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Rende mais que o Tesouro Selic, mas o risco assusta

nvestimento isento de Imposto de Renda pode render mais que Tesouro Selic e “cofrinhos” de bancos, mas cenário do BRB coloca segurança no centro da decisão.
André CarvalhoPor André Carvalho25 de maio de 20267 minutos lidos
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Rende mais que o Tesouro Selic, mas o risco assusta

Com a Selic ainda em patamar elevado, produtos de renda fixa voltaram a atrair a atenção de investidores que buscam retorno maior sem entrar na volatilidade da Bolsa. Entre as opções que mais chamam atenção está a LCI de 100% do CDI, um título isento de Imposto de Renda para pessoa física e que, em muitos casos, pode entregar rentabilidade líquida superior à de CDBs, caixinhas digitais e aplicações atreladas ao Tesouro Selic.

A atratividade é simples de entender: enquanto um CDB de 100% do CDI sofre incidência de Imposto de Renda pela tabela regressiva, a LCI não paga IR para pessoa física. Por isso, uma LCI pagando 100% do CDI pode ter rendimento equivalente ao de um CDB que paga algo próximo de 120% a 125% do CDI, dependendo do prazo e da alíquota de imposto aplicada.

Mas o ponto central não está apenas no rendimento. O que chama atenção é o emissor. A LCI citada no levantamento aparece vinculada ao Banco de Brasília, o BRB, instituição que passou a ser observada com mais cautela pelo mercado após atrasos na divulgação de balanços e medidas para reforço de capital. A Agência Brasil informou que o banco tinha prazo para divulgar o balanço de 2025 e poderia sofrer sanções em caso de descumprimento; a Reuters também noticiou, em abril de 2026, a aprovação de aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões para fortalecer a estrutura financeira do BRB.

Quanto renderia R$ 1.000 e R$ 10.000?

A simulação apresentada no esboço compara uma LCI de 100% do CDI com opções mais conservadoras, como Tesouro Selic, Tesouro Reserva e aplicações de liquidez diária que rendem 100% do CDI.

Considerando um CDI próximo de 14,40% ao ano, dado divulgado pela B3 em maio de 2026, uma LCI isenta de IR pode entregar um rendimento líquido superior ao de aplicações tributadas.

InvestimentoValor aplicadoRentabilidade estimada em 12 mesesRendimento aproximado
LCI 100% do CDIR$ 1.000Isenta de IRR$ 144
CDB/Cofrinho 100% do CDIR$ 1.000Com IRR$ 115
Tesouro Selic/Tesouro ReservaR$ 1.000Com IR e regras de custódiacerca de R$ 115
LCI 100% do CDIR$ 10.000Isenta de IRR$ 1.440
CDB/Cofrinho 100% do CDIR$ 10.000Com IRR$ 1.152
Tesouro Selic/Tesouro ReservaR$ 10.000Com IRcerca de R$ 1.150

A diferença, na prática, existe. Em R$ 1.000, a vantagem da LCI seria de aproximadamente R$ 29 a R$ 30 em um ano. Em R$ 10.000, a diferença poderia chegar perto de R$ 288 no período.

Por que a LCI rende mais na comparação?

A principal vantagem da LCI é a isenção de Imposto de Renda para pessoa física. Isso significa que a rentabilidade anunciada é mais próxima do que o investidor realmente recebe no vencimento.

No caso de CDBs e Tesouro Selic, há cobrança de IR sobre os rendimentos, conforme o prazo da aplicação. Além disso, o Tesouro Direto cobra taxa de custódia da B3, embora o Tesouro Selic tenha isenção dessa taxa para valores de até R$ 10 mil por CPF; acima desse limite, a cobrança incide apenas sobre o excedente.

ProdutoTem IR?Tem FGC?LiquidezPrincipal ponto de atenção
LCINão para pessoa físicaSim, dentro dos limitesGeralmente só no vencimentoRisco do banco emissor
CDBSimSim, dentro dos limitesPode ter liquidez diária ou vencimentoTaxa oferecida e emissor
Tesouro SelicSimNão usa FGCAlta liquidezMarcação a mercado baixa, mas existe
Cofrinhos/caixinhas 100% CDISim, em geralDepende do produtoNormalmente diáriaTipo de lastro e instituição

O FGC protege, mas não elimina todos os riscos

Um dos argumentos mais usados para defender LCIs, LCAs e CDBs de bancos menores ou médios é a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC. De fato, o FGC cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro, com limite global de R$ 1 milhão a cada período de quatro anos.

No entanto, essa proteção não significa que o investimento seja igual ao Tesouro Selic em segurança e liquidez. Em caso de intervenção ou liquidação de uma instituição, o investidor pode ter de esperar o processo de pagamento da garantia, ficar sem acesso imediato ao dinheiro e deixar de receber rendimento durante parte do período.

Ou seja: o FGC reduz o risco de perda dentro dos limites de cobertura, mas não transforma todo título privado em uma aplicação sem risco.

O caso BRB aumenta a cautela

O alerta em torno da LCI de 100% do CDI não está apenas na taxa elevada, mas no contexto do emissor. O BRB passou a ser acompanhado com atenção após atrasos na divulgação de demonstrações financeiras, questionamentos sobre capital e operações ligadas ao Banco Master.

Segundo a Agência Brasil, o atraso na apresentação dos resultados elevou a desconfiança de investidores e poderia afetar a liquidez do banco. A reportagem também citou medidas avaliadas para recomposição de capital. Já a Reuters informou que acionistas do BRB aprovaram aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões em abril de 2026, em uma tentativa de fortalecer a instituição após operações envolvendo o Banco Master.

Esse tipo de cenário ajuda a explicar por que alguns títulos aparecem com taxas mais agressivas. Em renda fixa, retornos acima da média costumam vir acompanhados de algum fator de risco maior: prazo mais longo, menor liquidez, necessidade de captação da instituição ou percepção de crédito mais sensível.

LCI de 100% do CDI vale a pena?

A resposta depende do perfil do investidor, do valor aplicado, do prazo e da tolerância a risco. Para quem busca apenas o maior retorno líquido, uma LCI de 100% do CDI pode parecer muito competitiva. Mas para quem está formando reserva de emergência ou não quer lidar com risco de emissor, Tesouro Selic e produtos de grandes bancos podem oferecer mais previsibilidade.

Em outras palavras, a pergunta não deve ser apenas “quanto rende?”. O investidor também precisa perguntar:

  • Quem é o emissor do título?
  • O dinheiro ficará preso até o vencimento?
  • O valor está dentro do limite do FGC?
  • O banco pertence a algum conglomerado com outros investimentos do mesmo CPF?
  • A diferença de rendimento compensa a perda de liquidez?
  • A aplicação é para reserva de emergência ou para um objetivo de prazo definido?

Quando a taxa alta pode ser um sinal de alerta

Taxas muito acima da média podem ser oportunidades, mas também podem indicar que a instituição precisa captar dinheiro oferecendo remuneração maior. Isso não significa, automaticamente, que haverá calote. Porém, significa que o investidor deve fazer uma análise mais cuidadosa.

No caso de títulos privados, especialmente CDBs, LCIs e LCAs, a rentabilidade não deve ser avaliada sozinha. O emissor, o rating, a liquidez, o prazo e a concentração do patrimônio são fatores decisivos.

Para reserva de emergência, segurança pesa mais que rentabilidade

A comparação mostra que a LCI pode render mais. Mas, para reserva de emergência, o critério mais importante costuma ser outro: acesso rápido ao dinheiro com o menor risco possível.

Por isso, muitos investidores preferem Tesouro Selic, fundos DI simples de baixo custo ou CDBs de liquidez diária emitidos por bancos grandes, mesmo que a rentabilidade líquida seja menor. A diferença de R$ 30 em R$ 1.000 ou de cerca de R$ 288 em R$ 10.000 pode não compensar a preocupação adicional para quem busca tranquilidade.

Conclusão

A LCI de 100% do CDI chama atenção porque combina rentabilidade alta e isenção de Imposto de Renda. Na simulação, ela supera alternativas como CDBs de 100% do CDI, cofrinhos digitais e Tesouro Selic em retorno líquido.

Mas o caso mostra uma lição importante para o investidor: em renda fixa, não existe apenas o rendimento. Segurança, liquidez, prazo, emissor e cobertura do FGC precisam entrar na conta.

Para quem aceita correr mais risco dentro dos limites do FGC, uma LCI com taxa elevada pode ser analisada como alternativa. Para quem busca reserva de emergência e paz financeira, aplicações mais conservadoras podem continuar fazendo mais sentido, mesmo rendendo menos.

Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e jornalístico. Não representa recomendação de compra ou venda de ações, títulos de renda fixa ou qualquer outro ativo financeiro. Consulte fontes oficiais e, se necessário, um profissional habilitado antes de investir.

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André Carvalho
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Jornalista formado pela UFBA, especializado em Economia e Mercados Financeiros. Com mais de 10 anos de experiência, acompanha conjuntura econômica, política monetária e as decisões do Banco Central.

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