Nos últimos dias, o mercado financeiro brasileiro foi abalado por uma notícia alarmante: investidores tiveram perdas que chegaram a 93% do valor aplicado em COEs (Certificados de Operações Estruturadas) — produtos vendidos por bancos e corretoras como opções “seguras e inteligentes” para quem buscava rentabilidade maior sem os riscos da bolsa.
A promessa era tentadora: unir o melhor dos dois mundos — a segurança da renda fixa com o potencial de ganho da renda variável. No entanto, a realidade mostrou um cenário de altos riscos, pouca transparência e conflitos de interesse, deixando milhares de pessoas frustradas e com prejuízos expressivos.
O que são COEs e por que tanta gente perdeu dinheiro
O COE é um produto financeiro estruturado que combina diferentes ativos — como ações, moedas, índices e taxas de juros — dentro de uma única aplicação. Muitos foram comercializados com o chamado “capital protegido”, que teoricamente garantia a devolução do valor investido, mesmo que a rentabilidade fosse negativa.
Na prática, essa proteção dependia de condições contratuais complexas e, sobretudo, da solidez financeira dos emissores dos ativos subjacentes (as empresas que emitiam os títulos que serviam de base ao COE). Quando essas companhias enfrentam crises ou perdem credibilidade no mercado, o preço desses títulos despenca — e, com ele, o valor dos COEs.
Foi o que ocorreu recentemente: as emissoras de alguns títulos usados como base para os COEs enfrentaram incertezas financeiras, o que derrubou o valor de mercado dos papéis e acionou gatilhos automáticos de liquidação antecipada. O resultado foi devastador — investidores receberam entre 26% e 37% do valor investido, dependendo da estrutura do produto.
“Seguro” apenas no discurso: o risco escondido nos COEs
Um dos aspectos mais graves é que os COEs não contam com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e não possuem liquidez antes do vencimento. Ou seja, o investidor não pode resgatar o dinheiro antes do prazo, mesmo em caso de perdas.
Além disso, a linguagem técnica dos contratos e prospectos — muitas vezes com dezenas de páginas repletas de fórmulas e termos financeiros — torna o entendimento praticamente impossível para o investidor médio. Mesmo com a informação disponível, ela é inacessível para quem não domina o jargão do mercado.
Ainda assim, muitos assessores e instituições venderam os COEs como produtos “seguros”, o que gerou um desequilíbrio enorme entre quem vende e quem compra — um cenário perfeito para o surgimento de conflitos de interesse.
O problema do conflito de interesses
Grande parte das instituições financeiras e assessores recebem comissões pelas vendas de produtos, e os COEs pagam comissões particularmente altas. Isso cria um incentivo perverso: quanto mais COEs são vendidos, maior o lucro de quem vende, independentemente do resultado para o cliente.
Assim, o foco deixa de ser o que é melhor para o investidor e passa a ser o que gera mais receita para o intermediário. O cliente, acreditando estar recebendo uma recomendação personalizada, é direcionado para produtos complexos e arriscados, sem entender totalmente os riscos envolvidos.
As lições deixadas pelo colapso dos COEs
O episódio recente das perdas em COEs deixa lições valiosas para quem investe:
Nunca invista em algo que você não entende completamente. Produtos com aparência de “seguros” podem esconder riscos elevados.
Verifique como o seu assessor é remunerado. Se ele ganha comissão pelas vendas, os interesses podem não estar alinhados aos seus.
Desconfie de promessas de alta rentabilidade com baixo risco. No mercado financeiro, rentabilidade e risco sempre andam juntos.
Como alertava Warren Buffett, “nunca invista em algo que você não entende”. E essa frase nunca foi tão atual.
O modelo cooperativo como alternativa ética
Enquanto o caso dos COEs expõe as falhas do sistema financeiro tradicional, modelos cooperativos como o da Unicred vêm se destacando por priorizar a transparência e o alinhamento de interesses.
Com mais de 36 anos de história, a Unicred oferece aos cooperados acesso à plataforma ZM, que reúne investimentos em renda fixa, variável e multimercado, com foco em orientações éticas e personalizadas. Diferente de bancos e corretoras, o cooperado é dono do negócio, participa dos resultados e conta com assessoria sem conflito de interesse.
É um modelo que resgata o essencial: o investidor no centro das decisões.
Transparência é o novo diferencial
O colapso dos COEs mostra que não basta escolher o produto certo — é preciso escolher a instituição certa. Em um mercado repleto de promessas fáceis, a transparência, ética e educação financeira se tornaram os verdadeiros diferenciais.
A lição é clara: antes de investir, entenda o risco, avalie quem te orienta e desconfie do “rendimento garantido”. No fim, proteger seu patrimônio depende mais da clareza das informações do que das promessas de retorno.
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