A BMW R 1250 GS continua chamando atenção no mercado de motos seminovas mesmo após a chegada de sua sucessora. Um dos principais motivos é o conjunto de suspensão formado pelos sistemas Telelever, na dianteira, e Paralever, na traseira.
Nas redes sociais, a tecnologia chegou a ser chamada informalmente de “suspensão da NASA”, devido ao seu funcionamento diferente das suspensões convencionais. O apelido não é uma denominação oficial da BMW, mas ajuda a mostrar a percepção dos motociclistas sobre a sofisticação do conjunto.
A tecnologia promete reduzir o mergulho da dianteira nas frenagens, controlar melhor os movimentos da traseira e ampliar a sensação de estabilidade durante viagens.
Como funciona o sistema Telelever
Em uma motocicleta convencional, o garfo dianteiro concentra boa parte das funções de direção e absorção dos impactos. Na BMW R 1250 GS, o Telelever utiliza um braço articulado e um amortecedor central para separar parte dessas funções.
Na prática, a dianteira tende a afundar menos durante frenagens fortes. A transferência de peso continua acontecendo, mas a moto sofre uma alteração menor em sua posição e geometria.
Isso pode transmitir ao piloto maior estabilidade, especialmente em estradas, curvas e situações nas quais a moto está carregada com passageiro e bagagens.
O comportamento é diferente daquele encontrado em motocicletas com garfo telescópico tradicional. Alguns motociclistas estranham inicialmente a menor movimentação da dianteira, enquanto outros consideram essa característica um dos maiores pontos positivos da GS.
Paralever ajuda a controlar a traseira
Na parte traseira, a BMW utiliza o sistema Paralever, associado à balança monobraço e à transmissão final por eixo cardã.
O conjunto foi desenvolvido para reduzir as reações provocadas pelo cardã durante acelerações e desacelerações. Em sistemas mais simples, essas forças podem levantar ou abaixar a traseira da motocicleta de maneira mais perceptível.
Com o Paralever, a BMW busca manter a moto mais equilibrada, melhorando o contato do pneu com o solo e reduzindo movimentos indesejados.
A combinação entre Telelever e Paralever é uma das características que diferenciam a R 1250 GS de modelos menores da própria marca, como as linhas 750, 800, 850 e 900.
É a suspensão mais confortável do mundo?
A afirmação de que a BMW R 1250 GS possui a “suspensão mais confortável do mundo” é subjetiva. O nível de conforto depende de fatores como regulagem, pneus, peso transportado, qualidade do piso, banco e preferência do piloto.
Apesar disso, o sistema da BMW é reconhecido por proporcionar estabilidade e reduzir movimentos bruscos da motocicleta. Em viagens longas, essa característica pode diminuir o cansaço e aumentar a confiança do condutor.
Versões mais equipadas também podem contar com suspensão eletrônica Dynamic ESA. O sistema ajusta o amortecimento conforme o modo de pilotagem e as condições de uso.
Dependendo da configuração, o motociclista pode adaptar o conjunto para viajar sozinho, com passageiro, bagagem ou enfrentar trechos fora do asfalto.
Ajustes ajudam pilotos de diferentes alturas
Outro ponto destacado pelos proprietários é a possibilidade de ajustar a posição do banco e a configuração da suspensão.
A R 1250 GS não é uma motocicleta pequena, mas a regulagem correta pode ajudar pilotos de diferentes estaturas a encontrar uma posição mais segura. O banco pode ter mais de uma posição, enquanto a suspensão eletrônica altera a pré-carga conforme a carga transportada.
Isso não significa que a moto será adequada para todos os pilotos. Antes da compra, é importante sentar na motocicleta, testar o alcance dos pés ao chão e verificar a configuração instalada.
A versão Adventure, por exemplo, geralmente possui porte maior, suspensão mais alta e tanque com maior capacidade, o que pode dificultar o uso por pessoas de menor estatura.
R 1250 GS segue valorizada entre as seminovas
Mesmo fora de linha, a R 1250 GS mantém forte presença no mercado de usadas. Unidades de anos mais recentes podem custar valores próximos aos de motos novas de menor cilindrada.
Esse cenário faz muitos consumidores compararem uma big trail seminova com modelos zero-quilômetro da categoria intermediária.
A escolha, porém, não deve considerar somente o preço. A BMW possui motor de maior cilindrada, equipamentos eletrônicos, transmissão por cardã e componentes que podem elevar o custo de manutenção.
Por outro lado, unidades bem conservadas e equipadas podem oferecer acessórios caros, como baús originais, protetores de cilindro, suportes laterais, faróis auxiliares e peças de proteção.
O que verificar antes da compra
Antes de comprar uma BMW R 1250 GS usada, o interessado deve analisar o histórico de manutenção, o estado da suspensão eletrônica e o funcionamento dos equipamentos.
Também é importante verificar pneus, rodas, freios, cardã, bateria, quickshifter, chave presencial, modos de pilotagem e possíveis marcas de queda nos cilindros.
Como o motor boxer fica projetado para as laterais, os protetores de cilindro são importantes para reduzir danos em tombamentos de baixa velocidade.
A avaliação deve ser feita, de preferência, em uma oficina especializada. Um diagnóstico eletrônico pode identificar falhas que não aparecem durante uma inspeção visual.
Tecnologia mantém a BMW R 1250 GS atual
A BMW R 1250 GS não possui literalmente uma “suspensão da NASA”, mas reúne soluções de engenharia que explicam sua reputação de conforto e estabilidade.
O Telelever reduz a movimentação da dianteira nas frenagens, enquanto o Paralever controla as reações da transmissão por cardã. Juntos, os sistemas entregam uma experiência diferente da maioria das motocicletas convencionais.
Para quem busca uma big trail seminova pronta para viagens, a R 1250 GS ainda pode ser uma opção interessante. A compra, no entanto, deve depender do estado da unidade, do histórico de revisões e do custo de manutenção, não apenas da fama do modelo.
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