O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (18) reduzir em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros do país, fixando o intervalo entre 4% e 4,25% ao ano. A medida ocorre em meio ao aumento do desemprego e à desaceleração da atividade econômica norte-americana.
No Brasil, a atenção se volta para o Comitê de Política Monetária (Copom), que também se reúne nesta chamada “super quarta” para decidir se mantém a Selic em 15% ao ano.
Por que o Fed reduziu os juros
De acordo com o economista Felipe Salto, colunista do Wall e economista-chefe da Warren, a decisão foi motivada pelo duplo mandato do Fed: manter a estabilidade dos preços e garantir níveis adequados de emprego.
A inflação acumulada em 12 meses nos EUA está em 2,9%, acima da meta de 2%.
O desemprego, por sua vez, vem apresentando alta nos últimos meses.
Diante desse cenário, prevaleceu a preocupação com o mercado de trabalho. Apesar da pressão inflacionária, o Fed optou por estimular a economia.
A redução nos juros americanos pode favorecer o Brasil no curto prazo. Isso porque aumenta o diferencial de juros entre os dois países, atraindo capital estrangeiro por meio do chamado carry trade. Com isso:
O real tende a se valorizar frente ao dólar, ajudando no controle da inflação.
O fluxo de capitais dá maior fôlego ao Banco Central brasileiro para, no futuro, considerar cortes na Selic.
Segundo Salto, a expectativa é de que o Copom mantenha a Selic em 15% nesta reunião, mas o movimento do Fed pode antecipar apostas de redução a partir de 2025.
Trump x Powell e tensões políticas
A política de juros nos EUA também tem sido palco de embates entre o presidente Donald Trump e Jerome Powell, presidente do Fed. Trump pressiona por cortes mais agressivos, mas a autoridade monetária mantém decisões técnicas. Inclusive, uma diretora do Fed chegou a recorrer à Justiça após tentativa de demissão pela Casa Branca — e já venceu em duas instâncias.
O mercado projeta novos cortes nos EUA, podendo somar até 0,5 ponto percentual até o fim do ano. No Brasil, embora a inflação esteja acima da meta de 3%, as expectativas melhoraram, abrindo espaço para redução dos juros já no início de 2025.
A decisão desta “super quarta” será crucial para orientar investidores sobre os próximos passos da política monetária em meio a um cenário global de incertezas.
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