O Centro de Convenções da Bahia, um dos símbolos arquitetônicos e culturais mais importantes do estado, está abandonado há 15 anos. O prédio, inaugurado em 1979, já foi palco de grandes eventos, como a Bienal do Livro, formaturas, shows e encontros empresariais, projetando Salvador como destino turístico internacional.
No entanto, a falta de manutenção ao longo dos anos comprometeu sua estrutura. Em 2015, o espaço foi interditado pela prefeitura e, um ano depois, parte do teto desabou. Desde então, o local tornou-se sinônimo de abandono: cenário de crimes, invasões, insegurança e degradação.
Do auge ao abandono
Projetado dentro da tendência high-tech dos anos 70, inspirado em construções como o Centro Pompidou, em Paris, o Centro de Convenções chamava atenção pelas grandes treliças metálicas expostas. Mas a proximidade com o mar acelerou a corrosão do aço, e o prédio jamais passou por uma reforma estrutural completa.
A perícia apontou que a queda da estrutura foi resultado direto da falta de manutenção. Desde então, o local se tornou ruína, com matagal, lixo e sinais de ocupação irregular.
O impasse judicial
O imóvel foi colocado como garantia de uma dívida trabalhista do Estado de quase R$ 49 milhões. O processo se arrastou por anos, até que em 2022 a penhora foi retirada, liberando o terreno para leilão. Avaliado em R$ 300 milhões, o espaço equivale a 21 campos de futebol.
Ainda assim, a disputa jurídica não terminou. O cartório da Barra conduz um processo de regularização fundiária, já que parte do terreno incorpora antigas ruas públicas. Só após a conclusão desse trâmite, o governo poderá realizar o leilão.
Impacto para Salvador
O abandono do Centro de Convenções traz insegurança para moradores do entorno e representa a perda de um espaço histórico. A promessa de revitalização divide opiniões: enquanto moradores e empresários pedem uma solução rápida, especialistas ressaltam que a área ainda pode ser recuperada.
Para os familiares do engenheiro responsável pelo projeto, a demolição seria o fim doloroso de uma das maiores obras de sua carreira.
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