Um dos carros chineses mais conhecidos pelos brasileiros está de volta, mas completamente transformado. O novo Chery QQ3 elétrico abandonou a proposta de subcompacto simples e barato para assumir a forma de um hatch moderno, espaçoso e equipado com tecnologias normalmente encontradas em veículos mais caros.
A receptividade inicial chamou a atenção do mercado automotivo chinês. Durante uma das primeiras etapas de reservas, iniciada em fevereiro de 2026, o modelo recebeu 27.319 pedidos em apenas três horas. Posteriormente, a Chery informou ter acumulado mais de 56 mil encomendas durante o período de lançamento.
O interesse não ocorreu somente por causa da volta de um nome conhecido. O principal atrativo está na combinação de preço baixo, autonomia de até 420 km e dimensões comparáveis às de hatches compactos vendidos no Brasil.

No lançamento oficial realizado em 30 de março de 2026, a Chery anunciou quatro versões com preços promocionais entre 58.900 e 78.900 yuans. Em conversão direta, sem impostos, frete, margem comercial ou custos de homologação, o valor coloca o modelo em uma faixa muito inferior à dos principais carros elétricos vendidos atualmente no mercado brasileiro.
Chery QQ vendido no Brasil voltou completamente diferente
O antigo Chery QQ chegou ao Brasil em 2011 com a proposta de ser um dos automóveis zero-quilômetro mais baratos do país. Pequeno, com desenho simples e faróis arredondados, o modelo ajudou a tornar a fabricante chinesa conhecida entre os consumidores brasileiros.
A nova geração preserva algumas referências visuais do automóvel original, especialmente nos faróis ovais e nas formas arredondadas. Entretanto, praticamente todo o restante foi reformulado.
O QQ3 elétrico utiliza uma carroceria com cinco portas, grade frontal fechada, maçanetas semiembutidas e opções de pintura em dois tons. A proposta combina elementos retrô com soluções aerodinâmicas típicas dos veículos elétricos atuais.
O modelo também deixou de ser um pequeno carro urbano. Agora, mede 4,20 metros de comprimento, 1,81 metro de largura, aproximadamente 1,57 metro de altura e possui 2,70 metros de distância entre os eixos. Essas dimensões colocam o veículo em uma categoria superior à ocupada pelo antigo QQ.
Na prática, o novo Chery QQ3 é maior que o BYD Dolphin Mini e possui distância entre os eixos equivalente à de alguns hatches compactos. O espaço interno foi planejado para transportar cinco ocupantes, afastando o modelo da proposta de microcarro apresentada pela geração anterior.
Porta-malas e compartimento dianteiro aumentam a capacidade
Outro destaque está na capacidade de armazenamento. O porta-malas traseiro oferece 375 litros e pode chegar a 1.450 litros com os bancos rebatidos.
Como o motor elétrico está instalado no eixo traseiro, o espaço dianteiro também foi aproveitado. O chamado “frunk”, nome dado ao compartimento localizado sob o capô, possui aproximadamente 70 litros.
Além disso, o carro conta com outros espaços internos para objetos, incluindo um compartimento localizado abaixo do banco traseiro. Dependendo da configuração, a tampa traseira e o compartimento dianteiro podem ter abertura elétrica.
Autonomia chega a 420 km no ciclo chinês
O novo Chery QQ3 elétrico utiliza baterias de fosfato de ferro-lítio, conhecidas pela sigla LFP. Essa química é amplamente adotada em modelos de entrada por apresentar boa durabilidade, maior estabilidade térmica e custo de produção relativamente mais baixo.
São oferecidos dois conjuntos de bateria:
| Versão | Capacidade da bateria | Autonomia declarada |
| Entrada | 29,48 kWh | Até 310 km |
| Maior autonomia | 41,28 kWh | Até 420 km |
Os números foram obtidos no ciclo chinês CLTC, que costuma ser mais otimista que os padrões utilizados no Brasil e na Europa. Portanto, uma eventual autonomia homologada pelo Inmetro provavelmente seria inferior aos 420 km divulgados na China.
Ainda assim, a capacidade coloca o QQ3 em uma posição competitiva dentro do segmento de elétricos acessíveis. A fabricante também informa que a bateria pode recuperar de 30% a 80% da carga em aproximadamente 16,5 minutos quando conectada a um carregador rápido compatível.
Motor traseiro entrega até 121 cavalos
O hatch possui motor elétrico instalado no eixo traseiro e tração traseira, uma configuração pouco comum entre carros compactos de entrada.
Existem duas opções de motorização. A versão mais simples entrega 58 kW, equivalentes a aproximadamente 79 cavalos, e 90 Nm de torque. Já a configuração mais potente utiliza um motor de 90 kW, aproximadamente 121 cavalos, com torque de 115 Nm.

Nas duas configurações, a velocidade máxima informada é de 125 km/h. O conjunto foi desenvolvido principalmente para deslocamentos urbanos e rodoviários de curta e média distância, priorizando eficiência energética em vez de desempenho esportivo.
Interior tem tela de 15,6 polegadas e chip Snapdragon
O preço de entrada não impediu a Chery de incluir uma cabine tecnológica. O painel utiliza uma central multimídia flutuante de 15,6 polegadas com resolução 2.5K, além de quadro de instrumentos digital.
O sistema é processado pelo chip Qualcomm Snapdragon 8155, utilizado também por veículos chineses de segmentos superiores. Entre os recursos disponíveis estão assistente de voz com inteligência artificial, carregamento de celular por indução e atualizações remotas de software.
Versões superiores podem oferecer bancos dianteiros aquecidos e ventilados, tampa traseira elétrica e sistema avançado de assistência ao motorista Falcon 500. O pacote inclui funções de condução assistida em rodovias, embora o motorista continue responsável pelo controle do veículo.
Preço coloca QQ3 contra Geely EX2 e BYD Dolphin Mini
O novo QQ3 entra em uma das categorias mais disputadas da indústria chinesa. Seus principais concorrentes são modelos como Geely Xingyuan, comercializado em alguns mercados como EX2, BYD Seagull conhecido no Brasil como Dolphin Mini e Wuling Bingo.
A estratégia da Chery é oferecer dimensões maiores, bom nível de equipamentos e autonomia competitiva sem abandonar o posicionamento de baixo custo.
A tabela promocional de lançamento começou em 58.900 yuans para a versão de 310 km. Já os modelos com bateria de maior capacidade e alcance de até 420 km partiram de aproximadamente 68.900 yuans, chegando a 78.900 yuans nas configurações superiores.
Esses valores não podem ser usados como estimativa direta de preço para o Brasil. Um automóvel importado está sujeito a imposto de importação, frete internacional, tributos internos, custos de homologação, logística, garantia e margem da rede de concessionárias.
Novo Chery QQ3 será vendido no Brasil?
Até o momento, Chery e Caoa Chery não confirmaram oficialmente o lançamento do novo QQ3 elétrico no Brasil. O modelo permanece direcionado ao mercado chinês, sem cronograma divulgado para exportação ou produção nacional.
Apesar disso, o Brasil surge naturalmente nas especulações porque o nome QQ é conhecido no país e a Caoa Chery possui operação industrial, concessionárias e estrutura comercial consolidada.
Uma eventual chegada dependeria de decisões comerciais, adaptação às normas brasileiras e definição sobre importação ou produção local. O preço praticado na China, portanto, não significa que o carro poderia ser vendido no Brasil pelo equivalente a R$ 50 mil.
A diferença em relação ao mercado brasileiro continua expressiva. Em julho de 2026, modelos elétricos de maior distribuição permanecem próximos ou acima de R$ 100 mil. O Renault Kwid E-Tech aparece anunciado por R$ 99.990, enquanto o BYD Dolphin Mini possui ofertas na faixa de R$ 118.990.
Entre os automóveis a combustão mais baratos, o Fiat Mobi Like custa cerca de R$ 72.490, enquanto Citroën C3 e Renault Kwid já ultrapassam R$ 76 mil e R$ 82 mil, respectivamente.
QQ3 mostra como a China está reduzindo o preço dos elétricos
Ainda que não tenha lançamento confirmado no Brasil, o Chery QQ3 elétrico demonstra como a escala industrial chinesa está acelerando a redução dos preços dos veículos movidos a bateria.
O modelo reúne carroceria para cinco passageiros, autonomia urbana competitiva, central multimídia avançada, bateria LFP e assistência eletrônica por um preço inferior ao de muitos automóveis básicos vendidos em outros mercados.
Isso não representa necessariamente o fim imediato dos carros populares a gasolina. No Brasil, fatores como infraestrutura de recarga, preço da energia, custo do seguro, valor de revenda e disponibilidade de assistência técnica ainda influenciam a decisão do consumidor.
Entretanto, o sucesso inicial do QQ3 reforça uma tendência: os veículos elétricos chineses estão deixando de competir apenas pela tecnologia e passando a disputar diretamente o mercado de entrada.
Caso modelos desse tipo sejam produzidos ou comercializados no Brasil por valores próximos aos de Fiat Mobi, Citroën C3 e Renault Kwid, a indústria nacional poderá enfrentar uma mudança importante. Nesse cenário, o carro elétrico deixaria de ser uma alternativa restrita aos consumidores de maior renda e passaria a disputar o espaço historicamente ocupado pelos automóveis populares a combustão.
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