A inflação medida pelo IPCA-15, considerada a prévia oficial do índice cheio, registrou alta de 0,25% em dezembro, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (23). Com o resultado, o acumulado de 2025 chegou a 4,41%, mantendo a inflação dentro da meta estipulada pelo Banco Central, ainda que próxima do teto.
A coleta de preços ocorreu entre 14 de novembro e 12 de dezembro, período marcado por maior circulação de renda na economia, impulsionada pelo pagamento do 13º salário, fator que tradicionalmente pressiona o consumo e os preços no fim do ano.
Comparação com meses anteriores e com 2024
Apesar da leve aceleração em relação a novembro (0,20%), o resultado de dezembro ficou abaixo do mesmo período de 2024, quando o IPCA-15 havia sido de 0,34%, indicando um cenário inflacionário menos intenso neste fim de ano.
| Período | IPCA-15 |
|---|---|
| Outubro | 0,18% |
| Novembro | 0,20% |
| Dezembro | 0,25% |
| Dez/2024 | 0,34% |
No trimestre encerrado em dezembro, o índice acumulou 0,63%, bem abaixo dos 1,5% registrados no mesmo intervalo de 2024, reforçando o processo de desaceleração inflacionária ao longo do ano.
Transporte lidera alta; artigos de residência aliviam índice
Entre os grupos analisados, Transportes foi o principal vilão da inflação de dezembro, com alta de 0,69%, puxado principalmente por:
Passagens aéreas
Energia elétrica residencial
Na outra ponta, Artigos de residência apresentaram queda de 0,64%, ajudando a conter o avanço do índice no mês.
Inflação varia entre regiões: Porto Alegre lidera altas
Dos 12 locais pesquisados, 10 registraram inflação positiva em dezembro. O maior avanço foi observado em Porto Alegre, influenciado principalmente por:
Passagens aéreas: +11,32%
Energia elétrica residencial: +5,86%
Já Belém apresentou o menor resultado do país, com queda de 0,35%, reflexo de:
Hospedagem: -53,72%
Itens de higiene pessoal: -1,6%
Serviços seguem resilientes e preocupam o mercado
Apesar do alívio em alguns grupos, o setor de serviços segue mostrando resiliência, mantendo pressão estrutural sobre a inflação. Esse comportamento é acompanhado de perto pelo mercado, já que os serviços têm peso relevante nas decisões de política monetária.
Mercado reage: Bolsa sobe, mas juros futuros avançam
No mesmo dia da divulgação do IPCA-15, o mercado financeiro reagiu de forma mista:
Ibovespa subia 0,79%, aos 159.396 pontos
Ações do varejo tiveram bom desempenho:
Lojas Renner: +1,5%
Magazine Luiza: +2,22%
Por outro lado, a curva de juros futuros apresentou alta ao longo dos vencimentos, indicando cautela dos investidores. O movimento sugere que, além da inflação, fatores políticos e a força dos serviços continuam influenciando as expectativas para os próximos meses.
O que esperar do IPCA cheio de dezembro?
O IPCA oficial, que será divulgado em 9 de janeiro de 2026, tende a ficar muito próximo do IPCA-15, segundo analistas. A expectativa do mercado gira em torno de uma inflação mensal entre 0,24% e 0,27%, confirmando um encerramento de ano mais controlado do que em 2024.
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