O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou a CIA (Agência Central de Inteligência) a realizar operações diretas na Venezuela, segundo informações divulgadas pelo The New York Times. A medida, apresentada sob o pretexto de combate ao narcotráfico, foi interpretada como uma escalada das pressões norte-americanas contra o regime de Nicolás Maduro.
De acordo com fontes ouvidas pelo jornal americano, a autorização concede “carta branca” para ações encobertas e ataques estratégicos, especialmente em áreas marítimas e fronteiriças, que podem incluir o Caribe e a costa venezuelana.
A justificativa: guerra contra o narcotráfico
Durante entrevista coletiva, Trump afirmou que o objetivo seria enfraquecer cartéis de drogas da América Latina que atuam nos Estados Unidos. “A Venezuela e muitas das drogas venezuelanas chegam pelo mar. Vamos detê-los por terra e por mar”, disse.
No entanto, o ex-presidente evitou confirmar se Maduro é o alvo principal das operações, limitando-se a afirmar que “a Venezuela está sentindo o calor”.
Aviões B-52 próximos de Caracas aumentam tensão
A ofensiva ganhou contornos mais graves com a movimentação de aviões bombardeiros B-52 da Força Aérea Americana, que sobrevoaram a menos de 200 quilômetros de Caracas. Projetadas para transportar grande quantidade de bombas, inclusive nucleares, as aeronaves simbolizam um recado direto ao governo chavista.
Desde setembro, as forças dos EUA já atacaram seis embarcações venezuelanas, alegando que transportavam drogas. Os ataques resultaram em 27 mortes, segundo dados divulgados por militares norte-americanos.
Maduro reage e denuncia “mentiras” dos EUA
Em discurso transmitido em cadeia nacional, Nicolás Maduro acusou os Estados Unidos de disseminarem mentiras e manipulações para justificar ações militares. “Os norte-americanos querem nos rotular como criminosos, como o chamado Trem de Arágua, que agora eles classificam como organização terrorista”, afirmou.
Maduro também denunciou o envio constante de aviões de guerra para a costa do país. Segundo ele, 77 aeronaves norte-americanas sobrevoaram o espaço aéreo venezuelano apenas neste ano, caracterizando “uma provocação imperialista”.
Oposição venezuelana vê regime enfraquecido
Em contrapartida, María Corina Machado, líder da oposição e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, declarou em entrevista que o regime chavista está mais fraco do que nunca. Ela afirmou que 90% da população venezuelana deseja o fim do governo de Maduro, e que a pressão internacional pode acelerar essa mudança.
Machado destacou que a crise humanitária e o isolamento econômico colocam a Venezuela “à beira de uma transformação inevitável”.
Contexto regional e impacto diplomático
Especialistas avaliam que a autorização de Trump para a CIA marca uma virada de tom nas relações diplomáticas entre Washington e Caracas. O movimento reabre uma frente de tensão semelhante à observada durante a Guerra Fria, com potencial para desestabilizar toda a América Latina.
Governos aliados a Maduro, como Cuba e Nicarágua, já condenaram a medida, classificando-a como violação da soberania venezuelana. Analistas também alertam que as operações podem intensificar o êxodo de venezuelanos e ampliar o isolamento internacional do país.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






