Uma reportagem publicada nesta terça-feira pelo Metrópoles revelou o explosivo crescimento do setor de crédito consignado do INSS — e trouxe à tona denúncias graves envolvendo o Agibank, incluindo casos de portabilidade não autorizada, descontos indevidos e o temido cartão RMC, que muitos beneficiários afirmam “nunca acabar”.
O banco, que em 2021 tinha apenas 20 mil empréstimos ativos, saltou para 409 mil em quatro meses, chegando hoje a 1,57 milhão de contratos ativos. O volume movimentado é bilionário: R$ 14,8 bilhões recebidos via descontos em folha de aposentados.
A seguir, destrinchamos os principais pontos da reportagem, as denúncias, a defesa do banco e o que o INSS já fez para tentar conter abusos no mercado.
Crescimento acelerado do Agibank surpreende o setor
Evolução da carteira de consignados
| Ano / Período | Empréstimos Ativos | Crescimento |
|---|---|---|
| Junho/2021 | 20 mil | — |
| Outubro/2021 | 409 mil | +1.945% |
| 2024/2025 | 1,57 milhão | Maior carteira desde a entrada no INSS |
Segundo a reportagem, o banco foi um dos que mais cresceram após a ampliação das instituições credenciadas pelo INSS — que saltaram de 52 para 87 bancos.
As irregularidades mais comuns denunciadas por aposentados
A investigação cruzou sentenças judiciais, reclamações da Ouvidoria do INSS e denúncias de consumidores. Três problemas aparecem com maior frequência:
Descontos indevidos e empréstimos não solicitados
Aposentados relatam descobrir empréstimos que dizem nunca ter contratado.
Em alguns casos, perícias identificaram assinaturas falsificadas por correspondentes.
Hoje a validação é biométrica, mas fraudes não desapareceram.
Cartão RMC — o desconto que “nunca termina”
O cartão Reserva de Margem Consignável usa até 5% da aposentadoria para pagar automaticamente a fatura mínima.
Os principais problemas relatados:
Descontos contínuos mesmo após pagar o valor total da fatura;
Usuários afirmam que o cartão é vendido como “empréstimo mais barato”;
Dificuldade extrema para cancelar.
Essa é uma das causas que mais têm levado bancos a condenações judiciais.
Abordagens abusivas por telefone
Ligações insistentes oferecendo crédito.
Contratos firmados com informações distorcidas sobre juros e prazo.
Adição de seguros e serviços não solicitados dentro do contrato.
Portabilidade indevida do benefício — o problema que mais explode nas redes
Essa é a denúncia mais frequente envolvendo o Agibank.
Aposentados afirmam que:
Recebiam o benefício em outro banco;
Aceitaram um empréstimo;
E só depois descobriram que a conta do INSS havia sido automaticamente transferida para o Agibank.
Em muitos casos, quando tentam sair do banco, não conseguem reverter a portabilidade, mesmo solicitando ao INSS.
O que diz o INSS sobre o caso
O Instituto informou:
Já rescindiu 19 acordos com bancos por descumprimento de regras;
Implementou medidas de controle mais rígidas;
Firmou acordos para devolver R$ 7 bilhões cobrados indevidamente de 100 mil beneficiários — principalmente seguros embutidos sem autorização.
A defesa oficial do Agibank
Segundo o banco:
Sobre fraudes:
“O Agibank atua de forma colaborativa com as autoridades e aciona mecanismos de recuperação de valores sempre que possível.”
Sobre o crescimento da base:
O banco afirma que a funcionalidade de portabilidade lançada em 2021 explica o salto no número de clientes.
Sobre portabilidade de contas (ponto mais polêmico da matéria):
“Qualquer alteração no banco recebedor do benefício depende de manifestação expressa do titular validada pelo INSS.”
O problema, segundo especialistas, é que essa autorização costuma estar “embutida” nos contratos do empréstimo, e muitos aposentados não entendem que estão aceitando também a transferência do benefício.
A maior queixa: dificuldade para deixar o banco
A parte mais sensível da denúncia é a alegação recorrente:
“Entrei no Agibank por causa de um empréstimo, mas agora não consigo tirar meu benefício de lá.”
Usuários relatam que:
Tentam reverter a portabilidade e não conseguem;
São informados de que há pendências, mesmo sem contratos ativos;
Encontram demora excessiva ou ausência de atendimento efetivo.
Por que o tema preocupa tanto?
Impacto direto na vida financeira do aposentado
Mudança de banco pode travar pagamentos automáticos;
Beneficiário perde acesso ao banco onde sempre recebeu;
Dificuldade em controlar empréstimos e margens;
Cobranças indevidas podem se repetir por meses.
O que fazer se você está enfrentando esse problema
Passo a passo recomendado
Solicite a devolução e reversão da portabilidade direto no INSS Digital.
Registre reclamação no Meu INSS > Central de Serviços.
Abra queixa no Banco Central (BCB).
Se houver desconto indevido, peça tutela de urgência no Juizado Especial Federal.
Procure o Procon local.
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