Depois do colapso contábil que abalou o mercado em 2023 e levou a empresa à recuperação judicial, Americanas (AMER3) volta a ganhar atenção com novos sinais de recuperação em seus indicadores financeiros. Um estudo técnico aponta que, sem o agrupamento de ações de 100 para 1 realizado em 2025, os principais múltiplos, como LPA (Lucro por Ação) e VPA (Valor Patrimonial por Ação), voltaram a registrar valores positivos — algo inédito desde 2018.
Com base na cotação atual e no índice projetado, o modelo indica potencial de valorização de até 488%, considerando a retomada operacional e a redução das perdas contábeis. Ainda assim, os analistas ressaltam que o ativo segue de alto risco, com base em fundamentos frágeis e dependente de uma normalização completa do setor varejista e da confiança do mercado.
Indicadores técnicos e ajuste contábil pós-agrupamento
Com o agrupamento de 100 ações por 1, os indicadores foram recalculados:
LPA ajustado: 0,45 (sem o agrupamento)
VPA: 0,21
Índice CMS: 0,05
Preço médio atual (ajustado): R$ 0,05
O agrupamento, segundo especialistas, é uma prática comum em empresas que enfrentaram forte desvalorização, com o objetivo de reorganizar a base acionária e melhorar a atratividade do papel na Bolsa. Nesse caso, também foram ajustados os indicadores de preço/lucro (P/L) e preço/valor patrimonial (P/VP), que passaram a mostrar que a ação está “de graça” — ou seja, sendo negociada a múltiplos muito abaixo do valor contábil.
Perspectiva: juros em queda podem impulsionar a virada
O fator que pode dar força à reviravolta da Americanas é o ciclo de queda da taxa Selic, previsto para se intensificar até o fim de 2025. Com juros menores, o custo de capital das empresas tende a cair, facilitando renegociações de dívidas e estimulando o consumo.
Para companhias em recuperação judicial como a Americanas, isso significa redução de despesas financeiras e possibilidade de ampliar margens operacionais, especialmente se houver controle de custos e retomada de confiança dos fornecedores e investidores.
Mesmo assim, o cenário é considerado especulativo. A ação continua classificada como ativo de risco elevado, recomendada apenas para quem busca operações táticas ou exposição mínima, diante da incerteza sobre a execução do plano de reestruturação e o futuro do varejo físico no país.
Ação barata, mas com alto risco
A AMER3 está sendo negociada em níveis que, na teoria fundamentalista, indicam forte desconto. Porém, os riscos de governança, o endividamento ainda alto e a necessidade de reconstrução da confiança do mercado impedem uma recuperação plena a curto prazo.
O consenso é que a ação pode multiplicar o patrimônio de quem entrar no ponto certo — ou ampliar as perdas de quem subestimar a volatilidade. Em outras palavras, é uma aposta de risco, mas com potencial de explosão caso a empresa confirme a retomada operacional e o ambiente macroeconômico ajude.
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