O balanço do quarto trimestre de 2025 reforçou a estratégia do Santander Brasil de priorizar eficiência, produtividade e controle de despesas. Nos últimos dois anos, as receitas cresceram 17%, enquanto as despesas avançaram apenas 5%, abaixo da inflação do período. Ao mesmo tempo, os investimentos em expansão e tecnologia aumentaram 16%, sem pressionar os custos recorrentes, que permaneceram praticamente estáveis.
Esse movimento se traduziu em melhora consistente do índice de eficiência, que recuou de 42,4% para 39% e, agora, atingiu 37,6% — quanto menor o índice, melhor a eficiência operacional. A redução de custos de serviços foi percebida tanto no segmento de alta renda quanto no varejo massificado.
Fechamento de agências e ganho de produtividade
A estratégia de racionalização da rede física ficou evidente. O número de agências caiu de cerca de 2.700 no fim de 2023 para 1.685 em dezembro de 2025. Em paralelo, a produtividade aumentou: o número de clientes ativos por funcionário subiu de 550 para 663 no mesmo período.
Esse ajuste estrutural reforça a leitura de que o banco busca crescer com uma base mais enxuta, apoiada em digitalização e ganho de escala operacional.
Lucro do 4T25 cresce, mas em ritmo moderado
No quarto trimestre de 2025, o Santander Brasil registrou lucro líquido de R$ 4,1 bilhões, avanço de 6,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas queda de 1,9% frente ao terceiro trimestre. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROE) ficou em 17,6%, acima de concorrentes como Bradesco e Banco do Brasil, porém abaixo do patamar do Itaú, que opera entre 22% e 23%.
No acumulado do ano, o lucro antes de impostos alcançou aproximadamente R$ 17,6 bilhões, crescimento de 4,2%. A análise desse indicador ajuda a reduzir distorções causadas por variações pontuais na alíquota efetiva de imposto.
Carteira de crédito cresce pouco e inadimplência preocupa
A carteira de crédito ampliada atingiu cerca de R$ 708 bilhões, distribuída entre grandes empresas, pessoas físicas, financiamento ao consumo e pequenas e médias empresas. O crescimento, porém, segue lento, em torno de 3% ao ano, refletindo maior cautela na concessão diante do cenário de inadimplência elevada.
A inadimplência de 15 a 90 dias subiu de 3,9% para 4%, enquanto a inadimplência acima de 90 dias avançou para 3,7%, acumulando altas sucessivas. Tanto pessoas físicas quanto jurídicas apresentaram piora, o que mantém pressão sobre o custo de crédito, que ficou em R$ 6,1 bilhões no trimestre, em linha com períodos anteriores.
Receitas avançam pouco, despesas seguem controladas
A margem financeira somou cerca de R$ 15 bilhões no 4T25, com leve alta trimestral, mas queda na comparação anual. As receitas de comissões totalizaram R$ 5,7 bilhões, com crescimento próximo de 4%, indicando evolução modesta e possível perda de participação de mercado.
O ponto positivo veio do lado das despesas: gastos administrativos cresceram apenas 4,2%, enquanto despesas com pessoal recuaram quase 8%. No total, as despesas caíram cerca de 2% no trimestre, reforçando o ganho de eficiência operacional.
Ação sobe 65%, mas resultado não acompanha no mesmo ritmo
Desde janeiro de 2025, as ações do Santander Brasil acumulam alta próxima de 65%. No mesmo intervalo, o lucro antes de impostos cresceu cerca de 4% e o lucro líquido, 12,6%. A discrepância entre desempenho operacional e valorização em bolsa resultou em expansão do múltiplo preço/lucro, reduzindo a margem de segurança em relação a anos anteriores.
Com valor de mercado em torno de R$ 134 bilhões e lucro projetado de aproximadamente R$ 17 bilhões, o P/L estimado gira em torno de 7,7 vezes, ainda cerca de 20% abaixo da média histórica, o que indica que o papel não está caro em termos absolutos, apesar da forte alta recente.
Dividendos seguem consistentes, mas sem surpresa
O Santander mantém política recorrente de distribuir cerca de 50% do lucro em proventos. Com as projeções atuais, o dividendo esperado gira em torno de 6% a 6,5% ao ano, nível considerado consistente, porém sem atrativos extraordinários após a valorização da ação.
Retorno embutido ainda é competitivo
Considerando um lucro anual próximo de R$ 17,4 bilhões, esse resultado representa cerca de 13% do valor de mercado. Metade tende a ser distribuída aos acionistas, enquanto a outra metade é reinvestida. Mantido um ROE ao redor de 17%, o crescimento implícito ficaria perto de 8,5% ao ano.
Somando dividendos e crescimento, o retorno total embutido na ação alcança algo próximo de 15,5% ao ano, equivalente a aproximadamente IPCA + 9%, assumindo inflação de 6%.
Possível fechamento de capital entra no radar
O controlador do Santander Brasil sinalizou que poderá anunciar, no Investor Day de 25 de fevereiro de 2026, medidas adicionais de simplificação societária. Entre as possibilidades está um eventual fechamento de capital da operação brasileira.
Com cerca de 90% das ações já nas mãos do controlador, apenas 10% permanecem em circulação no mercado, o que tornaria uma oferta relativamente simples do ponto de vista financeiro. A justificativa estaria na avaliação de que o preço de mercado não reflete plenamente a execução operacional nem as perspectivas futuras da unidade brasileira.
Caso se concretize, o movimento seria negativo para o mercado de capitais local, que tem visto uma sequência de fechamentos de capital, reduzindo opções para investidores.
O Santander Brasil encerra 2025 com ganhos claros de eficiência, controle rigoroso de despesas e rentabilidade sólida. No entanto, o crescimento do lucro segue moderado, a inadimplência permanece elevada e a forte valorização das ações reduz o potencial de surpresa positiva no curto prazo. Dividendos continuam previsíveis, e o risco de uma eventual OPA passa a integrar o cenário de análise para 2026.
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