O empréstimo bilionário que os Correios buscam contratar para evitar um colapso operacional ganhou novos desdobramentos após a divulgação de que a taxa de juros negociada deve chegar a 136% do CDI, nível muito acima do que a própria diretoria da estatal esperava — e que agora está sendo oficialmente questionado pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU).
A informação foi divulgada durante análise técnica feita na CNN, revelando que o custo da operação surpreendeu até mesmo fontes internas da empresa, que trabalhavam com expectativa de juros próximos a 120% do CDI, já considerados elevados. O movimento também chamou atenção dentro do governo, que agora aguarda posicionamento da Secretaria do Tesouro Nacional, responsável por validar a operação como garantidora.
Por que a taxa explodiu para 136% do CDI?
Segundo apurações, dois fatores pesaram diretamente para que os bancos elevassem as exigências:
1. Alto risco de inadimplência dos Correios
A empresa vive um dos piores cenários financeiros de sua história recente. Apenas em 2025, o déficit operacional já ultrapassa R$ 6 bilhões, valor necessário para manter serviços básicos, pagar fornecedores e honrar salários.
Nos últimos anos, o acúmulo de prejuízos fez despencar a nota de crédito – análise que determina a capacidade de pagamento do tomador. Quanto maior o risco, maior a taxa exigida pelos bancos.
2. Nenhum banco aceitou assumir sozinho o risco
O valor total do empréstimo — estimado em até US$ 4 bilhões (aproximadamente R$ 20 bilhões) — é considerado arriscado demais para que uma instituição financeira assuma integralmente.
Por isso, foi formado um pool de bancos, uma espécie de consórcio bancário, cada qual assumindo parte do risco. Segundo fontes da estatal, essa divisão também elevou o custo final da operação.
Comparação com o mercado acende ainda mais o alerta
Analistas ouvidos pela CNN destacam que a taxa oferecida — 136% do CDI — se aproxima da praticada por instituições consideradas de maior risco, como o Banco Master, envolvido em recentes questionamentos no mercado financeiro.
O próprio TCU já havia alertado que uma taxa de 120% do CDI estaria acima do mercado. Agora, com a escalada para 136%, o receio é de que a operação gere um impacto ainda maior nas finanças públicas caso haja inadimplência.
Falta de aval do Tesouro impede liberação imediata
Apesar de o Conselho de Administração dos Correios já ter autorizado o empréstimo, a operação não pode avançar sem a aprovação do Ministério da Fazenda.
O Tesouro Nacional funciona, na prática, como garantidor, e por isso tem poder de veto. Caso o Tesouro considere a taxa abusiva ou o risco alto demais para as contas públicas, o empréstimo pode ser reestruturado ou até mesmo barrado.
O que está em jogo
A sobrevivência operacional dos Correios em 2025 depende diretamente dessa injeção de recursos. Sem o empréstimo:
serviços essenciais podem ser comprometidos;
pagamentos a fornecedores e funcionários correm risco;
atrasos logísticos podem se agravar;
a estatal pode mergulhar em um ciclo ainda maior de endividamento.
A pressão agora está no Ministério da Fazenda, que precisa decidir entre salvar a estatal do colapso ou impedir que o governo assuma um risco considerado excessivo por órgãos de controle.
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