A BYD ampliou sua ofensiva no mercado de veículos eletrificados com a apresentação do Dolphin G DM-i, nova versão híbrida plug-in do hatch compacto. O modelo combina um motor 1.5 aspirado a gasolina com um propulsor elétrico e entrega até 212 cv nas configurações mais potentes.
Apresentado inicialmente na Europa e exibido no Festival de Velocidade de Goodwood, na Inglaterra, o Dolphin G DM-i foi desenvolvido para disputar um público mais amplo do que o atendido pelo Dolphin totalmente elétrico.
A proposta é alcançar consumidores que desejam dirigir no modo elétrico durante a rotina urbana, mas ainda consideram importante contar com um motor a combustão para viagens longas ou regiões com menor disponibilidade de carregadores.
A BYD classifica o veículo como o único compacto de seu segmento oferecido com sistema híbrido plug-in no mercado europeu. A autonomia combinada pode superar 1.000 km, considerando a bateria carregada e o tanque abastecido.
Motor 1.5 trabalha principalmente como apoio
O Dolphin G utiliza a tecnologia Super Hybrid DM-i de quinta geração. O conjunto reúne um motor 1.5 aspirado e um motor elétrico responsável pela maior parte da movimentação do veículo.
Diferentemente de um híbrido convencional, no qual os motores elétrico e a combustão alternam frequentemente a responsabilidade pela tração, o sistema DM-i prioriza o funcionamento elétrico. O motor a gasolina pode atuar como gerador de energia ou ajudar diretamente na movimentação em situações específicas.
Essa arquitetura busca oferecer uma experiência semelhante à de um carro elétrico no trânsito urbano, com respostas rápidas, funcionamento silencioso e menor utilização do motor térmico.
Na Europa, o motor utiliza gasolina. Para o Brasil, a expectativa é de adoção de uma configuração flex, capaz de funcionar com gasolina ou etanol. A BYD já informou que pretende utilizar a tecnologia flex em seus modelos híbridos comercializados no país.
Dolphin híbrido terá duas opções de bateria

O hatch será vendido no mercado europeu com dois tamanhos de bateria Blade.
| Configuração | Capacidade da bateria | Autonomia elétrica |
| Versão Active | 7,42 kWh | até 40 km |
| Versões superiores | 18,3 kWh | até 105 km |
Os números seguem o ciclo europeu WLTP. Portanto, os resultados poderão ser diferentes quando o modelo passar pelos testes do Inmetro no Brasil.
Nas configurações com bateria de 18,3 kWh, o Dolphin G DM-i pode percorrer até 105 km utilizando somente eletricidade. Essa autonomia permite que muitos motoristas realizem deslocamentos diários sem acionar o motor a gasolina, desde que mantenham o carro carregado.
A autonomia combinada chega a aproximadamente 1.040 km nas versões mais eficientes. A BYD também informa consumo de até 1,4 litro a cada 100 km com a bateria carregada, equivalente a cerca de 71,4 km/l. Com a bateria descarregada, a estimativa europeia é de aproximadamente 4,3 litros por 100 km, ou 23,2 km/l.
Carregamento rápido será um dos diferenciais
Outro destaque é a possibilidade de carregamento em corrente contínua nas versões mais equipadas. A potência máxima chega a 39 kW, permitindo carregar a bateria de 10% a 80% em aproximadamente 26 minutos.
A presença de recarga rápida não é comum entre híbridos plug-in com baterias relativamente pequenas. Normalmente, esses veículos aceitam apenas carregamento residencial ou em pontos de corrente alternada.
No Dolphin G, o motorista poderá recarregar em casa durante a noite ou utilizar um carregador rápido durante viagens. Quando não houver infraestrutura disponível, o motor a combustão continuará garantindo a mobilidade.
O veículo também oferece a função V2L, que permite utilizar a energia armazenada na bateria para alimentar equipamentos externos, eletrodomésticos e dispositivos eletrônicos.
Novo projeto ficou diferente do Dolphin elétrico
Apesar do nome, o Dolphin G DM-i não é apenas uma versão do Dolphin elétrico com um motor a gasolina instalado no compartimento dianteiro.
O modelo utiliza uma carroceria própria, adaptada desde o desenvolvimento para receber o sistema híbrido, o tanque de combustível, o motor 1.5 e os componentes adicionais da tecnologia DM-i.
O hatch mede 4,16 metros de comprimento e possui 2,61 metros de distância entre eixos. O porta-malas oferece 425 litros, podendo alcançar 1.225 litros com os bancos traseiros rebatidos.
As dimensões colocam o veículo entre os hatchbacks compactos, mas o volume do compartimento de bagagem supera o de diversos SUVs vendidos no mesmo segmento de preço.
Interior aposta em tecnologia e visual mais sóbrio
O interior segue a identidade visual mais recente da BYD, mas adota elementos menos extravagantes do que os encontrados nas primeiras versões do Dolphin elétrico.
Entre os equipamentos apresentados estão painel de instrumentos digital, central multimídia de até 12,8 polegadas, Android Auto, Apple CarPlay, navegação integrada e comandos por voz.
As versões mais completas também podem receber câmera com visão de 360 graus, controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa, monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado e head-up display.
O sistema multimídia utiliza recursos do Google, incluindo Google Maps e Google Assistant. Essa integração faz parte da estratégia de tornar o veículo mais adequado às preferências dos consumidores europeus.
BYD Dolphin híbrido será lançado no Brasil?
A chegada do Dolphin G DM-i ao Brasil está prevista para 2027. Executivos da fabricante já indicaram que o modelo integra os planos de expansão da linha híbrida da companhia no país.
O hatch também poderá ser produzido na fábrica de Camaçari, na Bahia. A unidade é considerada estratégica para a nacionalização de veículos e componentes da BYD e deverá ampliar gradualmente sua capacidade industrial.
A versão brasileira deverá utilizar o conjunto híbrido flex, semelhante ao adotado no Atto 2 DM-i vendido no país. No entanto, autonomia, potência, equipamentos, versões e preços ainda poderão sofrer alterações.
Até o momento, a BYD Brasil não divulgou uma data exata para a abertura das vendas nem confirmou o valor do Dolphin G DM-i.
Preço pode colocá-lo abaixo do Dolphin elétrico
Na Europa, os preços divulgados variam de aproximadamente 25.200 euros a 30.700 euros, dependendo da versão e do tamanho da bateria. A simples conversão para reais resultaria em valores entre cerca de R$ 150 mil e R$ 183 mil, sem considerar diferenças tributárias e comerciais.
Esses valores não devem ser utilizados como referência direta para o mercado brasileiro. A produção nacional, a utilização de componentes locais e o posicionamento definido pela BYD poderão reduzir o preço.
A expectativa do mercado é de que o Dolphin híbrido seja colocado abaixo do Dolphin elétrico ou próximo das versões de entrada do Atto 2 DM-i. Dessa forma, o hatch poderia disputar compradores de modelos compactos e SUVs a combustão, além de híbridos tradicionais.
Novo Dolphin amplia estratégia da BYD
O Dolphin G DM-i representa uma mudança importante na estratégia global da montadora. Em vez de concentrar sua atuação apenas em veículos totalmente elétricos, a empresa passa a oferecer híbridos plug-in em segmentos mais acessíveis.
O modelo poderá atender consumidores que ainda não estão preparados para utilizar exclusivamente um carro elétrico, mas desejam reduzir o consumo de combustível na cidade.
Com até 105 km de autonomia elétrica, carregamento rápido e alcance combinado superior a 1.000 km, o Dolphin híbrido deverá se tornar um dos lançamentos mais importantes da BYD no Brasil quando chegar ao mercado nacional.
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