Na próxima quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, uma decisão tomada a portas fechadas em Brasília deve influenciar diretamente o custo do crédito, o rendimento dos investimentos e o ritmo da economia ao longo do ano. É quando ocorre a primeira reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, o Copom.
O encontro ganha caráter decisivo por acontecer após um longo período de juros elevados. Desde junho de 2025, a taxa Selic permanece em 15% ao ano, um nível que pressiona empresas, famílias e o próprio governo, mas que também oferece retornos elevados para investidores conservadores.
Por que a Selic a 15% pesa tanto na economia
A Selic funciona como a principal engrenagem do sistema financeiro. Ela serve de referência para empréstimos, financiamentos, crédito imobiliário, rendimento de títulos públicos, CDBs e diversos produtos de renda fixa.
Quando a taxa está elevada, o objetivo é claro: conter a inflação. Juros altos desestimulam o consumo financiado, reduzem a demanda e forçam empresas a segurar preços. O efeito colateral é a desaceleração da atividade econômica e o aumento do custo da dívida pública.
Inflação desacelera, mas ainda exige cautela
Os dados mais recentes indicam perda de força da inflação acumulada em 12 meses, que gira em torno de 4,2%. O número ainda supera a meta central de 3%, mas permanece dentro do intervalo de tolerância definido pelo Banco Central.
Esse comportamento reforça a leitura de que o aperto monetário surtiu efeito. Ainda assim, a autoridade monetária avalia menos o passado e mais o futuro. O foco está nas expectativas de inflação e na credibilidade do controle fiscal.
Projeções apontam para queda gradual da Selic em 2026
As projeções do mercado indicam que a Selic pode encerrar 2026 próxima de 12,25% ao ano. Para isso, seria necessário iniciar um ciclo de cortes já na reunião de janeiro, ainda que de forma moderada.
Um corte inicial de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,75%, é visto como o movimento mais compatível com o atual cenário. Reduções mais agressivas logo no início do ano poderiam gerar euforia no crédito, reacender pressões inflacionárias e comprometer a credibilidade da política monetária.
Fiscal fragilizado segue como maior risco
Apesar da melhora inflacionária, o maior ponto de preocupação continua sendo o quadro fiscal. O crescimento dos gastos públicos sem reformas estruturais mantém a dívida em trajetória ascendente e limita a margem de manobra do Banco Central.
Esse desequilíbrio cria um conflito direto entre política fiscal e monetária: enquanto o governo amplia despesas, o Banco Central é forçado a manter juros elevados por mais tempo para evitar repiques inflacionários. O resultado são juros estruturalmente altos e crescimento econômico mais lento.
Ano político aumenta volatilidade e incerteza
O cenário se torna ainda mais sensível por se tratar de um ano eleitoral. Historicamente, períodos eleitorais elevam a percepção de risco, principalmente quando há dúvidas sobre o compromisso com o controle de gastos no próximo ciclo de governo.
Essa incerteza se reflete na curva de juros, no câmbio e no comportamento dos investidores, tornando cada decisão do Copom ainda mais observada e debatida.
O que muda para os investimentos se a Selic cair
A simples sinalização de início do ciclo de queda já tende a mexer com os preços dos ativos. Títulos públicos prefixados e Tesouro IPCA+ continuam oferecendo taxas elevadas e podem se beneficiar com a valorização caso os juros futuros recuem.
Ao mesmo tempo, aplicações pós-fixadas seguem relevantes para quem prioriza liquidez e segurança, especialmente em um ambiente ainda volátil. O equilíbrio entre proteção e oportunidade passa a ser o principal desafio do investidor em 2026.
Uma decisão que vai além de janeiro
Mais do que definir a taxa do mês seguinte, a reunião do Copom desta semana pode indicar o tom da política monetária para todo o ano. Um corte simbólico pode abrir caminho para uma transição gradual. A manutenção da Selic em 15%, por outro lado, reforçaria a mensagem de que os riscos fiscais ainda falam mais alto.
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