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Início » Últimas Notícias » Dino aciona PF e revela possível esquema milionário em emendas Pix: relatório aponta ilegalidades graves
Mercados

Dino aciona PF e revela possível esquema milionário em emendas Pix: relatório aponta ilegalidades graves

Decisão do ministro Flávio Dino ocorre após relatório da CGU identificar falhas generalizadas, superfaturamento e serviços não executados em 20 governos que receberam mais de R$ 72 milhões.
André CarvalhoPor André Carvalho9 de dezembro de 20253 minutos lidos
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou que a Polícia Federal abra investigação para apurar um possível quadro generalizado de ilicitudes no uso das chamadas “emendas Pix” (ou emendas PIC), utilizadas por parlamentares para transferir recursos diretamente a municípios e estados.

A ordem ocorre após um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) revelar que nenhum dos 20 governos auditados – 19 municípios e o estado de Santa Catarina – cumpriu totalmente as regras legais. As transferências somam mais de R$ 72 milhões, enviados sem o devido cadastro ou documentação obrigatória até fevereiro deste ano.

Segundo a CGU, as irregularidades encontradas são graves e se repetem em praticamente todos os entes públicos analisados.

Principais irregularidades encontradas pela CGU

Tipo de irregularidadeDetalhamentoImpacto para o dinheiro público
Falta de transparênciaAusência de informações mínimas exigidas por leiImpede controle social e auditorias
SuperfaturamentoValores acima do mercado em contratos e serviçosPrejuízo direto aos cofres públicos
Descumprimento de planos de trabalhoExecução parcial ou fora do previstoDesvio de finalidade da verba
Pagamentos por serviços não realizadosDesembolso por obras ou ações inexistentesPotencial crime de peculato
Baixa rastreabilidadeFalta de registros adequados para rastrear o fluxo do dinheiroDificulta responsabilização e investigação

Decisão do STF reforça gravidade do caso

No despacho, Dino destaca que os relatórios da CGU “evidenciam um quadro grave de ilegalidades”, contrariando decisões anteriores do STF sobre o controle de recursos federais.

O ministro também citou o aumento de investigações em diversas regiões do país e em órgãos como:

  • Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba)

  • DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra Secas)

Ambas as instituições já foram alvo de suspeitas envolvendo direcionamento de emendas e contratos públicos.

Novas determinações de Dino: fiscalização ampliada e novas regras

Dino exige que:

1. CGU apresente, em até 30 dias, um plano nacional de auditorias

Esse plano deve fiscalizar todas as modalidades de emendas parlamentares já em 2026, cobrindo todas as regiões do país.

2. AGU entregue, em até 60 dias, um relatório com denúncias formalizadas

O documento deverá compilar suspeitas, evidências e ações judiciais sobre irregularidades no uso das emendas.

Regras mais rígidas para emendas usadas na saúde

Mais cedo, Dino também determinou que emendas de bancada e de comissão só poderão financiar despesas de pessoal da saúde se houver:

  • Transparência total na execução

  • Listas nominais dos servidores beneficiados

  • Valores detalhados pagos

  • Contas específicas e rastreáveis para todas as etapas da transferência

A decisão veio após o Congresso aprovar, em novembro, uma resolução autorizando o pagamento de pessoal com essas emendas — medida que levou o TCU a revisar decisões anteriores sobre o tema.

STF ainda não decidiu sobre constitucionalidade

Dino explicou que o objetivo, por ora, não é discutir se é constitucional usar emendas para pagar salários, mas garantir controle, transparência e rastreabilidade total dos repasses.

A medida tenta evitar que recursos federais se tornem uma “zona cinzenta” sem prestação de contas adequada — cenário considerado pela CGU como de alto risco para desvios e fraudes.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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