O mercado financeiro descartou qualquer possibilidade de queda da taxa Selic em 2025. Apesar da desaceleração recente da inflação, principalmente em alguns grupos de produtos, o núcleo de serviços ainda pressiona os índices, mantendo o Banco Central em posição cautelosa.
De acordo com o economista Marcos Moreira, a expectativa de corte só deve se concretizar em 2026. Ele aponta que os sinais de alívio inflacionário são insuficientes para antecipar a flexibilização monetária:
“A inflação não está dando o sinal verde para uma possível antecipação de corte de juros”, afirmou Moreira.
Pressão política em ano eleitoral
A perspectiva para 2026, no entanto, pode mudar de forma significativa devido ao cenário eleitoral. Historicamente, anos de eleições são marcados por forte expansão fiscal, com aumento dos gastos públicos.
Segundo Moreira, essa tendência eleva a pressão sobre o Banco Central para reduzir os juros:
“O grande problema é se esses cortes acontecerem em uma proporção maior que o ideal. Se o governo continuar gastando e o Banco Central queimar a largada, o impacto fiscal pode comprometer a credibilidade econômica.”
Nos dois primeiros anos de mandato, o governo já consumiu cerca de 15% do PIB em gastos, reduzindo a margem para manobras fiscais em 2026. Além disso, as despesas obrigatórias estão cada vez mais próximas de absorver quase todo o orçamento público.
Debate sobre a meta de inflação
Outro ponto destacado é a discussão em torno da meta de inflação. Para Moreira, manter o índice em 3% é um desafio quase inalcançável para um país emergente no atual contexto global.
Ele compara o Brasil com os Estados Unidos, que apresentam inflação de 2,9%, com expectativa de cortes nos juros já na próxima semana. Alterar a meta brasileira, porém, poderia gerar instabilidade:
“Uma mudança agora, em ano pré-eleitoral, teria forte repercussão negativa no mercado financeiro.”
O que esperar para os próximos anos
A combinação entre gastos elevados, restrições fiscais e pressões eleitorais coloca o Banco Central em uma posição delicada. Embora os analistas apostem na manutenção da Selic em 2025, o comportamento do governo e a evolução da inflação em 2026 serão determinantes para definir o rumo da política monetária.
Para os investidores, a mensagem é clara: o ambiente de juros elevados continua este ano, mas as eleições podem redesenhar o cenário no médio prazo.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






