Banco do Brasil e Petrobras permanecem entre as ações mais acompanhadas da Bolsa brasileira, principalmente por investidores interessados em dividendos. Mas os resultados recentes mostram que BBAS3 e PETR4 atravessam momentos bastante diferentes.
De um lado, o Banco do Brasil voltou a apresentar crescimento sequencial do lucro, mas ainda enfrenta inadimplência elevada e fortes despesas relacionadas ao risco de crédito. Do outro, a Petrobras continua registrando elevada geração de caixa, produção robusta e pagamentos bilionários aos acionistas.
A comparação ajuda a entender por que apenas observar lucro, preço da ação ou dividend yield pode não ser suficiente para escolher entre os dois ativos.
BBAS3 lucra R$ 3,9 bilhões, mas inadimplência ainda pesa
O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado próximo de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, com recuperação em relação ao trimestre anterior.
A margem financeira bruta ficou perto de R$ 27,5 bilhões, enquanto a carteira de crédito permanece na casa de R$ 1,3 trilhão.
O problema continua sendo a qualidade dessa carteira.
A inadimplência acima de 90 dias chegou a aproximadamente 5,61%, enquanto o custo do crédito ficou próximo de R$ 18,5 bilhões no trimestre.
Isso significa que, mesmo com receitas relevantes, uma parcela importante dos resultados continua sendo consumida pelas provisões destinadas a cobrir possíveis perdas.
A situação também permanece sensível no agronegócio e entre pessoas físicas, dois segmentos importantes para o banco.
Banco do Brasil precisa acelerar para cumprir o guidance
O BB trabalha com projeção de lucro ajustado entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões em 2026.
Depois de acumular cerca de R$ 7,3 bilhões no primeiro semestre, o banco precisará apresentar uma melhora relevante nos dois últimos trimestres para alcançar a faixa prevista.
A principal variável será o custo do crédito.
Se a inadimplência estabilizar e as despesas com provisões começarem a recuar, o lucro poderá ganhar força. Caso contrário, o mercado poderá continuar tratando o desconto de BBAS3 com cautela.
BBAS3 ainda paga proventos
Apesar da queda dos dividendos em relação aos melhores anos do banco, BBAS3 continua remunerando seus acionistas.
O Banco do Brasil aprovou cerca de R$ 584,9 milhões em juros sobre capital próprio referentes ao segundo trimestre, equivalentes a aproximadamente R$ 0,1025 por ação, antes dos ajustes previstos.
Terão direito ao pagamento os investidores posicionados em 1º de setembro. As ações passam a ser negociadas sem direito ao provento em 2 de setembro, e o pagamento está programado para 11 de setembro de 2026.
O valor, entretanto, ainda está distante dos períodos em que o Banco do Brasil figurava entre os maiores pagadores de dividendos da Bolsa.
CVM adiciona novo ponto de atenção
Outro assunto envolvendo BBAS3 é o processo administrativo sancionador relacionado a declarações feitas pela presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, durante a apresentação dos resultados de 2025.
Na ocasião, a executiva afirmou que quem possuía ações deveria mantê-las e que quem não tinha deveria comprar.
O caso será analisado pela Comissão de Valores Mobiliários.
É importante destacar que a existência de um processo não representa condenação. Há direito de defesa e o caso ainda precisa ser julgado.
Para o investidor, porém, o episódio adiciona ruído de governança justamente quando o banco já enfrenta questionamentos sobre rentabilidade e qualidade da carteira de crédito.
Petrobras lucra R$ 52,4 bilhões
A Petrobras vive uma situação operacional diferente.
A companhia informou lucro líquido de aproximadamente R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, impulsionada pela forte geração operacional.
A produção continua sendo um dos principais pilares da tese.
O pré-sal responde por grande parte do petróleo produzido pela companhia, enquanto campos como Búzios seguem expandindo volumes.
Isso permite que a Petrobras mantenha elevada geração de caixa mesmo depois de aumentar seus investimentos.
PETR4 tem R$ 17,4 bilhões em novos proventos
O Conselho de Administração da Petrobras aprovou aproximadamente R$ 17,4 bilhões em remuneração aos acionistas, equivalentes a cerca de R$ 1,35 por ação, considerando ações ordinárias e preferenciais.
A política atual prevê distribuição equivalente a 45% do fluxo de caixa livre, desde que sejam respeitadas determinadas condições financeiras.
Isso ajuda a explicar por que PETR4 continua sendo uma das principais ações procuradas por investidores interessados em renda.
A distribuição futura, porém, dependerá da geração de caixa, do preço do petróleo, dos investimentos e do nível de endividamento.
Descoberta no Amapá pode ajudar o crescimento futuro
A Petrobras também confirmou presença de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, localizado na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial.
O poço está aproximadamente 175 quilômetros distante da costa do Amapá, em águas ultraprofundas.
A descoberta chamou atenção porque a Petrobras busca novas áreas capazes de complementar o pré-sal no futuro.
Ainda é cedo, entretanto, para estimar quanto petróleo poderá ser comercialmente recuperado.
Novos poços, testes e estudos geológicos serão necessários antes que a companhia possa determinar a viabilidade econômica da descoberta.
BBAS3 x PETR4: quem está melhor?
Os dois ativos oferecem teses bastante diferentes neste momento.
| Indicador | BBAS3 | PETR4 |
| Lucro mais recente | R$ 3,9 bilhões | R$ 52,4 bilhões |
| Principal risco | Inadimplência | Petróleo e investimentos |
| Provento recente | R$ 584,9 milhões | R$ 17,4 bilhões |
| Principal gatilho | Queda do custo de crédito | Produção e geração de caixa |
No Banco do Brasil, a tese depende principalmente de uma normalização da carteira de crédito.
Na Petrobras, a discussão está concentrada na sustentabilidade da produção, do fluxo de caixa e dos dividendos.
Preço-teto de BBAS3
Considerando, apenas como exercício, uma projeção de aproximadamente R$ 0,90 por ação em proventos anuais, os preços-teto seriam:
| Dividend yield desejado | Preço-teto |
| 4% | R$ 22,50 |
| 6% | R$ 15,00 |
| 8% | R$ 11,25 |
| 10% | R$ 9,00 |
O cálculo não representa recomendação de compra ou preço-alvo. Ele mostra apenas quanto um investidor poderia pagar considerando determinado retorno desejado em dividendos.
Preço-teto de PETR4
Utilizando uma projeção hipotética de R$ 4,55 por ação em dividendos, o resultado seria:
| Dividend yield desejado | Preço-teto |
| 4% | R$ 113,75 |
| 6% | R$ 75,83 |
| 8% | R$ 56,88 |
| 10% | R$ 45,50 |
No caso da Petrobras, é especialmente importante lembrar que dividendos passados não garantem pagamentos futuros.
BBAS3 ou PETR4?
BBAS3 pode atrair investidores pela forte desvalorização e pelo desconto em relação ao patrimônio, mas o mercado ainda exige sinais mais claros de recuperação da rentabilidade e redução da inadimplência.
PETR4, por sua vez, combina produção elevada, geração de caixa e dividendos relevantes, porém já passou por forte valorização e continua exposta às oscilações do petróleo e às decisões de investimento da companhia.
Por isso, a questão central não é simplesmente saber qual empresa lucra mais.
Para quem compara BBAS3 x PETR4, o mais importante é identificar qual delas apresenta maior capacidade de transformar seus resultados atuais em lucros sustentáveis e dividendos ao longo dos próximos anos.
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