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Início » Últimas Notícias » VI GT11 pode pagar até 31% ao ano? Fundo de energia negocia com 40% de desconto e projeta salto nos dividendos
Dividendos

VI GT11 pode pagar até 31% ao ano? Fundo de energia negocia com 40% de desconto e projeta salto nos dividendos

Após cortes de geração, reembolsos milionários e reestruturação da dívida, VI GT11 aposta em desalavancagem e contratos até 2048 para impulsionar distribuição.
Suzana MelloPor Suzana Mello16 de fevereiro de 20265 minutos lidos
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O VI GT11 é um fundo de participação em ativos de geração e transmissão de energia que se tornou um dos casos mais controversos do setor elétrico nos últimos anos. Voltado para investidores qualificados, o ativo reúne usinas eólicas e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), operando exclusivamente no segmento de geração e transmissão — sem exposição à distribuição.

Nos últimos meses, o fundo passou por forte turbulência, mas os números atuais revelam um cenário que pode mudar completamente a percepção do mercado.

Desconto patrimonial chama atenção

Com base na última atualização patrimonial (30 de janeiro de 2026), o valor patrimonial por cota está próximo de R$ 70, enquanto o preço de mercado gira na faixa de R$ 42.

Isso representa:

  • Desconto aproximado de 40% sobre o valor patrimonial

  • Potencial teórico de valorização superior a 60%

Mas o foco principal não está apenas na possível valorização da cota — e sim na geração de renda futura.

Taxa interna de retorno impressiona

Considerando o preço atual, o retorno implícito estimado do portfólio gira em torno de:

  • IPCA + 15,5% ao ano

  • Aproximadamente 19% ao ano em termos nominais

Em comparação com empresas do setor elétrico listadas em bolsa, o prêmio de risco é significativamente superior, refletindo tanto a complexidade do ativo quanto o histórico recente de problemas operacionais.

Curtailment: o impacto que virou oportunidade

Um dos principais fatores que pressionaram os resultados foi o chamado “curtailment” — cortes de geração determinados pelo Operador Nacional do Sistema.

Em janeiro, cerca de 10,7 MW foram cortados, representando aproximadamente 59% do total de energia frustrada no período. Se não houvesse cortes, o fundo teria gerado cerca de 5,5% acima da meta contratual.

O ponto crucial é que parte desses cortes é reembolsável.

Em dezembro de 2025, houve reversão de provisões relacionadas a esses cortes, resultando em uma entrada extraordinária de aproximadamente R$ 34 milhões em um único mês — valor equivalente a quase oito meses de receitas regulares anteriores.

Isso muda completamente a leitura do fluxo de caixa.

Contratos renovados até 2048: previsibilidade de longo prazo

Outro evento relevante foi a renovação contratual dos ativos hídricos vinculados ao regime Proinfra.

O novo contrato terá vigência de 2028 até 2048 (20 anos) e prevê remuneração próxima de R$ 406 por MW — valor significativamente superior ao praticado anteriormente.

Além disso, os ativos estão inseridos no Mecanismo de Realocação de Energia (MRE), que mitiga risco hídrico ao redistribuir geração entre usinas. Isso aumenta a previsibilidade de receita, mesmo em cenários de baixa vazão.

Essa combinação traz visibilidade de fluxo de caixa por mais de duas décadas.

O erro que derrubou a cota

O grande ponto de ruptura foi a descoberta das APRs (ações preferenciais resgatáveis), com fluxo estimado próximo de R$ 250 milhões.

Essas obrigações não estavam claramente precificadas pelo mercado. Quando vieram à tona, a cota despencou de patamares próximos de R$ 70 para abaixo de R$ 35 em questão de dias, chegando a tocar R$ 28 em determinado momento.

A solução envolveu:

  • Venda de ativos de transmissão

  • Reestruturação de dívida

  • Plano de desalavancagem progressiva

Segundo projeções atuais, o fundo afirma ter capacidade de honrar os compromissos.

Projeção de dividendos: cenário-base e cenário otimista

A estimativa de distribuição evolui conforme o processo de desalavancagem e redução de restrições de geração.

Projeções indicativas:

AnoDividendos estimados por cotaYield sobre R$ 42
2026R$ 3 a R$ 57% a 12%
2028Aproximadamente R$ 614%
2032R$ 11 a R$ 1326% a 31%

Se os dividendos alcançarem R$ 11 a R$ 13 anuais, o investidor que comprou a R$ 42 pode receber entre 26% e 31% ao ano em rendimento.

Em um exemplo simples:

  • 1.000 cotas

  • Investimento aproximado de R$ 42.000

  • Dividendos de R$ 12 por cota = R$ 12.000 ao ano

Isso representa recuperação significativa do capital em poucos anos, caso o cenário projetado se confirme.

Risco elevado exige perfil adequado

É importante reforçar que o VI GT11 é destinado a investidores qualificados e envolve riscos relevantes:

  • Risco regulatório

  • Risco operacional

  • Dependência de reembolsos de curtailment

  • Histórico de comunicação controversa

Por outro lado, o desconto patrimonial, a renovação contratual e a desalavancagem em andamento criam um cenário de assimetria interessante para quem entende o risco.

Oportunidade rara ou armadilha sofisticada?

O VI GT11 reúne características que raramente aparecem juntas:

  • Desconto patrimonial expressivo

  • Contratos de longo prazo até 2048

  • Possível normalização operacional

  • Projeção de dividendos potencialmente acima de 30% ao ano

Ao mesmo tempo, carrega um passado recente turbulento e exige análise profunda.

Para investidores avançados que compreendem a dinâmica do setor elétrico e toleram volatilidade, pode representar uma oportunidade de retorno extraordinário.

Para os demais, é um ativo que exige estudo antes de qualquer decisão.

E no setor elétrico, uma coisa é certa: quem entende a estrutura de contratos e fluxo de caixa enxerga oportunidades antes do mercado reagir.

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Suzana Mello

    Suzana Mello integra a equipe de conteúdo da A Revista. Acompanha economia, finanças pessoais, quanto rende e temas que afetam o orçamento do leitor. Produz textos em linguagem acessível, identifica fontes e períodos de referência e diferencia dados confirmados de estimativas.

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