A semana política em Brasília começou em ritmo acelerado com a entrada em pauta de um dos temas mais polêmicos do momento: a anistia de Jair Bolsonaro. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, desembarcou na capital federal para reforçar articulações junto a líderes partidários e pressionar pela votação urgente do projeto.
O movimento ocorre em meio a uma forte reação do governo, que tem intensificado a liberação de emendas parlamentares e buscado apoio para evitar o avanço da proposta no Congresso.
Pressão pela votação imediata
Segundo bastidores do Congresso, a oposição já reúne mais de 300 votos favoráveis ao texto que prevê o perdão de crimes contra a democracia a partir de 2019, medida que beneficiaria diretamente Bolsonaro, tornando-o novamente elegível para disputar eleições futuras.
O presidente da Câmara, Arthur Lira, sinalizou que a urgência do projeto pode ser pautada nos próximos dias. Caso seja aprovada, a tramitação será acelerada, com o texto sendo levado diretamente ao plenário sem passar por comissões especiais.
Governo reage com liberação de emendas
Ciente da pressão, o governo federal intensificou a estratégia de liberar recursos. Apenas nos últimos 15 dias, foram cerca de R$ 10 bilhões em emendas destinadas a parlamentares. No dia da votação do ministro Alexandre de Moraes, o Executivo autorizou quase R$ 2,5 bilhões em repasses, demonstrando a ofensiva para garantir apoio político.
Além disso, cargos de segundo escalão estão sendo usados como moeda de negociação. Parlamentares que não seguirem a orientação governista correm risco de perder espaço na máquina federal.
Senado como barreira decisiva
Apesar da expectativa de aprovação na Câmara, o Palácio do Planalto aposta no Senado para barrar a anistia. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, já sinalizou que não pretende avançar com a proposta, mesmo que seja aprovada pelos deputados.
A estratégia governista é segurar o desgaste político, mantendo o tema em discussão na Câmara e confiando em Alcolumbre para arquivar o projeto caso ele chegue ao Senado.
Implicações políticas
A aprovação da anistia teria impacto imediato no cenário eleitoral, reabilitando Bolsonaro para 2026 e fortalecendo a oposição. Já a resistência do governo reflete o receio de que o tema mobilize a base bolsonarista e gere instabilidade política em meio a um ambiente já marcado por disputas entre Executivo e Legislativo.
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