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Início » Taesa (TAEE11): vale a pena investir com a inflação alta?
Dividendos

Taesa (TAEE11): vale a pena investir com a inflação alta?

Com receitas corrigidas por índices de inflação e contratos de longo prazo, a Taesa volta ao radar de investidores que buscam dividendos e proteção em meio aos juros altos
Carlos MenezesPor Carlos Menezes9 de julho de 20265 minutos lidos
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A Taesa (TAEE11) voltou a ganhar espaço entre investidores que buscam empresas defensivas, pagadoras de dividendos e menos expostas aos altos e baixos do consumo. Em um Brasil ainda marcado por juros elevados, a tese das transmissoras de energia se destaca por um motivo simples: parte relevante da receita dessas companhias é reajustada por índices de inflação.

O cenário macro ajuda a explicar esse interesse. O Banco Central cortou a Selic para 14,25% ao ano em junho de 2026, mas manteve tom cauteloso diante das expectativas de inflação ainda acima da meta. A meta contínua de inflação no Brasil é de 3,00%, com intervalo de tolerância de 1,50 ponto percentual para cima ou para baixo.

Para muitas empresas, inflação alta significa aumento de custos, pressão sobre margens e dificuldade para repassar preços. Para transmissoras como a Taesa, porém, o modelo é diferente: a receita vem da Receita Anual Permitida (RAP), definida dentro do ambiente regulado do setor elétrico. Esse ponto estava no esboço enviado e é a base da tese de resiliência do setor.

Como a Taesa ganha dinheiro?

A Taesa atua na transmissão de energia elétrica. Isso significa que a companhia opera linhas que transportam energia por longas distâncias, conectando usinas geradoras aos centros consumidores.

Diferente de uma varejista, a empresa não depende diretamente de vender mais produtos ao consumidor final. A remuneração ocorre pela disponibilidade da infraestrutura. Em outras palavras, a Taesa recebe para manter seus ativos operacionais e disponíveis ao Sistema Interligado Nacional.

A Aneel acompanha a Receita Anual Permitida das transmissoras e, para o ciclo 2026/2027, a RAP das empresas em operação comercial foi fixada em R$ 54,95 bilhões, com reajuste de 9,41% em relação ao ciclo anterior.

Números atualizados da Taesa

IndicadorDado mais recenteLeitura para o investidor
Receita líquida regulatória 1T26R$ 655,5 milhõesAlta de 9,6% contra o 1T25
EBITDA regulatório 1T26R$ 562,1 milhõesAlta de 10,3% em 12 meses
Margem EBITDA regulatória85,8%Margem elevada e típica de negócio regulado
Lucro líquido regulatório 1T26R$ 192,6 milhõesAlta de 2,3% contra o 1T25
Proventos aprovados do 1T26R$ 192,6 milhõesR$ 0,56 por Unit em JCP
Proventos referentes a 2025R$ 1,12 bilhãoR$ 3,26 por Unit
Dívida líquida 1T26R$ 10,20 bilhõesAlta de 3,9% contra o 4T25
Dívida líquida/EBITDA proporcional4,2xAlavancagem exige atenção

A receita líquida regulatória da Taesa chegou a R$ 655,5 milhões no 1T26, avanço de 9,6% contra o mesmo período do ano anterior. A companhia atribuiu o crescimento ao aumento da receita de transmissão, à entrada em operação de projetos e ao reajuste positivo por IGP-M e IPCA no ciclo RAP 2025/2026.

O EBITDA regulatório somou R$ 562,1 milhões, com margem de 85,8%, reforçando a característica de alta previsibilidade operacional do negócio. Já o lucro líquido regulatório foi de R$ 192,6 milhões, aumento anual de 2,3%.

Inflação ajuda ou atrapalha TAEE11?

A inflação pode ajudar a Taesa pelo lado da receita. No ciclo RAP 2025/2026, a companhia informou reajuste de 7,03% para contratos indexados ao IGP-M e de 5,32% para contratos indexados ao IPCA. Isso impulsionou a receita de transmissão no período.

Esse mecanismo é importante porque protege parcialmente a receita contra a perda de poder de compra. Enquanto muitas empresas precisam negociar reajustes com clientes, as transmissoras têm regras contratuais e regulatórias que permitem correção automática em parte dos contratos.

Mas existe um contraponto: inflação e juros altos também impactam despesas financeiras. No 1T26, a despesa financeira líquida regulatória da Taesa ficou em R$ 308,7 milhões, embora tenha caído 10,3% contra o 1T25. A empresa também destacou efeitos do CDI e da dívida indexada a inflação em seu resultado financeiro.

Dividendos continuam fortes?

Dividendos seguem como o principal atrativo de TAEE11. A Taesa informou que o total de proventos referente ao exercício de 2025 será de R$ 1,12 bilhão, equivalente a R$ 3,26 por Unit, com payout de 100% do lucro líquido regulatório. Além disso, aprovou R$ 192,6 milhões em JCP com base no resultado do 1T26, equivalente a R$ 0,56 por Unit.

Isso mostra que a companhia segue comprometida com distribuição elevada de resultados. Ainda assim, o investidor precisa observar se essa política é sustentável em um ambiente de dívida elevada e necessidade de investimentos.

O principal risco está na dívida

Apesar da resiliência operacional, a alavancagem merece atenção. A dívida bruta da Taesa somou R$ 11,85 bilhões no 1T26, enquanto o caixa ficou em R$ 1,64 bilhão, resultando em dívida líquida de R$ 10,20 bilhões. Considerando a dívida líquida proporcional das controladas em conjunto e coligadas, a relação dívida líquida/EBITDA ficou em 4,2x, acima dos 4,1x do 4T25.

Esse nível não elimina a tese, mas reduz a margem de segurança. Em empresas de transmissão, contratos longos ajudam, mas juros altos tornam o custo da dívida mais relevante.

Taesa (TAEE11) vale a pena agora?

Taesa (TAEE11) pode fazer sentido para investidores que buscam dividendos, previsibilidade e exposição a um setor essencial. A inflação alta tende a favorecer a receita regulatória, enquanto a RAP oferece maior estabilidade em relação a empresas dependentes do consumo.

Por outro lado, não basta olhar para o dividendo. O investidor precisa avaliar preço de entrada, endividamento, vencimento das concessões, novos projetos, Selic, dividend yield e alternativas na renda fixa.

A resposta, portanto, é: TAEE11 continua sendo uma ação defensiva e relevante para renda passiva, mas só vale a pena se o preço oferecer margem de segurança. Em cenário de inflação alta, a Taesa tem vantagens claras, mas a dívida e os juros elevados impedem uma leitura totalmente tranquila.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Atua há mais de 15 anos acompanhando os indicadores econômicos e as políticas públicas que influenciam o cenário financeiro brasileiro. Em A Revista, explica como as decisões econômicas impactam o dia a dia das pessoas e das empresas.

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