O levantamento feito com base em dados do Traders Club (TC) mostra que o mercado de aluguel de ações segue em alta na B3, com algumas empresas tendo mais de 100% do free float alugado — um indício de forte pressão vendedora. O vídeo de André Cadore, do canal About Money, destacou o Top 10 das ações mais alugadas, e o ranking revela muito sobre a confiança (ou falta dela) dos investidores nesses papéis.
O aluguel de ações é uma operação comum entre investidores que apostam na queda de determinado ativo. O dono das ações (doador) as empresta em troca de uma taxa, enquanto o tomador vende o papel esperando recomprá-lo mais barato — estratégia conhecida como “short”.
1º lugar: Gol (GOLL4) — 142,46% do free float alugado
A Gol Linhas Aéreas lidera o ranking com folga, atingindo um nível impressionante de 142% do free float alugado, resultado da alta especulação e da situação financeira delicada da companhia. A empresa acumula prejuízo superior a R$ 6 bilhões, opera com PL negativo e não distribui dividendos. O mercado vê a Gol como um dos ativos mais arriscados da Bolsa neste momento.
2º lugar: PDG Realty (PDGR3) — 53,75%
A incorporadora, que já protagonizou uma das maiores quedas da história da B3, também figura entre as mais alugadas. As ações valem R$ 0,01, classificadas como penny stock, e a companhia ainda registra prejuízo de R$ 476 milhões. Analistas apontam risco de novos grupamentos e reestruturações.
3º lugar: Pão de Açúcar (PCAR3) — 41,04%
A varejista atravessa um momento difícil após sucessivas quedas nas vendas e prejuízo acumulado de R$ 1,7 bilhão. O PL negativo e o yield zerado refletem a baixa atratividade do papel, que segue pressionado por posições vendidas.
4º lugar: Vamos (VAMO3) — 39,21%
Apesar dos resultados operacionais positivos, a empresa de locação de caminhões e máquinas acumula queda de 53% desde o IPO em 2021. Com PL de 5,7x e dividend yield de 9%, o papel está travado nas mínimas históricas, e o alto volume de aluguel ajuda a explicar a falta de reação nas cotações.
5º lugar: SLC Agrícola (SLCE3) — 36,93%
A produtora agrícola mantém 18 anos de dividendos consecutivos, PL de 11x e yield de 3,5%, mas ainda assim aparece na lista. O motivo é a baixa volatilidade e a grande procura para operações de hedge, já que é uma ação usada para proteger posições no setor agro.
6º lugar: Auren Energia (AURE3) — 32,05%
Mesmo atuando no setor de energia renovável, a Auren apresenta prejuízo acumulado de R$ 580 milhões e yield de 0,5%. O desempenho financeiro fraco e o alto volume de ações alugadas indicam desconfiança do mercado quanto à capacidade de geração de lucros.
7º lugar: Banco do Brasil (BBAS3) — 29,35%
O Banco do Brasil aparece na lista, apesar do forte histórico de lucros e dividendos — R$ 28 bilhões de lucro líquido e yield de 11,7%. O grande volume de aluguel pode estar ligado a estratégias de hedge e operações de arbitragem, além da volatilidade política que envolve bancos públicos.
8º lugar: Simpar (SIMH3) — 29,23%
A holding, dona da JSL e Movida, vive pressão de endividamento elevado e queima de caixa, o que a torna alvo de investidores vendidos. Apesar da recompra de ações e expectativa de melhora operacional, o PL negativo (-9,5x) e o yield de 1,7% afastam os mais conservadores.
9º lugar: Raízen (RAIZ4) — 29,15%
A gigante do setor de energia, parceira da Shell, amarga uma queda de 85% desde o IPO e resultados abaixo do esperado. Com prejuízo bilionário e PL negativo, o papel segue travado, com 29% do free float alugado — sinal de descrença no curto prazo.
10º lugar: Direcional Engenharia (DIRR3) — 28,76%
A construtora, focada em habitação popular, se destaca por fundamentos sólidos: lucro de R$ 800 milhões, PL de 11x e yield de 12,9%. Ainda assim, está entre as mais alugadas, possivelmente por causa de operações táticas e revisões negativas nas estimativas de crescimento.
Por que o alto aluguel trava as ações?
Quando o volume de ações alugadas é elevado, há uma pressão vendedora constante no mercado, o que tende a segurar os preços — mesmo quando os fundamentos são positivos. Empresas como Vamos, Banco do Brasil e SLC Agrícola ilustram bem esse paradoxo: bons resultados, mas ações “travadas” por operações de short.
Além disso, o aluguel elevado reflete o sentimento de curto prazo do mercado: quanto maior o aluguel, maior a expectativa de queda ou incerteza em torno do ativo.
O ranking das 10 ações mais alugadas da Bolsa em 2025 mostra um retrato fiel do momento atual do mercado: alta volatilidade, seletividade dos investidores e busca por proteção. Enquanto algumas empresas sofrem por fundamentos, outras são apenas vítimas das estratégias especulativas que dominam o pregão.
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