A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) deu uma das declarações mais fortes de sua trajetória política ao afirmar que está pronta para assumir uma candidatura em 2026, caso seja a vontade de Deus. A fala foi publicada em entrevista ao jornal britânico The Telegraph e rapidamente repercutiu no Brasil, especialmente entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em tom enfático, Michelle declarou:
“Vou me erguer como uma leoa para defender nossos valores conservadores, a verdade e a justiça. Se, para cumprir a vontade de Deus, for necessário assumir uma candidatura política, estarei pronta para o que Ele me pedir.”
A frase reforça a percepção de que o nome da ex-primeira-dama pode se consolidar como alternativa eleitoral da direita diante das dificuldades jurídicas enfrentadas por Jair Bolsonaro.
Possíveis cargos em disputa
Embora Michelle não tenha confirmado qual cargo poderia disputar, nos bastidores políticos seu nome já é ventilado para duas possibilidades:
Senado pelo Distrito Federal, ampliando sua influência nacional;
Presidência da República, em um movimento ousado que colocaria a ex-primeira-dama diretamente na linha de frente contra o presidente Lula em 2026.
O Partido Liberal (PL), legenda que abriga Jair Bolsonaro, acompanha de perto a movimentação e vê na ex-primeira-dama uma candidata capaz de mobilizar o eleitorado conservador, em especial o público feminino e religioso.
Defesa de Jair Bolsonaro
Durante a entrevista, Michelle também saiu em defesa do marido, afirmando que Jair Bolsonaro é vítima de uma “farsa judicial” e de uma “perseguição covarde”. A fala ecoa o discurso dos aliados do ex-presidente, que enfrenta condenações na Justiça Eleitoral e risco de inelegibilidade até 2030.
Para Michelle, o ex-presidente sofre retaliações políticas e está sendo impedido de participar ativamente do processo democrático:
“Bolsonaro não cometeu crime. Ele está sendo atacado por defender o povo brasileiro e lutar contra um sistema injusto.”
Críticas a Lula e Alexandre de Moraes
Além da defesa do marido, Michelle Bolsonaro mirou suas críticas em duas figuras centrais do cenário político:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem responsabilizou por contribuir com as sanções internacionais impostas ao Brasil;
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, apontado por ela como um dos principais responsáveis pelo que chama de perseguição à direita.
Essas falas reforçam sua aproximação com a narrativa bolsonarista, que tem no STF um dos principais alvos de críticas desde os atos de 8 de janeiro de 2023.
O papel da fé em sua decisão
Michelle ressaltou que sua possível candidatura está vinculada à fé:
“Se for a vontade de Deus, estarei pronta.”
A religiosidade é uma das marcas de sua atuação pública e também do Instituto Michelle Bolsonaro (IMB), voltado para ações sociais e de inclusão. A ex-primeira-dama tem forte apelo junto ao eleitorado evangélico, segmento que foi decisivo nas eleições de 2018 e 2022.
Impacto político da declaração
A sinalização de Michelle Bolsonaro tem potencial de reorganizar a direita brasileira para 2026. Entre os impactos imediatos, destacam-se:
Reforço do protagonismo feminino no campo conservador;
Possível transferência de capital político de Jair Bolsonaro para Michelle;
Pressão sobre o PL e aliados para definir, já em 2025, qual será a estratégia eleitoral.
Caso avance como candidata, Michelle pode atrair não apenas a base fiel bolsonarista, mas também eleitores que rejeitam Lula e buscam uma nova liderança no campo conservador.
O pleito de 2026 se desenha como um dos mais polarizados da história recente do Brasil. De um lado, o PT deve trabalhar pela reeleição de Lula ou pela candidatura de um nome indicado diretamente pelo presidente. Do outro, a direita ainda busca um representante viável para manter o espaço conquistado nas últimas eleições.
Se confirmada, a candidatura de Michelle Bolsonaro poderá reproduzir a disputa ideológica entre lulismo e bolsonarismo, agora com um novo rosto no comando da oposição.
A fala de Michelle Bolsonaro marca uma virada em sua trajetória pública. De figura discreta no início do governo, ela passou a ser protagonista na defesa de Jair Bolsonaro e agora assume o discurso de estar preparada para concorrer.
Seja ao Senado ou até à Presidência, a ex-primeira-dama entra no radar como uma peça-chave da direita brasileira em 2026, podendo se tornar a principal voz conservadora em um cenário onde o ex-presidente enfrenta restrições jurídicas.
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