O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (16) os resultados da PNAD Contínua, revelando que a taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,6% no trimestre encerrado em julho. O índice representa o menor patamar da série histórica, iniciada em 2012, reforçando um cenário de melhora no mercado de trabalho brasileiro.
A divulgação ocorreu em um momento de expectativa para a próxima decisão do Banco Central sobre a taxa Selic, o que aumenta o interesse nos impactos do dado para a política monetária e o desempenho da economia.
Mercado de trabalho em recuperação
Segundo o IBGE, a queda da desocupação reflete um maior número de brasileiros empregados e também a elevação da renda familiar. Para a professora da FGV e conselheira do Corecom-SP, Carla Beni, a notícia é positiva, mas traz desafios:
“O emprego cresce, mas precisamos que a produtividade acompanhe. Caso contrário, há risco de pressão inflacionária pelo lado da demanda”, destacou.
PIB e produtividade sob pressão
Apesar da melhora no mercado de trabalho, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou suas projeções para o PIB industrial em 2025, de 2% para 1,7%. O indicador acende alerta para a necessidade de crescimento sustentável, em que geração de empregos venha acompanhada de maior eficiência produtiva.
Inflação e juros no centro do debate
O aumento do consumo e da renda pode gerar pressões inflacionárias. No entanto, Beni avalia que a redução gradual da Selic poderia ajudar a aliviar a inadimplência e estimular o setor produtivo sem provocar um salto na inflação:
“Nossa taxa de juros está entre as mais altas do mundo. Uma queda moderada poderia estimular a economia e reduzir custos financeiros sem grandes riscos inflacionários”, afirmou.
Atualmente, a inflação caminha para fechar o ano levemente acima da meta de 4,5%, mas em trajetória de desaceleração.
Dólar em queda ajuda no controle de preços
Outro fator que pode contribuir para manter a inflação sob controle é o câmbio. O dólar caiu abaixo de R$ 5,30, resultado da expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos, o que favorece a entrada de capital estrangeiro no Brasil.
A valorização do real tende a baratear produtos importados e insumos industriais, aliviando a chamada “inflação de custos”.
Expectativas para a Selic
O mercado ainda projeta que a Selic encerre o ano em torno de 15%, mas há espaço para cortes adicionais caso a inflação continue em queda. Para Carla Beni, uma redução de 0,25 ponto percentual ainda em 2025 seria uma sinalização positiva para o próximo ano:
“Estamos há semanas com revisões para baixo no IPCA. Encerrar 2025 com Selic em 14,75% poderia marcar o início de uma trajetória de cortes consistente.”
Especialistas ressaltam que os dados de emprego, câmbio, juros e inflação não caminham de forma linear, o que torna a leitura da conjuntura mais complexa. Ainda assim, a queda do desemprego reforça um aspecto positivo no desempenho da economia brasileira.
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