O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (16) que espera que os cortes de juros no Brasil comecem nos próximos meses. A declaração foi feita em um evento organizado pelo Banco J. Safra, em São Paulo, onde Haddad destacou a melhora recente do câmbio e o cenário econômico mais favorável.
Segundo ele, a expectativa é de que a taxa Selic, atualmente em 15% — o maior patamar em quase duas décadas —, possa ser reduzida diante de um equilíbrio maior entre inflação e câmbio.
Câmbio mais favorável dá espaço para redução
Haddad lembrou que no início de 2025 havia afirmado que não aceitaria pagar mais de R$ 5,70 pelo dólar. Hoje, a cotação gira em torno de R$ 5,30, nível que, embora reduza a arrecadação federal, também abre espaço para maior confiança do mercado.
“Podemos olhar para o futuro com mais otimismo quanto ao equilíbrio entre as taxas de juros e a taxa de câmbio”, afirmou o ministro.
Banco Central e expectativa do mercado
O Banco Central deve anunciar sua próxima decisão de política monetária nesta quarta-feira (17). A instituição interrompeu o ciclo de aperto monetário em julho, após elevar a Selic em 450 pontos-base desde 2023.
Pesquisas com mais de 100 economistas apontam que o mercado ainda espera juros estáveis até dezembro. A autoridade monetária sinalizou que manterá os custos de crédito elevados por mais tempo para conter a inflação, que segue acima da meta oficial de 3% ao ano.
Projeções para inflação e crescimento
Haddad destacou que o governo Lula deve encerrar o mandato em 2026 com a menor inflação acumulada já registrada. Pela primeira vez, as projeções apontam para um índice inferior a 20% no período.
Além disso, o ministro prevê um crescimento médio da economia de 3% ao ano, acompanhado de níveis historicamente baixos de desemprego.
Posição fiscal mais sólida
Para Haddad, o conjunto de fatores coloca o Brasil em posição fiscal mais forte do que a encontrada no governo anterior. A melhora do câmbio, a perspectiva de inflação sob controle e a possibilidade de cortes de juros reforçam a confiança de investidores e apontam para um cenário mais estável da economia brasileira nos próximos trimestres.
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