As novas regras, que entraram em vigor em 19 de agosto de 2026, não se limitam aos estudantes. Professores, funcionários e até pacientes atendidos na unidade também estão incluídos nas orientações.

A medida foi aprovada pela Congregação da Faculdade de Odontologia, mas começou a gerar controvérsia depois que um comunicado circulou entre alunos em grupos de mensagens.

Para parte dos estudantes, a decisão representa uma interferência na liberdade individual e atinge especialmente as mulheres. A direção da faculdade, por outro lado, afirma que as restrições estão relacionadas à biossegurança, à proteção das pessoas e à segurança do ambiente universitário.

Quais roupas foram proibidas na Faculdade de Odontologia da UFBA?

O novo código estabelece restrições ao uso de croppeds, minissaias, shorts considerados curtos, roupas com decotes acentuados e bonés nas dependências da unidade acadêmica.

As orientações abrangem ambientes de ensino e espaços de atendimento odontológico, incluindo a circulação de pessoas pela faculdade.

A justificativa apresentada pela instituição é manter condições adequadas às atividades acadêmicas e assistenciais realizadas no local.

O alcance das regras, entretanto, tornou-se um dos principais motivos de insatisfação. Isso porque as restrições não estão limitadas aos procedimentos clínicos, nos quais já existem exigências específicas de proteção.

Estudantes questionam a necessidade de controlar determinadas peças de roupa também nos ambientes de convivência e circulação.

Estudantes criticam decisão e apontam tratamento desigual

A repercussão ganhou força depois que o comunicado foi compartilhado em um grupo de estudantes.

Uma aluna que preferiu não se identificar classificou a decisão como arcaica, machista e opressora. Na avaliação dela, as restrições recaem principalmente sobre peças tradicionalmente associadas ao vestuário feminino.

A crítica também levanta uma discussão mais ampla: até que ponto uma instituição de ensino superior pode estabelecer padrões de apresentação pessoal sem interferir na autonomia dos estudantes?

Embora ambientes de atendimento em saúde exijam cuidados específicos, parte dos alunos considera que as orientações deveriam distinguir situações de risco sanitário das atividades acadêmicas comuns.

A controvérsia ocorre em uma universidade pública que recebe diariamente estudantes, trabalhadores e pacientes com diferentes perfis sociais.

Direção da UFBA diz que objetivo é proteger estudantes e pacientes

O diretor da Faculdade de Odontologia, Marcel Arriaga, defendeu a medida e negou que o código tenha caráter moralizador.

Segundo ele, a instituição funciona em um ambiente com riscos de contaminação, o que exige cuidados relacionados à exposição do corpo e às condições de atendimento.

Arriaga também afirmou que a proposta foi discutida por uma congregação com ampla participação feminina, ressaltando que a decisão não foi tomada exclusivamente por homens.

Outro argumento apresentado pela direção envolve a prevenção de situações de assédio ou constrangimento durante os atendimentos odontológicos.

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A justificativa, no entanto, é um dos pontos que alimentam o debate. A preocupação com a segurança não elimina os questionamentos dos estudantes sobre a proporcionalidade das restrições adotadas.

Por que até o uso de boné foi restringido?

A proibição dos bonés possui uma justificativa diferente daquela apresentada para roupas curtas e decotadas.

De acordo com Marcel Arriaga, a medida está relacionada à segurança patrimonial e à identificação de pessoas que circulam pela faculdade.

O diretor relatou que a unidade já enfrentou situações de furto e afirmou que acessórios capazes de dificultar a visualização do rosto podem comprometer a identificação de suspeitos pelas câmeras de segurança.

A restrição, portanto, não estaria diretamente associada à biossegurança odontológica, mas à tentativa de melhorar o controle e a identificação de pessoas nas dependências da instituição.

Pacientes podem perder atendimento por causa da roupa?

A inclusão dos pacientes entre as pessoas abrangidas pelo código também levantou questionamentos.

A Faculdade de Odontologia presta serviços assistenciais à população, e a possibilidade de impor condições de vestimenta para receber atendimento despertou preocupação.

A direção, entretanto, afirmou que pacientes em situações de emergência continuarão sendo atendidos independentemente das roupas utilizadas.

Para os atendimentos programados, a orientação é que os pacientes compareçam com vestimentas consideradas adequadas às atividades clínicas.

A instituição também informou que não pretende aplicar punições aos estudantes pelo descumprimento do código.

Faculdade pode determinar como os alunos devem se vestir?

A discussão ultrapassa a escolha de roupas e envolve os limites da autonomia administrativa das universidades.

Instituições de ensino superior podem estabelecer normas internas de funcionamento, especialmente quando existem necessidades de segurança, higiene e proteção à saúde.

Isso, porém, não significa que qualquer restrição de vestuário seja automaticamente válida. As regras precisam respeitar direitos fundamentais, critérios de razoabilidade e a finalidade das atividades desenvolvidas.

Em cursos da área da saúde, exigências relacionadas a equipamentos de proteção individual, calçados e vestimentas apropriadas são comuns em laboratórios e ambientes clínicos.

A controvérsia na Faculdade de Odontologia da UFBA surge justamente porque o código alcança também espaços acadêmicos que não são utilizados exclusivamente para procedimentos odontológicos.

De um lado, a direção sustenta que as orientações ajudam a proteger estudantes, profissionais e pacientes. Do outro, alunos questionam se a medida ultrapassa os limites necessários à segurança.

O episódio reacendeu em Salvador o debate sobre liberdade individual, convivência universitária e a diferença entre exigências técnicas de proteção e regras gerais sobre aparência pessoal.