O Banco Master passou a ser investigado por uma nova suspeita de fraude que pode ultrapassar R$ 11 bilhões, envolvendo operações financeiras realizadas por meio de fundos ligados a uma empresa investigada por lavagem de dinheiro associada ao PCC.
A apuração ganhou força após a Polícia Federal ouvir, em longos depoimentos, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB).
Segundo investigadores, há indícios de que recursos teriam sido movimentados por meio de fundos registrados em nome de laranjas, alguns deles alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada para investigar esquemas de lavagem de dinheiro por empresas financeiras e postos de combustíveis.
Relatório do Banco Central acendeu o alerta
Um relatório enviado pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União (TCU) detalha operações suspeitas realizadas pelo Banco Master, incluindo investimentos em fundos que somam mais de R$ 11 bilhões em transações.
Entre os pontos destacados pelo BC estão:
Investimentos em fundos ligados a empresas investigadas pela PF
Uso de estruturas financeiras para ocultar a origem dos recursos
Relação direta com a REAG Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, cujas operações com o Banco Master ultrapassaram R$ 11 bilhões
Em outubro, a holding ligada à REAG foi proibida de operar na B3, e o caso foi oficialmente encaminhado ao Ministério Público Federal.
Contradições em acareação complicam situação dos investigados
Após mais de cinco horas de depoimentos, Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa ficaram frente a frente em uma acareação, determinada no âmbito da investigação que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, com relatoria do ministro Dias Toffoli.
De acordo com a avaliação da PF e da Procuradoria-Geral da República, os dois investigados caíram em contradição, especialmente ao explicar:
Como se deu a negociação de compra do Banco Master pelo BRB
A origem de uma carteira bilionária de títulos
As garantias de pagamento desses papéis
Os critérios usados para que o dinheiro retornasse aos cofres públicos
A principal suspeita é de que o BRB teria adquirido mais de R$ 12 bilhões em títulos inexistentes, numa tentativa de injetar recursos artificialmente no Banco Master para evitar sua quebra.
Banco Central vetou compra e determinou liquidação
Diante da gravidade das suspeitas, o Banco Central vetou a compra do Banco Master pelo BRB e determinou a liquidação da instituição, movimento considerado raro e extremo no sistema financeiro brasileiro.
Durante as oitivas, houve inclusive um clima de tensão entre representantes da PF e do gabinete do STF, após questionamentos sobre a condução dos depoimentos e a lista de perguntas apresentada, interpretada pela Polícia Federal como possível interferência.
Congresso articula CPI do Banco Master
No Congresso Nacional, parlamentares da oposição afirmam já ter número suficiente de assinaturas para a criação de uma CPI destinada a investigar o caso Banco Master.
A comissão deve apurar:
A atuação do Banco Master
O papel do BRB na operação
A fiscalização do Banco Central
Possíveis ligações com lavagem de dinheiro e organizações criminosas
Resumo dos principais pontos da investigação
| Ponto-chave | Detalhes |
|---|---|
| Valor sob suspeita | Mais de R$ 11 bilhões |
| Órgãos envolvidos | PF, Banco Central, MPF, STF |
| Principais investigados | Dono do Banco Master e ex-presidente do BRB |
| Operações suspeitas | Fundos ligados a empresas investigadas |
| Situação atual | Banco liquidado e CPI em articulação |
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