A Nvidia (NVDA) voltou ao centro das atenções do mercado financeiro após divulgar resultados muito acima das expectativas e reforçar seu papel como principal fornecedora da infraestrutura global de inteligência artificial. A companhia registrou receita recorde de US$ 81,6 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2027, encerrado em 26 de abril de 2026, alta de 85% em relação ao ano anterior e avanço de 20% sobre o trimestre anterior.
O desempenho foi puxado principalmente pela área de data centers, que concentra a venda de chips, sistemas e soluções usados em modelos de IA. Essa divisão alcançou US$ 75,2 bilhões em receita no trimestre, confirmando que a demanda por infraestrutura de inteligência artificial continua forte entre grandes empresas de tecnologia.
A força dos números ajuda a explicar por que a Nvidia se tornou uma das empresas mais valiosas do mundo. Em julho de 2025, a companhia foi a primeira empresa listada em bolsa a atingir US$ 4 trilhões em valor de mercado; em outubro do mesmo ano, rompeu a marca de US$ 5 trilhões. Em maio de 2026, estimativas de mercado colocavam a Nvidia acima de US$ 5,4 trilhões em valor de mercado.
Apesar do crescimento impressionante, a valorização também trouxe uma pergunta cada vez mais repetida em Wall Street: a Nvidia ainda está apenas refletindo crescimento real ou já se tornou o maior símbolo de uma possível bolha da inteligência artificial?
Como a Nvidia saiu dos games e virou peça-chave da IA
Durante muitos anos, a Nvidia foi conhecida principalmente pelas placas gráficas usadas em computadores gamers, estações de trabalho e aplicações visuais pesadas. O salto veio quando suas GPUs passaram a ser usadas para tarefas muito mais amplas, especialmente o treinamento de redes neurais e modelos de inteligência artificial.
A grande vantagem das GPUs está na capacidade de processar muitas operações ao mesmo tempo. Isso se tornou essencial para treinar modelos generativos, rodar grandes volumes de dados e sustentar ferramentas como assistentes de IA, copilotos corporativos, sistemas de busca inteligente e automação empresarial.
Outro ponto decisivo foi o ecossistema de software da empresa, especialmente a plataforma CUDA, lançada em 2006. Ela ajudou pesquisadores, universidades e empresas a desenvolver aplicações sobre a tecnologia da Nvidia, criando uma espécie de dependência técnica difícil de substituir. Esse ponto aparece como um dos principais argumentos do esboço usado como base para a matéria.
Receita da Nvidia mostra o tamanho da corrida por IA
Os resultados mais recentes indicam que a corrida global por inteligência artificial ainda está em expansão. A Nvidia informou lucro líquido de US$ 58,3 bilhões no trimestre, contra US$ 18,8 bilhões um ano antes, enquanto a receita avançou para US$ 81,6 bilhões. A companhia também projetou US$ 91 bilhões em receita para o trimestre seguinte, acima das expectativas de analistas acompanhadas pelo mercado.
| Indicador mais recente | Dado divulgado |
|---|---|
| Receita total no 1º tri fiscal de 2027 | US$ 81,6 bilhões |
| Crescimento anual da receita | 85% |
| Receita de data centers | US$ 75,2 bilhões |
| Lucro líquido trimestral | US$ 58,3 bilhões |
| Projeção de receita para o próximo trimestre | US$ 91 bilhões |
| Valor de mercado estimado em maio de 2026 | acima de US$ 5,4 trilhões |
Esses números reforçam que a Nvidia não é apenas uma empresa “promissora”. Ela já tem receita, lucro, clientes globais e uma posição dominante em uma das áreas mais estratégicas da tecnologia.
Por que o mercado fala em bolha?
O alerta de bolha não surge porque a Nvidia não tenha um negócio real. Pelo contrário: a empresa é altamente lucrativa. O receio está no preço pago por esse crescimento e na velocidade com que o mercado passou a precificar a inteligência artificial.
Desde o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022, as ações da Nvidia dispararam e a companhia virou peça central da alta das bolsas americanas. A Reuters destacou que, até outubro de 2025, os papéis da Nvidia haviam subido mais de 1.000% desde o lançamento público do ChatGPT, enquanto o S&P 500 também avançou fortemente no período.
A preocupação é simples: se o mercado estiver superestimando o ritmo de monetização da IA, empresas de tecnologia podem estar investindo trilhões em infraestrutura antes de provar que esses gastos trarão retorno proporcional. Nesse cenário, qualquer desaceleração na demanda por chips, data centers ou modelos generativos poderia provocar forte correção nas ações.
O susto com a DeepSeek mostrou a fragilidade da tese
Um dos maiores sinais de vulnerabilidade apareceu em janeiro de 2025, quando a chinesa DeepSeek provocou uma liquidação global em ações ligadas à inteligência artificial. O mercado interpretou que modelos mais baratos e eficientes poderiam reduzir a necessidade de chips caros, ameaçando a tese de crescimento acelerado da Nvidia.
Naquele dia, a Nvidia perdeu cerca de US$ 593 bilhões em valor de mercado, a maior perda diária já registrada por uma empresa em Wall Street, segundo a Reuters. As ações caíram cerca de 17%, pressionando também outros papéis de semicondutores e tecnologia.
A empresa se recuperou depois, mas o episódio deixou uma lição importante: a tese da Nvidia depende não apenas da demanda atual por IA, mas também da crença de que os modelos futuros continuarão exigindo enorme capacidade computacional.
Alta é sustentada por grandes clientes
A Nvidia se beneficia diretamente dos investimentos de gigantes como Microsoft, Amazon, Google, Meta e outras empresas que disputam liderança em IA. Essas companhias têm caixa elevado e estão construindo data centers em larga escala para sustentar modelos próprios, serviços corporativos e produtos baseados em inteligência artificial.
Esse cenário favorece a Nvidia no curto prazo. No entanto, também cria concentração de risco. Se poucos grandes compradores reduzirem o ritmo de investimento, atrasarem projetos ou mudarem para chips próprios, a receita da Nvidia pode sentir o impacto.
Além disso, a empresa enfrenta restrições de exportação dos Estados Unidos para a China, concorrência de AMD, Intel e chips customizados de grandes plataformas, além da pressão por alternativas mais eficientes e baratas.
O dilema do investidor: crescimento real, preço elevado
A Nvidia combina fundamentos fortes com uma avaliação muito exigente. De um lado, há crescimento de receita, margens elevadas, liderança tecnológica e demanda global por data centers. De outro, existe o risco de o mercado já ter colocado no preço anos de crescimento futuro.
Para quem comprou ações da Nvidia há vários anos, a valorização acumulada criou grande margem de ganho. Para quem pensa em entrar agora, o desafio é diferente: o investidor precisa avaliar se ainda há espaço para valorização relevante ou se boa parte da expansão futura já está refletida no preço.
Isso não significa que a Nvidia vá cair obrigatoriamente. Também não significa que a tese de IA acabou. O ponto central é que empresas excelentes também podem se tornar investimentos arriscados quando negociadas a preços muito altos.
Nvidia segue gigante, mas exige cautela
A Nvidia é hoje uma das empresas mais importantes do mundo e continua entregando números fortes. A receita recorde de US$ 81,6 bilhões, a liderança em data centers e a projeção de US$ 91 bilhões para o próximo trimestre mostram que a demanda por IA ainda está aquecida.
Mas o debate sobre bolha não pode ser ignorado. O mercado está pagando caro pela expectativa de que a inteligência artificial será a próxima grande plataforma econômica global. Se essa promessa demorar mais do que o esperado para se converter em lucro real para todo o ecossistema, a correção pode ser forte.
A conclusão é que a Nvidia continua sendo uma gigante real da inteligência artificial, mas o preço das ações já carrega expectativas muito altas. Para investidores, o momento exige menos euforia e mais análise de risco.
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