avanço do mar em Vera Cruz, na Região Metropolitana de Salvador, tem transformado a paisagem e a vida de milhares de moradores. Locais que antes eram pontos de lazer e turismo, como campos de futebol, bares e barracas de praia, hoje estão submersos pelas águas que avançaram dezenas de metros sobre a faixa de areia.
Memórias soterradas pelas ondas
Um dos relatos mais marcantes é o de famílias que perderam imóveis inteiros, como o Piratas Bar e o Martas Bar, que já não existem mais. “Aqui onde hoje só vemos mar, havia um campo de futebol. O mar levou tudo, e depois foi a vez da rua desaparecer”, conta um morador.
A destruição não atingiu apenas os moradores, mas também o turismo local. A ausência de praia afastou visitantes, hóspedes e clientes, provocando queda na renda de bares, restaurantes e pousadas da região.
A luta pela sobrevivência
Em Caixa Prego, a população busca alternativas para manter seus negócios de pé. Restaurantes como o Caiambá, fundado em 1991, tiveram que se adaptar construindo estruturas de madeira e palafitas para resistir ao impacto das ondas e continuar recebendo clientes.
Muitos moradores investiram economias próprias em obras emergenciais. Apenas em pedras para tentar segurar o avanço das águas, alguns gastaram mais de R$ 20 mil. Mesmo assim, muros e garagens foram destruídos pela força da maré.
O peso emocional da tragédia
O impacto não é apenas material. O drama psicológico é visível nos depoimentos. “Toda noite o mar bate no muro, parece um trovão. É viver com medo de perder tudo a qualquer momento”, desabafa outro morador, que chegou a desenvolver problemas de saúde em consequência do estresse.
Obras de contenção e esperança
Após anos de pressão, o Governo da Bahia concluiu em 2024 uma obra de contenção na orla de Caixa Prego, utilizando blocos defletores e geocilindros. A intervenção começou a trazer de volta parte da faixa de areia, mas moradores questionam a extensão da obra e afirmam que o trabalho precisa ser ampliado para outras áreas.
Mesmo entre críticas e incertezas, há quem mantenha a esperança. “Quando vemos a praia retornando, é como se fosse um milagre. É nosso cartão-postal voltando à vida”, afirmou uma comerciante local.
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