O GWM Tank 300 Flex ocupa uma posição pouco comum entre os SUVs vendidos no Brasil. Enquanto boa parte dos modelos de luxo aposta principalmente em conforto, desempenho no asfalto e tração integral eletrônica, o utilitário da GWM segue uma receita mais próxima de veículos off-road tradicionais: carroceria sobre chassi, caixa de redução e bloqueios de diferencial.
A diferença é que essa estrutura é combinada a um sistema híbrido plug-in flex desenvolvido para o mercado brasileiro. Na linha 2027, o Tank 300 reúne motor 2.0 turbo capaz de utilizar gasolina ou etanol e um propulsor elétrico, chegando a 394 cv de potência combinada e 750 Nm, aproximadamente 76,5 kgfm, de torque.
Com preço de R$ 342 mil na configuração convencional, o modelo entra em uma faixa bastante disputada do mercado, mas tenta justificar o valor oferecendo características que dificilmente aparecem reunidas em um único SUV.
O que diferencia o Tank 300 de um SUV convencional?
A principal diferença está debaixo da carroceria.
O Tank 300 utiliza uma construção carroceria sobre chassi, solução encontrada tradicionalmente em picapes médias e utilitários desenvolvidos para enfrentar terrenos severos.
É uma arquitetura diferente do monobloco adotado pela maioria dos SUVs modernos. Em vez de utilizar a própria carroceria como principal elemento estrutural, há uma estrutura separada que serve como base para o veículo.
Para quem pretende efetivamente enfrentar trilhas, pisos muito irregulares, lama e obstáculos, essa característica ganha importância.
A arquitetura Hi4-T também inclui tração 4×4 com modos 2H, 4H e 4L, além de reduzida e bloqueios eletrônicos dos diferenciais dianteiro, traseiro e central. A GWM oferece ainda nove modos de condução e recursos específicos para situações fora de estrada.
É justamente esse conjunto que coloca o Tank 300 em uma categoria diferente de muitos SUVs que oferecem apenas sistemas de tração integral voltados principalmente para aumentar aderência e segurança no asfalto.
Motor flex entrega 394 cv

A grande mudança da linha 2027 foi a adoção da tecnologia flex.
O motor 2.0 turbo trabalha associado ao sistema elétrico e à transmissão automática híbrida de nove marchas com conversor de torque.
O conjunto entrega:
- 394 cv de potência combinada
- 750 Nm de torque combinado
- Câmbio automático de nove marchas
- Tração 4×4 com reduzida
- 0 a 100 km/h em 6,8 segundos
A potência não aumenta quando o tanque recebe etanol. Segundo a GWM, isso ocorre porque o motor utiliza ciclo Miller e foi calibrado priorizando eficiência energética, e não aumento de desempenho dependendo do combustível utilizado.
Mesmo assim, acelerar de 0 a 100 km/h em 6,8 segundos é um número expressivo para um SUV com estrutura desenvolvida também para utilização fora de estrada.
Tank 300 pode rodar 74 km usando apenas eletricidade
Outro ponto importante para quem considera o Tank 300 como carro de uso diário está na bateria de 37,1 kWh.
Pelo padrão oficial do Inmetro, a autonomia elétrica chega a 74 km. No ciclo internacional WLTP, a fabricante informa até 106 km.
Isso significa que proprietários que tenham onde recarregar o veículo podem realizar parte dos deslocamentos urbanos sem utilizar gasolina ou etanol.
Como qualquer híbrido plug-in, porém, o benefício depende diretamente da rotina de recarga. Rodar frequentemente sem aproveitar a tomada reduz uma das principais vantagens do sistema.
Quanto o Tank 300 Flex consome?
Os números divulgados pela GWM considerando a operação do sistema híbrido mostram:
Com gasolina
- Cidade: até 18,3 km/l
- Estrada: até 18,8 km/l
Com etanol
- Cidade: até 13,1 km/l
- Estrada: até 14,1 km/l
Esses números devem ser interpretados dentro da metodologia aplicada a veículos híbridos plug-in, porque a utilização da energia armazenada na bateria influencia diretamente o resultado.
Quando a carga elétrica disponível diminui e o motor a combustão passa a trabalhar durante uma parcela maior do percurso, o consumo real pode ser significativamente diferente.
Por isso, comparar diretamente esses números com os km/l de um SUV exclusivamente a combustão pode produzir uma conclusão equivocada.
Recarga rápida ajuda nas viagens
O sistema também aceita carregamento rápido em corrente contínua.
A potência máxima em DC é de 50 kW. Segundo a GWM, uma carga de 30% para 80% pode ser realizada em aproximadamente 24 minutos nas condições adequadas.
Em corrente alternada, a potência máxima aceita é de 6,6 kW.
Para quem instala carregador residencial, a possibilidade de recuperar a bateria durante a noite torna o sistema plug-in especialmente interessante para deslocamentos cotidianos.
Não é apenas um SUV com aparência off-road
Esse talvez seja o principal argumento do Tank 300.
Diversos SUVs utilizam elementos visuais inspirados em veículos de trilha, mas possuem arquitetura fundamentalmente urbana.
No modelo da GWM, recursos como reduzida, bloqueios de diferencial, construção sobre chassi e diferentes programas de terreno não são apenas componentes estéticos.
Há ainda recursos destinados especificamente à condução fora do asfalto, incluindo sistema de assistência para curvas fechadas e controle de cruzeiro off-road.
A proposta é permitir que eletrificação e capacidade fora de estrada funcionem juntas, em vez de transformar o modelo apenas em um SUV eletrificado de luxo.
Tank 300 também precisa funcionar na cidade
A robustez não elimina a preocupação com conforto.
O Tank 300 oferece uma cabine com acabamento de proposta premium, bancos com ajustes elétricos e uma ampla concentração de funções na central multimídia.
Câmera 360 graus e sistemas capazes de ampliar a visualização do entorno são especialmente úteis em um veículo desse porte, tanto na cidade quanto em terrenos difíceis.
O modelo também oferece recursos eletrônicos de assistência à condução e diferentes configurações para gerenciamento de energia, permitindo determinar quanto da bateria deve ser preservado durante determinados trajetos.
Esse equilíbrio entre tecnologia, conforto e capacidade off-road é essencial para justificar um veículo de mais de R$ 300 mil que provavelmente passará grande parte da vida no asfalto.
R$ 342 mil ainda é muito dinheiro
O preço continua sendo uma das principais barreiras.
O Tank 300 PHEV Flex custa R$ 342 mil, valor que permanece sendo anunciado no mercado no fim de agosto de 2026. A GWM também passou a oferecer recentemente o Tank 300 TerraForce, série especial limitada a 300 unidades, por R$ 350 mil.
A pergunta relevante, portanto, não é apenas se R$ 342 mil é caro.
É preciso avaliar quanto custaria encontrar, em outros modelos, uma combinação semelhante de potência, tecnologia híbrida plug-in, construção sobre chassi, reduzida e recursos destinados ao off-road severo.
É aí que o Tank 300 constrói seu principal argumento comercial.
Para quem o GWM Tank 300 Flex faz sentido?
Para quem procura apenas um SUV confortável para circular na cidade, existem alternativas mais leves, eficientes e até mais baratas.
O Tank 300 começa a fazer mais sentido para o consumidor que realmente valoriza capacidade 4×4, enfrenta estradas ruins, viaja para locais de difícil acesso ou deseja um veículo preparado para trilhas sem abrir mão de equipamentos, desempenho e eletrificação.
O modelo também oferece uma combinação ainda rara no mercado brasileiro: capacidade para utilizar gasolina ou etanol e possibilidade de percorrer dezenas de quilômetros utilizando somente eletricidade.
Por isso, o maior diferencial do GWM Tank 300 Flex não está isoladamente nos seus 394 cv ou na tecnologia da cabine.
Está na junção de duas propostas normalmente separadas: um híbrido plug-in sofisticado para o cotidiano e um 4×4 construído para enfrentar condições muito mais difíceis do que o asfalto urbano.
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