.
Ao multiplicar o rendimento real (7,96%) pela expectativa de inflação anual de 4,5%, a rentabilidade nominal estimada fica em torno de 12,8% ao ano — uma performance consistente mesmo com cenário de queda de juros.
Para quem busca proteção contra a inflação com bom retorno real, o IPCA+ 2029 segue competitivo.
Tesouro IPCA+ 2050: queda mais acentuada e foco no longo prazo
O Tesouro IPCA+ 2050 teve uma das maiores quedas, passando de 7,16% para 6,96%, voltando ao patamar abaixo de 7% após meses de estabilidade.
O título, voltado a investidores de longo prazo, segue historicamente atrativo: taxas próximas a 7% são consideradas excelentes para quem pensa em aposentadoria ou rentabilidade acima da inflação em horizontes superiores a 20 anos.
Contudo, o analista do canal alerta que o melhor momento — quando a taxa superava 7,5% — já passou. Ainda assim, a marcação a mercado continua favorável, o que pode gerar ganhos expressivos se as taxas seguirem em queda.
Tesouro Prefixado 2032: tendência de queda continua
Entre os títulos prefixados, o destaque é o Tesouro Prefixado 2032, que chegou a 13,94% no pico, mas já mostra tendência clara de queda.
As expectativas de novas reduções da Selic pressionam as taxas futuras, fazendo o título se valorizar no curto prazo.
O gráfico dos juros futuros revela que há uma resistência técnica em torno de 13,90%, que foi rompida recentemente, abrindo espaço para o título testar a faixa de 13,35% a 13,40%.
A recomendação é acompanhar o movimento, pois o prefixado ainda oferece potencial de valorização para quem busca ganhos com marcação a mercado.
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2035: foco em renda recorrente
O título Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2035 também viu sua taxa cair, de 7,74% para 7,53%, refletindo o mesmo movimento de compressão de prêmios.
Apesar disso, ele segue interessante para quem deseja receber rendimentos periódicos, já que paga juros a cada seis meses.
Historicamente, esse papel raramente ultrapassou 8% de taxa real. Hoje, está sendo negociado a R$ 4.241, bem acima dos R$ 3.900 observados em janeiro, o que mostra valorização constante ao longo do ano.
Tesouro Renda+ 2065: volatilidade e chance de lucros com marcação a mercado
Por fim, o Tesouro Renda+ 2065 foi o mais volátil entre os títulos públicos. Sua taxa caiu de 7,17% para 6,92%, o menor patamar em 90 dias.
Com isso, o preço do papel disparou de R$ 162 para R$ 186, mostrando o impacto direto das oscilações de taxa no valor de mercado.
Esse título é apontado como um dos melhores para marcação a mercado, por permitir lucros expressivos quando as taxas de juros caem — embora também exija maior tolerância ao risco e visão de longo prazo.
Queda nas taxas exige estratégia
A forte queda das taxas no Tesouro Direto indica um cenário de menor aversão ao risco e expectativa de juros mais baixos no futuro.
Embora o “melhor momento” de compra já tenha ficado para trás, ainda há oportunidades, principalmente para quem pensa no longo prazo e entende a dinâmica da marcação a mercado.
Os investidores devem avaliar o perfil de risco, prazo e objetivo financeiro antes de escolher entre os títulos IPCA+, prefixados ou com juros semestrais.
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