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Início » Últimas Notícias » Banco Central resiste ao corte da Selic mesmo com alívio da inflação, e serviços viram foco de preocupação
Economia

Banco Central resiste ao corte da Selic mesmo com alívio da inflação, e serviços viram foco de preocupação

IPCA-15 mostra melhora em bens e combustíveis, mas pressão nos serviços mantém o BC cauteloso e adia início do ciclo de queda dos juros.
Rafael CostaPor Rafael Costa27 de janeiro de 20263 minutos lidos
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Banco Central resiste ao corte da Selic mesmo com alívio da inflação, e serviços viram foco de preocupação

O mercado financeiro recebeu com alívio o IPCA-15 de janeiro, que veio um pouco melhor do que o esperado, mas isso não foi suficiente para mudar o principal diagnóstico do Banco Central: a inflação ainda não está totalmente sob controle, especialmente no setor de serviços.

Embora itens mais voláteis como bens industriais, commodities e parte dos alimentos tenham contribuído para uma desaceleração recente dos preços, o BC mantém os pés no freio. O motivo está em um ponto sensível da economia brasileira: o mercado de trabalho ainda aquecido, que sustenta pressões inflacionárias persistentes.

O que melhorou na inflação

Nos últimos meses, alguns fatores ajudaram a compor um cenário mais favorável:

FatorImpacto na inflação
Câmbio mais apreciadoReduz custo de importados
Commodities estáveisMenor pressão em energia e alimentos
Bens industriaisDesaceleração visível nos preços
Corte na gasolina (Petrobras)Alívio esperado para fevereiro

A Petrobras anunciou um corte de R$ 0,14 por litro na gasolina, o que deve gerar impacto positivo na inflação do próximo mês. Esse efeito não é apenas direto na bomba, mas também em cadeia, influenciando fretes e logística.

Mesmo assim, o IPCA projetado para o ano segue em torno de 4%, próximo do teto da meta.

O grande problema: serviços

O ponto crítico está na inflação de serviços, principalmente os intensivos em mão de obra, como:

  • Educação

  • Saúde

  • Alimentação fora de casa

  • Serviços pessoais

Esses setores dependem fortemente do mercado de trabalho, e o Brasil ainda apresenta uma taxa de desemprego próxima de mínimas históricas.

Métricas de média móvel de 3 meses com ajuste sazonal indicam que a inflação de serviços ligados à mão de obra roda próxima de 8% ao ano — número considerado alto para os padrões do BC.

O que o mercado espera agora?

O mercado financeiro acredita que a economia brasileira já está perdendo força. Indicadores recentes mostram:

IndicadorTendência
Atividade econômicaDesaceleração
CréditoMenor ritmo de expansão
ConsumoPerda gradual de fôlego

Com isso, espera-se que o mercado de trabalho esfrie ao longo dos próximos meses, ajudando a trazer a inflação de serviços de algo próximo a 6% para algo perto de 5% até o fim do ano.

E a Selic? Por que o BC ainda resiste?

Mesmo com sinais de melhora, o Banco Central prefere preservar sua credibilidade. A leitura é clara:

A inflação está melhor
Mas ainda não o suficiente para garantir convergência plena à meta

O BC deve manter a Selic em 15% nesta reunião, mas o mercado está de olho no comunicado.

O que o mercado quer ver:

  • Linguagem menos dura

  • Sinalização de que, se o cenário continuar melhorando, o corte pode começar em março

O que pode frustrar:

  • Discurso excessivamente conservador

  • Indicação de juros altos por “período prolongado”

  • Abertura para novas altas, se necessário

Resumo do cenário

ItemSituação atual
IPCA-15Melhor que o esperado
GasolinaCorte ajuda fevereiro
ServiçosAinda pressionados
Mercado de trabalhoMuito aquecido
Projeção IPCA 2025~4%
Expectativa de corte da SelicMarço (se cenário consolidar)

O Banco Central não ignora a melhora na inflação, mas o recado é direto:
cortar juros cedo demais pode colocar tudo a perder.

A autoridade monetária quer sinais mais claros de desaceleração dos serviços e do mercado de trabalho antes de iniciar o ciclo de queda. Até lá, a palavra-chave continua sendo cautela.

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Rafael Costa
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Rafael Costa é editor de Tecnologia e Inovação, especialista em Blockchain e Web3, com pós-graduação em Finanças. Na A Revista, acompanha criptomoedas, tecnologia financeira, inovação e os efeitos dessas mudanças sobre empresas e mercados. Distingue uso efetivo, anúncios, projeções e riscos dos ativos digitais.

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