A Bee U1+ surge como uma alternativa para quem procura uma moto elétrica compacta, silenciosa e voltada principalmente aos deslocamentos urbanos. Apesar das dimensões semelhantes às de equipamentos de mobilidade individual, o modelo entrega desempenho superior ao de um autopropelido convencional, alcançando até 65 km/h e utilizando um motor Bosch com potência máxima de 3.000 W.
A proposta é oferecer a praticidade de uma scooter pequena sem restringir o condutor aos 32 km/h normalmente associados aos equipamentos autopropelidos. Para isso, a U1+ é comercializada como um veículo homologado na categoria de motocicleta, exigindo documentação, placa, licenciamento e habilitação adequada para circular legalmente.
Segundo a avaliação prática que serviu de base para esta matéria, a moto foi utilizada por mais de um mês em diferentes condições urbanas. O teste destacou a facilidade de condução, a eficiência energética e o desempenho consistente da bateria, mas também apontou que o preço acima de R$ 17 mil pode limitar o alcance comercial do produto.
Motor Bosch de 3.000 W leva a Bee U1+ aos 65 km/h
Um dos principais destaques da Bee U1+ é o motor elétrico Bosch instalado diretamente na roda traseira. O sistema do tipo hub pode atingir 3.000 W de potência e entrega força suficiente para deslocamentos urbanos, subidas e retomadas dentro da proposta do modelo.
A velocidade máxima anunciada é de 65 km/h. Durante o teste relatado, a moto conseguiu atingir esse limite mesmo com um condutor pesando mais de 110 kg. O desempenho, entretanto, parece ser limitado eletronicamente, já que o velocímetro não ultrapassou a mesma marca durante verificações com a roda suspensa.
A própria divulgação do produto informa motor Bosch de até 3.000 W e velocidade máxima próxima de 65 km/h.
A U1+ também oferece dois modos de condução. O modo econômico reduz o desempenho para priorizar a autonomia, enquanto o modo Power libera respostas mais rápidas e permite alcançar a velocidade máxima.
Na prática, o modo mais potente tende a ser utilizado com maior frequência, especialmente em avenidas onde acompanhar o fluxo dos demais veículos é importante para a segurança do motociclista.
Bateria removível facilita a recarga em apartamentos
A energia é armazenada em uma bateria de lítio de 60 V e 26 Ah, instalada na região central do assoalho. O conjunto pode ser removido com o auxílio da chave, permitindo que o proprietário leve a bateria até uma tomada sem precisar estacionar a moto próxima ao ponto de recarga.
Essa característica pode ser especialmente interessante para moradores de prédios, condomínios ou imóveis sem garagem equipada com tomada.
A bateria também possui um sistema de travamento para dificultar a retirada por pessoas não autorizadas. O carregamento pode ser realizado com o conjunto instalado na moto ou diretamente na bateria após a remoção.
A autonomia declarada fica em aproximadamente 60 km, dependendo da velocidade, do peso transportado, da topografia, da calibragem dos pneus e do modo de condução.
Autonomia real ficou próxima de 52 km no modo mais potente
Durante o teste prático, a Bee U1+ percorreu entre 50 km e 52 km utilizando predominantemente o modo Power. O resultado foi obtido com um condutor acima de 110 kg, condição mais exigente do que o padrão normalmente utilizado pelas fabricantes nos testes de autonomia.
A marca de aproximadamente 52 km foi considerada positiva porque representa uma diferença relativamente pequena em relação aos 60 km divulgados em condições ideais.
De acordo com o relato, o desempenho também permaneceu consistente durante a descarga. A moto conservou boa capacidade de aceleração mesmo quando o indicador de bateria se aproximou de zero, sem apresentar aquecimento excessivo ou falhas durante o percurso.
Essa eficiência pode estar relacionada ao baixo peso do veículo e ao motor instalado diretamente na roda, configuração que reduz perdas mecânicas por não utilizar corrente, correia ou componentes tradicionais de transmissão.
Rodas de 12 polegadas e freios CBS ampliam a segurança
A Bee U1+ utiliza rodas de 12 polegadas, maiores que as encontradas em diversos modelos compactos da marca. A configuração ajuda a atravessar irregularidades, buracos e pequenas ondulações do asfalto com maior estabilidade.
Na dianteira, o modelo conta com garfo hidráulico. Na traseira, são utilizados dois amortecedores com molas. O conjunto não transforma a U1+ em uma moto indicada para terrenos difíceis, mas oferece conforto compatível com sua utilização urbana.
A frenagem é realizada por discos nas duas rodas. O sistema CBS distribui parte da força entre os freios dianteiro e traseiro para tornar as desacelerações mais equilibradas.
Embora os freios tenham apresentado bom desempenho durante o teste, a ausência de ABS pode ser considerada uma limitação em um veículo com preço superior a R$ 17 mil. A adoção do sistema antitravamento poderia ampliar a segurança em frenagens emergenciais e pisos de baixa aderência.
Iluminação em LED e entrada USB estão entre os equipamentos
A scooter possui iluminação em LED na dianteira e na traseira, luz de freio, indicadores de direção, iluminação da placa e função de pisca-alerta.
O painel digital apresenta informações como velocidade, nível da bateria, modo de condução e distância percorrida. No guidão, o motociclista encontra os comandos de farol alto e baixo, buzina, setas e seleção dos modos Eco e Power.
Também há uma entrada USB do tipo A para carregar celulares e outros dispositivos durante o deslocamento.
A estrutura permite instalar acessórios na parte dianteira e na região traseira. O segundo assento pode ser substituído por suportes, baús ou estruturas voltadas ao transporte de pequenas cargas.
Moto é confortável para o condutor, mas apertada para o passageiro
As dimensões reduzidas tornam a U1+ fácil de manobrar, estacionar e conduzir em ambientes urbanos. O baixo peso transmite uma sensação próxima à de uma bicicleta elétrica, mas com aceleração e velocidade superiores.
A posição de condução foi considerada confortável, com áreas laterais para apoiar os pés e banco de tamanho adequado para o piloto.
O modelo também oferece assento traseiro, apoio para os pés e pequeno encosto para o passageiro. No entanto, o espaço disponível é limitado. Viagens com duas pessoas podem ser menos confortáveis, principalmente quando os ocupantes são altos ou possuem maior peso.
Embora a capacidade estrutural anunciada permita transportar mais de 200 kg, o tamanho físico do banco traseiro torna o recurso mais indicado para percursos curtos.
Bee U1+ pode circular como autopropelido?
Não. Apesar do formato compacto, a versão U1+ não se enquadra como equipamento de mobilidade individual autopropelido porque ultrapassa os limites técnicos dessa categoria.
A Resolução Contran nº 996 estabelece que equipamentos autopropelidos devem ter velocidade máxima de fabricação de até 32 km/h, largura de até 70 centímetros e distância entre eixos de até 1,30 metro.
A Bee U1 convencional, limitada a aproximadamente 32 km/h e equipada com motor de 800 W, aparece no site da marca como um modelo inserido na categoria dos autopropelidos.
A U1+, por outro lado, chega a 65 km/h. A divulgação comercial do modelo informa que o veículo é homologado como motocicleta. Dessa maneira, o proprietário deve observar as exigências aplicáveis, incluindo registro, emplacamento, licenciamento, capacete e habilitação na categoria correspondente.
Também é importante verificar as regras de circulação. Mesmo sendo documentada, uma moto cuja velocidade máxima é de 65 km/h pode apresentar riscos em rodovias, marginais e vias nas quais automóveis e caminhões trafegam acima desse limite.
Desempenho é adequado para a cidade, mas limitado em vias rápidas
Nas ruas e avenidas urbanas, a Bee U1+ consegue acompanhar o fluxo com relativa facilidade. A velocidade de 65 km/h é suficiente para grande parte dos trajetos cotidianos, especialmente em regiões congestionadas.
O cenário muda em vias expressas ou rodovias. Quando os demais veículos trafegam a 80 km/h, 100 km/h ou mais, a diferença de velocidade pode deixar o motociclista vulnerável durante ultrapassagens e mudanças de faixa.
O próprio teste destacou que a moto se mostrou agradável no ambiente urbano, mas desconfortável quando colocada em vias de maior velocidade. Por isso, mesmo quando a circulação estiver legalmente permitida, é necessário avaliar se o trajeto é compatível com a capacidade do veículo.
Preço acima de R$ 17 mil é o principal ponto negativo
O preço é a principal barreira enfrentada pela Bee U1+. Conforme a avaliação utilizada como referência, unidades novas estavam sendo comercializadas por valores superiores a R$ 17 mil.
Nessa faixa, o consumidor encontra motocicletas a combustão com maior velocidade, autonomia superior e estrutura mais robusta. Também existem scooters elétricas mais baratas, embora nem sempre ofereçam motor, bateria, documentação e acabamento equivalentes.
A comparação, entretanto, não deve considerar apenas o preço de compra. Veículos elétricos normalmente apresentam menos componentes móveis, dispensam trocas de óleo e possuem custo de energia inferior ao gasto com combustível.
O motor Bosch, a bateria de lítio removível e a construção robusta podem representar maior durabilidade no longo prazo. Ainda assim, o custo inicial elevado transforma a Bee U1+ em um produto voltado a um público específico.
Vale a pena comprar a Bee U1+?
A Bee U1+ pode fazer sentido para quem precisa de um veículo compacto para trajetos urbanos, mora em apartamento, deseja retirar a bateria para carregar e busca uma opção elétrica com documentação regular.
Entre os pontos positivos estão o motor Bosch, a autonomia real próxima de 52 km, os freios a disco nas duas rodas, a bateria removível e a facilidade de condução.
Por outro lado, o preço acima de R$ 17 mil, a ausência de ABS, o espaço limitado para o passageiro e a velocidade inadequada para vias rápidas devem ser considerados antes da compra.
O modelo não pretende substituir uma motocicleta convencional em todos os cenários. Sua principal vantagem está na combinação de tamanho reduzido, economia operacional e desempenho suficiente para os deslocamentos urbanos.
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