O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta segunda-feira o resultado do PIB do Brasil no segundo trimestre de 2025, que registrou alta de 0,4% entre abril e junho. Apesar do crescimento, o desempenho representa uma forte desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando a economia avançou 1,4%.
Especialistas destacam que o resultado confirma as previsões de perda de fôlego da economia brasileira, pressionada principalmente pelos juros altos, que encarecem o crédito, desestimulam investimentos e aumentam a inadimplência.
Agricultura perde protagonismo
O setor agrícola, que havia impulsionado o crescimento no início do ano, teve peso menor neste trimestre. A forte safra do começo do ano não se repetiu, reduzindo sua contribuição para o PIB.
Serviços sustentam consumo
O setor de serviços ainda mostrou resiliência, amparado pelo mercado de trabalho com desemprego em baixa. O destaque ficou por conta de serviços ligados a viagens e lazer, mas já com sinais de pressão inflacionária. O comércio, por outro lado, ficou praticamente estagnado.
Investimentos e indústria em queda
Os investimentos caíram 2,2%, refletindo o impacto do custo elevado do crédito. A indústria de transformação, que depende fortemente de financiamento para produtos como veículos e materiais de construção, também apresentou retração. A construção civil foi outro setor em baixa.
Perspectivas para 2025
Com esse cenário, analistas projetam um segundo semestre estagnado, com crescimento próximo de zero. A previsão é que o PIB brasileiro encerre o ano em torno de 2% a 2,2%, sem grandes avanços na reta final.
Além dos fatores econômicos, incertezas políticas, como o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, aumentam a insegurança de empresários e podem impactar ainda mais o ambiente de negócios. Setores como móveis, calçados e máquinas já registram demissões e férias coletivas.
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