O Nissan Ariya, um dos veículos elétricos mais sofisticados já desenvolvidos pela fabricante japonesa, está circulando pelo Brasil como parte de um projeto de pesquisa sobre eletrificação, conectividade e comportamento dos consumidores. Apesar da presença do SUV nas ruas brasileiras, a Nissan informa que o modelo não será comercializado no país neste momento.
As unidades são utilizadas por colaboradores, concessionárias e equipes envolvidas em ações especiais da empresa. O objetivo é coletar informações em condições reais de trânsito, temperatura, relevo, infraestrutura de recarga e diferentes padrões de utilização.
Na prática, o Ariya funciona como um laboratório sobre rodas. Os resultados poderão ajudar a fabricante a definir configurações de bateria, sistemas de tração, equipamentos de segurança e tecnologias mais adequadas ao mercado nacional.
A iniciativa também mostra que a Nissan busca recuperar espaço no segmento de carros elétricos, atualmente dominado no Brasil por marcas chinesas que ampliaram rapidamente a variedade de modelos e as faixas de preço.
Nissan Ariya não será vendido no Brasil neste momento
A circulação do Nissan Ariya alimentou especulações sobre um possível lançamento comercial. Entretanto, a própria fabricante afirma que o SUV está sendo utilizado somente como ferramenta de estudo.
Isso significa que as unidades vistas nas ruas não fazem parte de uma operação convencional de importação ou de uma preparação imediata para vendas. A empresa pretende analisar os dados gerados pelo veículo antes de tomar decisões sobre sua futura linha de eletrificados.
A Nissan não revelou oficialmente quantos carros participam do projeto nem apresentou uma data para anunciar os resultados da pesquisa.
Mesmo assim, a presença do Ariya é relevante porque permite que a montadora teste um conjunto de tecnologias que ainda não está disponível em seus automóveis vendidos atualmente no Brasil.

SUV elétrico entrega 394 cv e tração integral
Uma das configurações utilizadas nas avaliações é a Platinum+ e-4ORCE, posicionada entre as versões mais completas do Ariya.
O conjunto utiliza dois motores elétricos, sendo um instalado no eixo dianteiro e outro no traseiro. Juntos, eles entregam 394 cv de potência e aproximadamente 61,10 kgfm de torque.
O sistema e-4ORCE controla eletronicamente a distribuição de força entre as quatro rodas. Além de melhorar a tração em pisos molhados ou escorregadios, a tecnologia atua para tornar a aceleração mais progressiva e reduzir os movimentos da carroceria durante frenagens e mudanças de direção.
Em testes realizados com o modelo no Brasil, a aceleração de 0 a 100 km/h foi cumprida em aproximadamente 5,50 segundos. A retomada de 80 a 120 km/h ocorreu em menos de três segundos, demonstrando o desempenho elevado do conjunto.
Apesar da potência, a proposta do Ariya não é a de um esportivo tradicional. O SUV combina acelerações rápidas com suspensão voltada ao conforto, bom isolamento acústico e comportamento progressivo.
Bateria oferece autonomia próxima de 420 quilômetros
A configuração mais potente utiliza bateria de íons de lítio com química NCM, formada por níquel, cobalto e manganês. A capacidade bruta é de 91 kWh, enquanto aproximadamente 87 kWh ficam disponíveis para movimentar o veículo.
Em uma avaliação independente realizada no Brasil, o consumo médio ficou próximo de 4,80 km por kWh. Com esse resultado, a autonomia estimada alcançou cerca de 418 quilômetros em percurso misto e até 444 quilômetros em condições predominantemente urbanas.
Os números podem variar de acordo com velocidade, temperatura, uso do ar-condicionado, relevo, pressão dos pneus e estilo de condução.
Na recarga em corrente alternada, o Ariya suporta aproximadamente 7,40 kW. Já em carregadores rápidos de corrente contínua, a potência pode chegar a 130 kW.
Em condições ideais, o carregamento rápido permite recuperar uma parcela significativa da bateria durante uma parada em viagem. O tempo efetivo, no entanto, depende da potência disponível no equipamento, da temperatura das células e do nível inicial de carga.
Ficha técnica do Nissan Ariya avaliado no Brasil
| Característica | Nissan Ariya Platinum+ e-4ORCE |
| Motorização | Dois motores elétricos |
| Tração | Integral e-4ORCE |
| Potência | 394 cv |
| Torque | 61,10 kgfm |
| Bateria útil | 87 kWh |
| Bateria bruta | 91 kWh |
| Recarga rápida | Até 130 kW |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | Aproximadamente 5,50 segundos |
| Autonomia estimada em uso misto | Cerca de 418 km |
| Comprimento | 4,60 metros |
| Entre-eixos | 2,78 metros |
| Rodas | 19 polegadas |
| Peso | Aproximadamente 2.300 kg |
| Porta-malas | Capacidade varia conforme a versão |
Interior apresenta padrão superior aos Nissan vendidos no país
O interior representa uma das maiores diferenças em relação aos modelos que a Nissan comercializa no Brasil. O Ariya utiliza materiais macios, revestimentos que simulam madeira, comandos sensíveis ao toque e um painel formado por duas telas integradas.
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Uma delas funciona como quadro de instrumentos e apresenta velocidade, consumo, autonomia e funcionamento do sistema de tração. A segunda concentra a central multimídia, os recursos de conectividade e parte das configurações do veículo.
O console central pode ser deslocado eletricamente, criando diferentes configurações para motorista e passageiro. Como não há túnel de transmissão convencional, o piso dianteiro é praticamente livre, aumentando a sensação de espaço.
Entre os equipamentos disponíveis estão teto solar panorâmico, câmeras com visão de 360 graus, bancos com ajustes elétricos, memória de posição, carregador de celular por indução e sistemas avançados de assistência ao motorista.
O espaço traseiro também é favorecido pelos 2,78 metros de distância entre os eixos e pelo assoalho plano. Passageiros contam com saídas de ar, conexões USB-C e aquecimento dos bancos em determinadas configurações.
Suspensão foi preparada para controlar quase 2,30 toneladas
O peso elevado é um dos principais desafios dos SUVs elétricos com baterias de grande capacidade. Na versão com dois motores, o Ariya se aproxima de 2.300 kg.
Para controlar essa massa, o modelo utiliza suspensão independente do tipo McPherson na dianteira e sistema multibraço na traseira. A calibração prioriza conforto e estabilidade, mesmo com rodas de 19 polegadas e pneus de medidas largas.
O sistema de tração integral também ajuda a controlar o comportamento do carro ao distribuir o torque entre os eixos conforme a aderência disponível.
Embora o peso seja perceptível em curvas mais rápidas, o conjunto procura evitar reações bruscas. A entrega instantânea de torque é gerenciada eletronicamente para preservar a estabilidade e o conforto dos ocupantes.
Projeto nasceu para superar o legado do Nissan Leaf
Apresentado inicialmente como conceito em 2019, o Ariya foi desenvolvido sobre a plataforma CMF-EV, criada especialmente para automóveis elétricos da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi.
O modelo representou uma nova etapa depois do Nissan Leaf, automóvel que ajudou a popularizar a eletrificação em diversos mercados e chegou a ocupar a posição de elétrico mais vendido do mundo.
Enquanto o Leaf adotava uma proposta semelhante à de um hatch convencional, o Ariya foi desenvolvido como SUV de porte médio, com bateria maior, interior mais sofisticado e versões de alto desempenho.
A arquitetura CMF-EV também serve de base para outros produtos elétricos da aliança, permitindo o compartilhamento de componentes e tecnologias.
Estudo poderá influenciar futuros carros elétricos da Nissan
A Nissan afirma que a pesquisa brasileira analisa diferentes configurações de equipamentos, sistemas de tração e tecnologias embarcadas. Os veículos circulam em condições reais para que os resultados representem melhor as necessidades dos consumidores locais.
Entre os pontos que podem ser observados estão autonomia no calor, desempenho do sistema de refrigeração da bateria, comportamento em pisos irregulares, frequência das recargas e disponibilidade de carregadores.
Também será possível avaliar quais recursos são mais utilizados pelos motoristas e quais configurações fariam sentido comercialmente no país.
Isso não significa que o próximo elétrico da empresa será necessariamente o Ariya. O projeto poderá orientar a chegada de outros veículos, incluindo modelos mais novos ou mais baratos.
Parceria com a Dongfeng amplia possibilidades
A Nissan mantém uma parceria de longa data com a chinesa Dongfeng, responsável por desenvolver e produzir diversos modelos para o mercado asiático.
A Dongfeng prepara sua entrada oficial no Brasil com os elétricos Box e Vigo. A empresa também avalia utilizar uma estrutura industrial no país no futuro, sendo a fábrica da Nissan em Resende, no Rio de Janeiro, uma das possibilidades apontadas pelo mercado.
A relação entre as fabricantes pode abrir caminhos para novos projetos eletrificados. Entretanto, ainda não existe confirmação oficial de que automóveis da Dongfeng serão produzidos no complexo brasileiro da Nissan.
Também não está confirmado que modelos Nissan desenvolvidos na China, como os sedãs N6 e N7 ou o SUV NX8, serão lançados comercialmente no Brasil.
Esses veículos, porém, demonstram que a empresa possui alternativas para acelerar sua entrada em categorias nas quais fabricantes chinesas já alcançaram presença expressiva.

Ariya custaria caro caso fosse vendido no país
A configuração mais completa do Ariya é vendida em alguns mercados internacionais por valores equivalentes aos cobrados por SUVs de marcas premium.
Com impostos de importação, custos logísticos e margens comerciais, uma unidade semelhante poderia superar facilmente os R$ 400 mil no Brasil. Essa é apenas uma estimativa, pois a Nissan nunca anunciou preço ou plano de vendas para o modelo no país.
Uma faixa tão elevada colocaria o SUV contra veículos elétricos de fabricantes premium e modelos chineses de grande potência, muitos deles oferecidos por preços mais competitivos.
Esse possível posicionamento ajuda a explicar por que a Nissan prefere utilizar o Ariya como plataforma de pesquisa, em vez de lançá-lo imediatamente.
Laboratório antecipa nova estratégia de eletrificação
Mais do que indicar o lançamento de um modelo específico, a circulação do Nissan Ariya mostra que a fabricante está estudando como retornar ao mercado brasileiro de elétricos com uma estratégia mais consistente.
O segmento mudou rapidamente desde a chegada do Leaf. Há mais opções, preços menores, baterias com maior autonomia e uma rede de recarga em expansão.
O desafio da Nissan será transformar os dados coletados em produtos competitivos e adequados ao poder de compra do consumidor brasileiro.
Com 394 cv, tração integral, autonomia próxima de 420 quilômetros e acabamento de nível superior, o Ariya demonstra a capacidade tecnológica da marca. Por enquanto, porém, sua missão no Brasil é ajudar a preparar os próximos passos da Nissan no mercado de eletrificados.
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