A Vale (VALE3) apresentou resultados do terceiro trimestre de 2025 acima das expectativas do mercado, registrando lucro líquido de US$ 2,6 bilhões, um avanço de 11% em relação ao mesmo período de 2024 e 27% superior ao trimestre anterior. O desempenho robusto reforçou a confiança de analistas e reacendeu a expectativa de dividendos extraordinários.
O resultado positivo levou o BTG Pactual a mudar sua recomendação das ações de “neutra” para “compra”, destacando o ganho de eficiência operacional, o controle de custos e a queda do endividamento. O banco projeta que o minério de ferro permanecerá acima de US$ 95 por tonelada até 2027, sustentando margens mais elevadas e potencial de valorização adicional das ações.
Lucro cresce com eficiência e produção em alta
A produção de minério de ferro aumentou 5% no trimestre, enquanto o preço médio de venda subiu 4%, para US$ 94,40 por tonelada. Esse desempenho foi impulsionado pela estratégia da companhia de priorizar produtos de maior valor agregado, o que garantiu prêmios de qualidade e menores custos de frete.
O custo médio de produção caiu 4% na comparação anual, para US$ 5.290 por tonelada, refletindo ganhos de produtividade e redução de despesas logísticas. O EBITDA ajustado alcançou US$ 4,4 bilhões, um crescimento de 28% em relação ao ano anterior.
O fluxo de caixa livre atingiu US$ 1,6 bilhão, quase três vezes superior ao mesmo período de 2024, enquanto a dívida líquida recuou para US$ 16,6 bilhões. Caso a companhia atinja a meta de reduzir a dívida para US$ 15 bilhões, há expectativa de liberação de dividendos extraordinários, conforme sinalizado anteriormente pela própria gestão.
Mercado projeta dividendos entre 6% e 7%
Com a combinação de lucros elevados e endividamento controlado, o mercado estima que a Vale distribua entre 6% e 7% de dividend yield nos próximos meses, podendo ultrapassar 10% com eventual pagamento extraordinário.
O payout projetado é de 65% do lucro líquido, equivalente a R$ 5,19 por ação, o que define preço teto de R$ 64,89 para um yield de 8%. O P/L de 9,6 reforça que o papel ainda negocia a múltiplos atraentes em relação à sua geração de caixa.
Apesar da euforia, a empresa ainda não confirmou oficialmente o pagamento de dividendos extraordinários, mantendo o foco em desalavancagem e estabilidade operacional até o fechamento do exercício de 2025.
BTG e Agora reforçam recomendação de compra
O BTG Pactual e a Agora Investimentos elevaram suas projeções para a mineradora, destacando que as ações estão “subposicionadas” entre investidores e podem atingir R$ 78 por ação. Segundo o BTG, a Vale atravessa um momento de “disciplina financeira e eficiência operacional rara no setor de mineração”, com controle de investimentos (Capex) e portfólio voltado a produtos premium.
Além disso, a exposição crescente ao cobre e ao níquel coloca a empresa em posição estratégica para a transição energética global, que tende a aumentar a demanda por metais essenciais.
Caso o preço do minério de ferro se mantenha acima de US$ 100 por tonelada e a dívida siga em queda, a Vale poderá anunciar dividendos acima do esperado já em 2026, consolidando-se como uma das maiores pagadoras da Bolsa brasileira.
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