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Início » Últimas Notícias » Rússia exibe força nuclear com submarinos, mísseis e 64 mil soldados
Mercados

Rússia exibe força nuclear com submarinos, mísseis e 64 mil soldados

Exercícios nucleares da Rússia mobilizam frota, aviação, lançadores de mísseis e tropas em meio à guerra na Ucrânia e à crescente tensão com a OTAN.
Rafael CostaPor Rafael Costa22 de maio de 20265 minutos lidos
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Rússia exibe força nuclear com submarinos, mísseis e 64 mil soldados

A Rússia iniciou uma grande demonstração de força envolvendo suas capacidades nucleares estratégicas e táticas, em um exercício militar de três dias que reúne submarinos, aviões, navios, lançadores de mísseis e dezenas de milhares de militares. A operação ocorre em meio à guerra na Ucrânia, ao aumento dos ataques com drones contra território russo e à escalada de tensão entre Moscou e países da OTAN.

Segundo a Reuters, os exercícios começaram em 19 de maio de 2026 e incluem o lançamento de mísseis balísticos e de cruzeiro. A operação envolve cerca de 64 mil pessoas e 7.800 peças de equipamento militar, além de forças terrestres, navais e aéreas.

O que chamou atenção no exercício nuclear da Rússia

O ponto mais sensível da movimentação é a escala da operação. De acordo com informações divulgadas por agências internacionais, os exercícios reúnem mais de 200 lançadores de mísseis, cerca de 140 aeronaves, 73 navios de superfície e 13 submarinos, incluindo submarinos estratégicos com capacidade para transportar mísseis balísticos intercontinentais.

A Associated Press informou que as manobras têm como foco a “preparação e uso de forças nucleares sob ameaça de agressão”, segundo o Ministério da Defesa russo. A agência também destacou que Belarus, aliada próxima de Moscou, participa da cooperação militar ligada aos exercícios.

Principais números dos exercícios

ItemInformação divulgada
Duração3 dias, de 19 a 21 de maio de 2026
Militares envolvidosCerca de 64 mil
Equipamentos militaresAproximadamente 7.800
Lançadores de mísseisMais de 200
AeronavesCerca de 140
Navios de superfície73
Submarinos13
Submarinos estratégicos nucleares8
País aliado envolvidoBelarus

Mísseis balísticos e de cruzeiro estão no centro das manobras

As forças russas devem realizar treinamentos com mísseis balísticos e de cruzeiro em diferentes regiões militares. A operação envolve forças de foguetes, aviação de longo alcance, frotas do Norte e do Pacífico, além de unidades dos distritos militares de Leningrado e Central.

Entre os sistemas citados no contexto dos exercícios estão mísseis com capacidade nuclear, como o Iskander-M, além de plataformas navais e aéreas usadas em operações estratégicas. Em atualização posterior, a Reuters relatou lançamentos de mísseis como o Yars, o hipersônico Zircon e o balístico Sineva, disparado a partir de submarino.

Belarus amplia o peso político da operação

A participação de Belarus aumenta o peso geopolítico do exercício. O país é um dos principais aliados da Rússia e passou a abrigar armas nucleares russas nos últimos anos, em um movimento visto pelo Ocidente como parte da pressão militar de Moscou no Leste Europeu.

Segundo a Associated Press, as manobras também treinam a cooperação com Belarus, país que hospeda armas nucleares russas e sistemas de mísseis com capacidade nuclear.

Por que a Rússia faz esse exercício agora?

O momento da operação não é casual. A guerra na Ucrânia entrou em uma fase de maior pressão sobre território russo, com intensificação de ataques ucranianos com drones. Ao mesmo tempo, países da OTAN continuam ampliando apoio militar a Kiev, o que Moscou classifica como ameaça direta à sua segurança.

Para analistas, o exercício funciona como uma mensagem estratégica: a Rússia tenta demonstrar que suas forças nucleares permanecem prontas e integradas, enquanto busca dissuadir governos ocidentais de ampliar ainda mais o apoio militar à Ucrânia.

Isso significa risco de ataque nuclear iminente?

Apesar do tom alarmante, especialistas geralmente não interpretam exercícios desse tipo como sinal direto de ataque nuclear iminente. Manobras militares de grande escala costumam ter função de treinamento, demonstração de capacidade e pressão política.

Ainda assim, o risco está no ambiente de tensão. Quando exercícios nucleares ocorrem em meio a uma guerra ativa, ataques com drones, ameaças públicas e envolvimento crescente de potências militares, aumenta a preocupação com erro de cálculo, comunicação falha ou escalada não planejada.

Putin tenta mostrar controle, mas aumenta a pressão internacional

O presidente Vladimir Putin tem usado a retórica nuclear com frequência desde o início da invasão da Ucrânia, em 2022. A estratégia busca lembrar ao Ocidente que a Rússia possui um dos maiores arsenais nucleares do mundo e que considera sua capacidade nuclear um pilar de defesa nacional.

Em fala citada pela Reuters, Putin afirmou que o uso de armas nucleares seria uma medida excepcional e de último recurso, mas defendeu que a tríade nuclear russa continue funcionando como garantia de soberania diante de novas ameaças.

O que está em jogo para o Ocidente

Para os países ocidentais, o exercício reforça três preocupações principais:

  1. A escalada da guerra na Ucrânia, que já deixou de ser apenas um conflito territorial e passou a envolver diretamente a segurança europeia.
  2. A aproximação militar entre Rússia e Belarus, especialmente com armas e sistemas capazes de transportar ogivas nucleares.
  3. O risco de normalização da retórica nuclear, que pode tornar o ambiente internacional mais instável e imprevisível.

Os exercícios nucleares da Rússia mostram como a guerra na Ucrânia remodelou a segurança global. A mobilização de submarinos, mísseis, aeronaves, navios e dezenas de milhares de militares não indica necessariamente uma ameaça nuclear imediata, mas envia um recado claro: Moscou quer demonstrar prontidão militar e capacidade de resposta em um momento de forte tensão com o Ocidente.

A operação também expõe o grau de deterioração das relações entre Rússia, Ucrânia e OTAN. Em um cenário marcado por ataques com drones, sanções, envio de armas e discursos cada vez mais duros, cada demonstração militar passa a ser acompanhada de perto por governos, analistas e organismos internacionais.

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Rafael Costa
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Rafael Costa é editor de Tecnologia e Inovação, especialista em Blockchain e Web3, com pós-graduação em Finanças. Na A Revista, acompanha criptomoedas, tecnologia financeira, inovação e os efeitos dessas mudanças sobre empresas e mercados. Distingue uso efetivo, anúncios, projeções e riscos dos ativos digitais.

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